Família Ferrez: novas revelações

7 de maio de 2010 às 23:13 - 1 Comentário
Por Macario Gomes de Campos Neto
Publicada originalmente em Macário Campos , com acompanhamento musical.

Mais uma grande exposição proporcionada pela Galeria Olido, um espaço que depois de restaurado, além de retomar sua antiga grandeza, serve agora como um lindo espaço cultural; apesar de sua localização, o Largo do Paissandú, outrora lugar de glamour, agora o depositário da infelicidade, miséria, degradação e da desesperança do ser humano.
Como nosso poder municipal é capaz de tantos contrastes? Exibir-nos arte de um primor quase indescritível, e abandonar o centro da cidade à sua própria sorte.
Mas, voltando à exposição, temos uma mostra de excepcional importância, pois além da beleza das fotos, quase todas da primeira metade do século XX, estas são também o registro da história do desenvolvimento do país, e notadamente da cidade do Rio de Janeiro.
O rigor técnico adotado pelos artistas nos permitem viajar ao instante do disparo do obturador, fazendo com que nos sintamos parte da cena.
O registro da urbanização do centro do Rio, com a destruição do morro do Castelo, e de importantes monumentos da época colonial, nos faz refletir sobre a validade destas obras e sobre o que se perdeu, restando somente as belas imagens fotográficas.
Há também registros de lindas cenas familiares e de viagens feitas pelos integrantes do clã.
Vá com tempo pois estão disponíveis vários álbuns com diversas fotos em cópias recentes, que completam e enriquecem a visita.
Abaixo das imagens colhidas na internet, o “press-release” dos curadores










Família Ferrez: novas revelações

Exposição que reescreve a história da fotografia no Brasil, chega a São Paulo com imagens inéditas da primeira metade do século XX

A partir de 25 de março, São Paulo poderá ver de perto 396 preciosas imagens fotográficas assinadas por Julio, Luciano e Gilberto Ferrez, respectivamente filhos e neto de Marc Ferrez, o maior nome da fotografia oitocentista brasileira.

A exposição, que já esteve em cartaz no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, marca um novo momento da história da fotografia no Brasil, revelando imagens inéditas da primeira metade do século XX, do Rio de Janeiro, São Paulo e do Brasil; do Senegal e de diversos países europeus. Costumes, reformas urbanas radicais, modismos, monumentos, histórias de vida, religiosidade. Tudo à feição dos Ferrez, com riqueza de detalhes e enquadramento.

“Família Ferrez: novas revelações” é resultado de uma seleção de oito mil negativos, que faziam parte do acervo documental guardado por Gilberto Ferrez, incluindo álbuns e arquivos pessoais não só do próprio como de seu pai Julio, seu tio Luciano, e seu avô Marc Ferrez. Essa valiosa descoberta foi encontrada entre os documentos da família, na época da organização do acervo documental dos Ferrez, que foi doado, pelas filhas de Gilberto, para o Arquivo Nacional em outubro de 2007.

A exposição ocupará dois andares da Galeria Olido, no centro da capital paulista, com curadoria de Júlia Peregrino e Pedro Karp Vasquez.

Entre os destaques de São Paulo, estão estrada para Sorocaba (1950) e imagens do centro da cidade (1931), por Gilberto Ferrez. Imagens da Bahia, em especial o cais de Salvador; das cidades históricas de Minas Gerais, do interior do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás, vistas do Rio São Francisco (AL) e igrejas e monumentos históricos de Olinda e Recife, completam o módulo Nossa terra.

O desmonte do Morro do Castelo no Rio de Janeiro, nas lentes de Luciano, merecerá um módulo especial. Nas palavras de Pedro Karp Vasquez “as centenas de imagens de Luciano sobre a derrubada do Morro do Castelo, evidenciam todos os aspectos de seu arrasamento, uma espécie de suicídio urbanístico cujo alto custo social o Rio de Janeiro paga até hoje”. Do Rio de Janeiro serão exibidas ainda imagens da Exposição Nacional de 1922 (comemorativa do centenário da Independência), a reforma do Largo da Carioca, a construção da Cinelândia, raríssimas fotografias da Igreja de São Pedro dos Clérigos (a primeira da América Latina com traçado curvilíneo) – panorâmicas do centro tomadas de Santa Teresa, o perfil original do Mercado Municipal na Praça XV, a expansão da cidade em direção à Zona Sul, e a construção do Cinema Pathé (verdadeiro making of que mostra em detalhes todos os passos da obra), além de registros especiais do carnaval de rua e da ressaca de 21, que abalou a capital fluminense.

As fotos de Júlio, segundo Vasquez, “o cronista familiar e comentarista social dos Ferrez”, estarão no módulo intitulado Comentário Social. Ele retratou a própria família, amigos e personagens anônimos, eternizando a nostalgia e o romantismo da época, com riqueza de detalhes e de luz dignos dos mais sofisticados ensaios fotográficos da atualidade.

Retratos de Julio, Luciano e Gilberto, clicados pelos três, completam a mostra, junto com parte do acervo histórico da Família Ferrez, que inclui álbuns de fotografias, diários de viagens (um dos quais de Cananéia- SP, de Gilberto Ferrez) e correspondências entre eles, contando um pouco da história das imagens que serão apresentadas.

Júlio e Luciano Ferrez desempenharam relevante papel pioneiro na difusão do cinema no Rio de Janeiro, enquanto Gilberto Ferrez, além de dar continuidade ao negócio familiar (em associação com os primos), notadamente com o cinema Pathé, no Rio de Janeiro — até muito recentemente a mais antiga sala de cinema em funcionamento contínuo no país —, foi pioneiro entre os historiadores da fotografia no Brasil. É de sua autoria o primeiro estudo sobre o assunto, “A fotografia no Brasil e um dos mais dedicados servidores: Marc Ferrez, 1843-1923”, publicado na Revista do Patrimônio Histórico, em 1953. Muito antes, em 1905, Julio publicava “O amador photographo”.

O que se ignorava até hoje é que os três também foram exímios fotógrafos, legando à posteridade um acervo de negativos que, no conjunto, excede os oito mil itens.

Julia Peregrino considera essa exposição um marco na história da fotografia brasileira. Ela enfatiza: “Esse precioso acervo inédito não se restringe aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, capital e interior. Foca também as cidades históricas mineiras, monumentos e marcos arquitetônicos goianos, paraibanos e pernambucanos, além de constituir uma instigante amostra dos costumes e do comportamento da sociedade brasileira na primeira metade do século XX.

No âmbito internacional, destacam-se as capitais européias e algumas vistas e retratos da África francesa de grande interesse etnográfico. Outro aspecto interessantíssimo da exposição e a série de retratos do pioneiro Marc Ferrez na velhice, em sua derradeira viagem à Europa, feita por seus filhos, Júlio e Luciano”.

Família Ferrez: novas revelações

Patrocínio: Prefeitura de São Paulo| Secretaria Municipal de Cultura

Galeria Olido Avenida São João, 473 Tels.: (11) 3331-8399 e 3397-0171

Inauguração: 25 de março (para convidados) Período: de 26 de março a 23 de maio Horário: de 3ª a sexta das 12:00h às 20:30h; sábados e domingos, das 13h às 20.00h. Entrada franca

1 Comentário

  1. Sergio Luciano Ferrez
    10 de janeiro de 2011

    Bisneto de Marc Ferrez, neto de Julio, e sobrinho de Luciano e Gilberto Ferrez, sou também apaixonado por fotografia e me sinto honrado de ser parte dessa família!
    Penso em realizar projeto para documentar o sucesso da UPP no Morro do Chapéu Mangueira, LEME, bairro onde nasci (embora a reportagem de Selma Schmidt, jornalista de O GLOBO, tenha deixado escapar esse detalhe…
    Ôi Selma,
    Legal a reportagem, hein?
    Só gostaria de fazer alguns retoques… (ousado, né?)

    No Chapéu Mangueira, casa à venda por R$ 150 mil —
    Já o professor de inglês e espanhol Sergio Ferrez (BISNETO DO PRIMEIRO FOTÓGRAFO DO IMPÉRIO, MARC FERREZ) de 55 anos, que NASCEU no Leme, E JÁ MOROU em Brasília E EM VÁRIOS ESTADOS BRASILEIROS ALÉM DE EM dez países, decidiu subir o morro em busca de uma fonte de renda. Por R$ 60 mil, comprou uma casa de três ANDARES, no Chapéu Mangueira, que está reformando e ampliando: — Vou OFERECER cama e café (BED&BREAKFAST) para turistas, JÁ QUE NO BRASIL AINDA PREVALECE O CULTO À JOVIALIDADE E O MERCADO DE TRABALHO PARA A FAIXA ETÁRIA ABANDONADA (40 a 65 anos) ESTÁ DIFÍCIL, COMO BEM ALERTA MIRIAM LEITÃO EM SEU ARTIGO “BARRADOS NA PORTA”
    http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Y6SgimQPGTUJ:oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2010/05/30/barrados-na-porta-295582.asp+BARRADOS+NA+PORTA&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

    http://blogdofavre.ig.com.br/2010/05/rio-imoveis-em-favelas-com-upp-sobem-ate-400/comment-page-1/#comment-23968

    Saúdo a todos pelo nobre trabalho,

    Cordialmente,

    Sergio Ferrez

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    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente