﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Substantivo Plural</title>
	<atom:link href="http://www.substantivoplural.com.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.substantivoplural.com.br</link>
	<description>Cultura, Idéias e Informação</description>
	<lastBuildDate>Wed, 10 Mar 2010 02:14:10 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Beatles em quadrinhos</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/beatles-em-quadrinhos/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/beatles-em-quadrinhos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 02:14:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/beatles-em-quadrinhos/</guid>
		<description><![CDATA[Download grátis da história dos Beatles contada nos quadrinhos da Marvel.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Download grátis da história dos Beatles contada nos quadrinhos da Marvel.</p>
<p><a href="http://beatlestothepeople.wordpress.com/2010/03/09/the-beatles-story-a-marvel-supers-special/" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/beatles-em-quadrinhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jornalismo Literário</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/jornalismo-literario/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/jornalismo-literario/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 22:01:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15257</guid>
		<description><![CDATA[Recebi em primeira mão o livro “Jornalismo Literário – Uma Introdução”, do jornalista e professor da UNB – e colunista deste SP – Gustavo de Castro. Uma edição caprichada da editora Casa das Musas, escrita com aquele estilo leve e inteligente, marca registrada do nosso Gustavo.
O livro é leitura obrigatória para estudantes de comunicação. Independente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-15256" title="CAPA - LIVRO DE GUSTAVO - JORNALISMO E LIT" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/CAPA-LIVRO-DE-GUSTAVO-JORNALISMO-E-LIT.jpg" alt="" width="247" height="365" />Recebi em primeira mão o livro “Jornalismo Literário – Uma Introdução”, do jornalista e professor da UNB – e colunista deste SP – Gustavo de Castro. Uma edição caprichada da editora Casa das Musas, escrita com aquele estilo leve e inteligente, marca registrada do nosso Gustavo.</p>
<p>O livro é leitura obrigatória para estudantes de comunicação. Independente se vão trabalhar ou não em editorias de cultura. Como sou defensor do jornalista generalista, que atue em qualquer editoria, acho que o profissional deve estar preparado para escrever sobre tudo.</p>
<p>Para antigos jornalistas como eu, que este ano faço 50 anos de profissão???&#8230; calma aí gente que vou explicar melhor. Na realidade são exatos 25 anos de batente, mas como sempre trabalhei em dois (às vezes até três) empregos para escapar, a conta chega fácil aos 50 &#8211; rs.</p>
<p>Pois bem, para os jornalistas da velha guarda, já passados na casca do alho, o livro de Gustavo oferece uma excelente oportunidade de reciclagem. E eu não sou besta de perder a oportunidade de aprender um pouco mais sobre jornalismo literário.</p>
<p>Por e-mail, Gustavo me informou que enviou alguns exemplares para a Livraria Poti da Rua Felipe Camarão. Mas caso ainda não tenha chegado, o leitor ansioso pode entrar em contato com a editora através do site <a href="http://www.casadasmusas.org.br/" target="_blank"><strong>www.casadasmusas.org.br</strong></a> e e-mail <strong><a href="casadasmusas1@hotmail.com" target="_blank">casadasmusas1@hotmail.com</a></strong> e comprar o seu exemplar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/jornalismo-literario/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sandman ganha sua edição definitiva</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/sandman-ganha-sua-edicao-definitiva/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/sandman-ganha-sua-edicao-definitiva/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 21:03:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15253</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;A Panini Comics vai lançar em breve uma edição que é o sonho de muito colecionador de quadrinhos. Estamos falando de Absolute Sandman Volume 1 – Edição Definitiva. O tijolão vai reunir todas as histórias criadas por Neil Gaiman lá nos anos 80 e que são clássicos totais do mundo dos quadrinhos. O material saiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-15254" title="sandman" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/sandman-220x300.jpg" alt="" width="220" height="300" />&#8220;A Panini Comics vai lançar em breve uma edição que é o sonho de muito colecionador de quadrinhos. Estamos falando de Absolute Sandman Volume 1 – Edição Definitiva. O tijolão vai reunir todas as histórias criadas por Neil Gaiman lá nos anos 80 e que são clássicos totais do mundo dos quadrinhos. O material saiu pela Vertigo, selo de HQs mais adultas da DC Comics.</p>
<p>Como dá para imaginar, um clássico desses tem de ter tratamento pra lá de especial e o capricho editorial será aquilo tudo mesmo. Serão 612 páginas – isso aí, 612!! – em papel couché, lombada quadrada e capa dura. Claaaaaaaro que tudo isso tem um preço, né? Vai custar R$ 150. É caro ou barato? Bom, leve em consideração que Sandman é uma obra que transformou os quadrinhos recentes e se estabeleceu como um marco.</p>
<p>A série de Sandman já foi lançada no Brasil algumas vezes por outras editoras, mas é a primeira vez que sairá nesse formato superluxuoso.</p>
<p>Ainda não está confirmado, mas o lançamento deve ser em abril.</p>
<p>A Panini Comics, além de lançar os quadrinhos do universo tradicional da DC, com Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, adquiriu recentemente os direitos também de Vertigo e Wildstorm. Os dois selos têm uma linha editorial diferente. (<strong>UOL</strong>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/sandman-ganha-sua-edicao-definitiva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Giotto &#8220;secreto&#8221; é encontrado em capela de Florença</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/giotto-secreto-e-encontrado-em-capela-de-florenca/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/giotto-secreto-e-encontrado-em-capela-de-florenca/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 20:57:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15251</guid>
		<description><![CDATA[
FLORENÇA, Itália &#8211; Restauradores usando raios ultravioletas redescobriram magníficos detalhes originais das pinturas de Giotto na capela Peruzzi, na igreja Santa Croce, em Florença, que tinham ficado ocultos durante séculos.
&#8220;Descobrimos um Giotto secreto&#8221;, disse Isabella Lapi Ballerini, diretora do Opificio delle Pietre Dure, de Florença, um dos mais respeitados laboratórios de restauração de arte no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-15250" title="giotto" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/giotto-510x248.jpg" alt="" width="510" height="248" /></p>
<p>FLORENÇA, Itália &#8211; Restauradores usando raios ultravioletas redescobriram magníficos detalhes originais das pinturas de Giotto na capela Peruzzi, na igreja Santa Croce, em Florença, que tinham ficado ocultos durante séculos.</p>
<p>&#8220;Descobrimos um Giotto secreto&#8221;, disse Isabella Lapi Ballerini, diretora do Opificio delle Pietre Dure, de Florença, um dos mais respeitados laboratórios de restauração de arte no mundo.</p>
<p><span id="more-15251"></span>Mais de uma dúzia de restauradores e pesquisadores iniciaram no ano passado um projeto ambicioso de &#8220;diagnóstico não invasivo&#8221; para averiguar as condições da capela de 12 metros de altura, que Giotto pintou por volta do ano 1320.</p>
<p>O objetivo do estudo, financiado em parte por uma doação da Fundação Getty, de Los Angeles, era colher informações sobre a capela de 170 metros quadrados. As informações seriam usadas para orientar uma restauração futura.</p>
<p>Durante o projeto, que durou quatro meses, restauradores trabalhando sobre três andares de andaimes de aço descobriram que, quando olharam as pinturas sob luz ultravioleta, puderam enxergar detalhes espantosos que não são visíveis ao olho nu.</p>
<p>&#8220;Foi algo realmente surpreendente&#8221;, disse Cecilia Frosinini, coordenadora do projeto que estudou as cenas das vidas de São João Evangelista e São João Batista.</p>
<p>&#8220;Sabíamos que poderíamos obter resultados muito interessantes do diagnóstico científico, mas, quando olhamos as pinturas sob a luz ultravioleta, de repente essas pinturas muito gastas, estragadas por restaurações antigas, ganharam vida nova&#8221;, disse ela, apontando para uma cena e usando óculos de proteção.</p>
<p><strong>&#8220;Mestre&#8221; de Michelangelo</strong></p>
<p>Acredita-se que as pinturas feitas por Giotto na capela lanciforme exerceram grande influência sobre Michelangelo, que nasceu quase 140 anos após a morte de Giotto e que pintou a Capela Sistina no início do século 16.</p>
<p>Os restauradores de hoje estão enxergando os detalhes que Michelangelo viu quando admirou as pinturas de Giotto, visto como um dos artistas que lançou as sementes do Renascimento italiano.</p>
<p>&#8220;As cenas voltaram a ser tridimensionais. Pudemos ver os efeitos de chiaroscuro&#8221;, disse ela. &#8220;Havia corpos sob as vestimentas. Eles se tornaram tridimensionais. Tornou-se possível enxergar as dobras das roupas, as expressões dos rostos.&#8221;</p>
<p>A capela Peruzzi foi imortalizada na cena do livro &#8220;Um Quarto com Vista&#8221;, de E.M. Forster, em que a jovem Lucy Honeychurch é apresentada aos trabalhos de Giotto por seu futuro marido, George Emerson. (<strong>UOL</strong>)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/giotto-secreto-e-encontrado-em-capela-de-florenca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista de Comparato</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-de-comparato/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-de-comparato/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 20:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15249</guid>
		<description><![CDATA[Amigos e amigas:
Recomendo a todos a leitura da entrevista de Fabio Konder Comparado sobre cotas raciais. Embora eu tenha restrições ao critério de raça e deteste a cobrança de provas de cor, entendo que a questão é muito séria e Comparato argumenta com extrema ponderação. Assistimos a uma ofensiva do DEM  e de outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amigos e amigas:</p>
<p>Recomendo a todos a leitura da entrevista de Fabio Konder Comparado sobre cotas raciais. Embora eu tenha restrições ao critério de raça e deteste a cobrança de provas de cor, entendo que a questão é muito séria e Comparato argumenta com extrema ponderação. Assistimos a uma ofensiva do DEM  e de outros setores conservadores brasileiros que negam a existência de racismo entre nós (ouviu, Lima Barreto? ouviu, Elza Soares?) e invocam critérios meritocráticos no acesso à universidade pública, como se quem tem pele escura não tivesse méritos. Comparato lembra que a população negra beneficiada por cotas também é obrigada a fazer vestibular e que seu desempenho tem se revelado rigorosamente igual ao dos não-negros.</p>
<p>Trabalho numa universidade pública &#8211; USP &#8211; onde cotas dessa natureza não foram implantadas, embora, timidamente, tenha começado uma política de pensar em uma reserva de vagas para os que estudaram em escolas públicas. É um passo. Enquanto a universidade pública não puder atender a toda a demanda existente, é preciso pensar em critérios de democratização de suas vagas que são&#8230; PÚBLICAS.</p>
<p>Quanto ao DEM e a seus aliados: por que não abrir o jogo e declarar simplesmente que estão satisfeitos com as iniqüidades existentes no Brasil, que tanto os beneficiam? Não precisa conspurcar a memória de Gilberto Freyre para defender a opressão reinante.</p>
<p>Abraços a todos e todas:</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-de-comparato/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Fábio Konder Comparato</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-fabio-konder-comparato/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-fabio-konder-comparato/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15247</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Para o jurista Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Universidade de São Paulo e um dos defensores da proposta, a adoção de cotas raciais nas universidades públicas “não apenas é constitucional, como a ausência desse tipo de política representa uma inconstitucionalidade por omissão”.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Para o jurista Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Universidade de São Paulo e um dos defensores da proposta, a adoção de cotas raciais nas universidades públicas “não apenas é constitucional, como a ausência desse tipo de política representa uma inconstitucionalidade por omissão”.</p>
<p><a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;a2=6&amp;i=6213" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-fabio-konder-comparato/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mídia não é campo de batalha</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/midia-nao-e-campo-de-batalha/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/midia-nao-e-campo-de-batalha/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15246</guid>
		<description><![CDATA[Por Alberto Dines
Observatório da Imprensa
As partes estão excitadas, os militantes exibem os tacapes. O confronto de 2010 deve obedecer a limites: não pode ultrapassar o plano eleitoral onde há regras, monitoramento, órgãos disciplinadores e, sobretudo, magistrados insuspeitos. A entrevista do ministro Carlos Ayres Brito (Estado de S.Paulo, domingo, 7/3, pág. A-8), na condição de presidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=580JDB001" target="_blank"><strong>Por Alberto Dines<br />
Observatório da Imprensa</strong></a></p>
<p>As partes estão excitadas, os militantes exibem os tacapes. O confronto de 2010 deve obedecer a limites: não pode ultrapassar o plano eleitoral onde há regras, monitoramento, órgãos disciplinadores e, sobretudo, magistrados insuspeitos. A entrevista do ministro Carlos Ayres Brito (Estado de S.Paulo, domingo, 7/3, pág. A-8), na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é uma prova disso: desestimula a truculência e enquadra os eventuais provocadores.</p>
<p><span id="more-15246"></span>Mas a transferência da disputa para o precário terreno da imprensa é preocupante. A liberdade de informação foi há sete meses suspensa pelo Judiciário para proteger o chefe do Poder Legislativo, a Lei de Imprensa foi indevidamente anulada, as normas que regulavam o direito de resposta foram irresponsavelmente dissolvidas, não existem órgãos reguladores nem auto-reguladores. A única experiência de convívio corporativo dentro da mídia – o Conselho de Comunicação Social – foi arquivada para atender os interesses comuns das empresas de mídia e do governo federal.</p>
<p>Como se não bastassem as dificuldades internas, os exemplos de confrontos midiáticos nos países vizinhos só ampliam o estresse e o ânimo combatente.</p>
<p><strong>Padrões de exigência</strong></p>
<p>Está na hora de baixar a pressão. O presidente Lula, aparentemente, já percebeu o perigo e está acionando seus dotes apaziguadores. Mas é preciso desarmar os detonadores dos dois lados. Os radicais são radicais porque só assim podem aparecer. Sem exacerbações, tornam-se inúteis, somem.</p>
<p>A crítica aos meios de comunicação deve ser feita com competência, conhecimento de causa, sem bandeiras partidárias, a serviço do esclarecimento. A crise dos meios de comunicação é hoje abrangente e transversal, visível globalmente, mas o único setor que deveria abster-se de atuar como crítico da mídia são os governos e governantes. Com o poder de que dispõem, suas observações, mesmo pertinentes, transformam-se automaticamente em ameaças.</p>
<p>São justamente as ameaças que neste momento perturbam o processo eleitoral. Eventos ruidosos não solucionam disfunções crônicas, sobretudo as situadas nos desvãos das instituições. O jornalismo é um processo informativo que dispensa os fóruns sobre jornalismo. A obsessão por comícios é compreensível em políticos, condenável naqueles que a sociedade escolheu para produzir reflexão e ponderação.</p>
<p>Há na mídia brasileira áreas imunes ao radicalismo. Não são melhores nem piores do que os irredentistas, a diferença é que observam o processo holisticamente e, assim, armados de um ceticismo suprapartidário, tornam-se aptos a aplicar os mesmos padrões de exigência em todos os quadrantes.</p>
<p><strong>Debate sobre a imprensa</strong></p>
<p>Antes das comoções que envolveram seus sistemas midiáticos, tanto a Venezuela como a Argentina não dispunham de entidades dispostas a identificar as disfunções que comprometiam a fluência e independência do processo informativo. O debate público sobre mídia só ocorreu depois da irrupção dos confrontos entre governos e corporações de comunicação.</p>
<p>O Brasil começou a discutir o desempenho da mídia décadas antes, mesmo que certos artigos da Constituição de 1988 tenham ficado sem a necessária regulamentação (caso do Conselho de Comunicação Social, que esperou 14 anos para transformar-se em realidade e evaporar-se logo em seguida). Mas fomos pioneiros em universalizar o debate sobre a imprensa.</p>
<p>Esta é uma vantagem que deveria ser aproveitada agora, imediatamente, antes que a disputa eleitoral converta-se em foco de intoxicação permanente.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/midia-nao-e-campo-de-batalha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Johnny Alf, inédito</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/johnny-alf-inedito/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/johnny-alf-inedito/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:29:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15245</guid>
		<description><![CDATA[Assista à entrevista que Johnny Alf, morto na semana passada, deu para o documentário &#8220;Uma Noite em 67&#8243;. Nela, Alf classifica sua música como difícil e fala do dia em que se esqueceu de ir ao Carnegie Hall.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assista à entrevista que Johnny Alf, morto na semana passada, deu para o documentário &#8220;Uma Noite em 67&#8243;. Nela, Alf classifica sua música como difícil e fala do dia em que se esqueceu de ir ao Carnegie Hall.</p>
<p><a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_42/artigo_1273/Johnny_Alf_inedito.aspx" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/johnny-alf-inedito/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O pior estava por vir</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/o-pior-estava-por-vir/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/o-pior-estava-por-vir/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:26:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15243</guid>
		<description><![CDATA[
&#8220;Em A Fita Branca, Michael Haneke mostra que as sementes do horror podem ser encontradas na pedagogia baseada no princípio de que o castigo físico purifica&#8221;. Eduardo Escorel
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-large wp-image-15244" title="a fita branca 2" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/a-fita-branca-2-509x287.jpg" alt="" width="509" height="287" /></p>
<p>&#8220;Em A Fita Branca, Michael Haneke mostra que as sementes do horror podem ser encontradas na pedagogia baseada no princípio de que o castigo físico purifica&#8221;. <strong>Eduardo Escorel</strong></p>
<p><a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_42/artigo_1256/O_pior_estava_por_vir.aspx" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/o-pior-estava-por-vir/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Torre de los Panoramas</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/torre-de-los-panoramas/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/torre-de-los-panoramas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:13:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15241</guid>
		<description><![CDATA[Enrique &#8211; Vila-Matas
El Pais
De Onetti recuerdo su rostro ayer en You Tube y su resistencia a ser filmado hasta que cede y le dice a la cámara: &#8220;Por simpatía, me resigno&#8221;. Y recuerdo también el asombro, ya hace años, que me causó Los adioses. Tan atónito me sentí al terminar aquel libro que volví a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.elpais.com/articulo/cultura/Torre/Panoramas/elpepicul/20100309elpepicul_9/Tes/" target="_blank"><strong>Enrique &#8211; Vila-Matas<br />
El Pais</strong></a></p>
<p>De Onetti recuerdo su rostro ayer en You Tube y su resistencia a ser filmado hasta que cede y le dice a la cámara: &#8220;Por simpatía, me resigno&#8221;. Y recuerdo también el asombro, ya hace años, que me causó <em>Los adioses.</em> Tan atónito me sentí al terminar aquel libro que volví a empezarlo para estudiar con supremo detenimiento cómo lo había hecho el escritor uruguayo para construir con tanta ambigüedad y talento su relato de despedidas. En los días que siguieron, fui un lento analista de su temperamento, como años después lo fui del de Horacio Quiroga, cuentista de tortuosa psicología. Y un día creí encontrarme en el centro del mundo cuando llegué a la poesía esencial de Idea Vilariño, nacida en Montevideo en 1920, 10 años después de la muerte de Julio Herrera y Reissig, iluminado precursor de las vanguardias europeas desde su internacionalmente provinciana y hoy mítica (aunque no estoy seguro, quizás olvidada) Torre de los Panoramas, punto crucial de la poesía de su tiempo y en realidad un cuartucho en el terrado de la casa de sus padres, con vistas (entonces) al Río de la Plata.</p>
<p><span id="more-15241"></span>Herrera y Reissig no sólo fue un dadaísta y un surrealista <em>avant la lettre,</em> sino también un gran avanzado de la poesía modernista que, a la sombra de Darío, revolucionó aquel Montevideo espectral, con huellas todavía del conde de Lautréamont, el más francés de los escritores uruguayos. Por esa ciudad siento una extraña añoranza, una rara <em>saudade </em>de ultramar, a pesar de no haberla pisado nunca o, mejor dicho, de haber pasado allí dos horas inaguantables, encerrado en un cuarto de aeropuerto, antesala uruguaya del infierno. A Montevideo la asoció con aquel sofoco y con mi melancolía de ultramar y también con Idea Vilariño, poeta de las experiencias intensas (se encuentra su admirable poesía completa en Lumen), experta también ella en adioses, como su amado Onetti, del que se despidió en muchos poemas, como se despidió también de Darío: &#8220;Pobre Rubén creíste / en todas esas cosas / gloria sexo poesía / a veces en América / y después te moriste / y ahí estás muerto / muerto&#8221;.</p>
<p>Enemigo de los números redondos y de las fechas señaladas, hago una excepción para decir que hoy hace cien años, el 9 de marzo de 1910, moría en Montevideo Julio Herrera y Reissig, poeta radical y genio de las letras latinoamericanas. En su momento, tan sólo Valle-Inclán percibió en España la renovación que venía de la mano de aquel escritor que desde la Torre de los Panoramas anticipó todas las vanguardias y por bien poco incluso los espejos cóncavos del callejón del Gato: &#8220;La realidad espectral / pasa a través de la trágica / y turbia linterna mágica / de mi razón espectral&#8230;&#8221;. Antonio Machado, al hilo de unas palabras de Unamuno, se apresuró a rechazar la poética modernista. Con formas diferentes, el cerrojo de Machado perdura todavía hoy en este país obstinado en repeler ciertos registros nuevos y en el que, por ejemplo, dos de los más grandes escritores de Montevideo, el inconmensurable Felisberto Hernández y Mario Levrero, son casi unos desconocidos. Duro desinterés español de ahora hacia el mundo americano. La escasa resonancia de <em>La novela luminosa</em> de Mario Levrero (Mondadori) llama la atención porque, sin que casi nadie parezca haberlo advertido, no está muy lejos del mejor Bolaño. Pero es como si a Levrero nos hubiera dado por depositarlo en el lugar de los caminos muertos de su admirado Burroughs. Ya se sabe, ese lugar de espejos cóncavos y de fantasmas que viven en dimensiones paralelas y a los que Levrero trataba con familiaridad, como si fuera un heredero más de Herrera y Reissig, de cuyo genial espectro y obra he querido hoy especialmente acordarme.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/torre-de-los-panoramas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Luis Fernando Veríssimo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-luis-fernando-verissimo/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-luis-fernando-verissimo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 18:03:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15238</guid>
		<description><![CDATA[Por Ayrton Centeno
Brasília Confidencial
Como Luis Fernando Veríssimo, 73 anos, arruma tempo para tanto trabalho não se sabe. O que se sabe é que são mais de 70 livros. E sem contar as antologias! Há de tudo: romances, novelas, quadrinhos, contos, crônicas, guias turísticos e até poesia. No final de 2009, chegou às livrarias Os Espiões, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=11017" target="_blank"><strong><img class="alignright size-full wp-image-15239" title="charge - luis f verissimo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/charge-luis-f-verissimo.jpg" alt="" width="176" height="186" />Por Ayrton Centeno<br />
Brasília Confidencial</strong></a></p>
<p>Como Luis Fernando Veríssimo, 73 anos, arruma tempo para tanto trabalho não se sabe. O que se sabe é que são mais de 70 livros. E sem contar as antologias! Há de tudo: romances, novelas, quadrinhos, contos, crônicas, guias turísticos e até poesia. No final de 2009, chegou às livrarias Os Espiões, sua obra mais recente. No entanto, sua tarefa mais pesada não é essa, mas a de alimentar diariamente colunas nos jornais O Globo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Autor de uma frase cáustica sobre a imprensa – “Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data” – o saxofonista, cronista, romancista, quadrinista, contista e novelista fala aqui sobre mídia, governo Lula, sua situação entre os chamados formadores de opinião, decadência dos diários tradicionais, e-books, elites e eleições.</p>
<p><strong><span id="more-15238"></span>Brasília Confidencial – Hoje, no Brasil, a mídia enxerga um país totalmente diferente daquele que a maioria da população vê. Enquanto a grande imprensa, pessimista, trabalha sobre uma paleta de escândalos, a população, otimista, toca a sua vida de modo mais tranquilo. Que país o Sr. vê?</strong></p>
<p>Luís Fernando Veríssimo – A imprensa cumpre o seu papel fiscalizador, mas não há duvida que, com algumas exceções, antipatiza com o Lula e com o PT. Acho que os historiadores do futuro terão dificuldade em entender o contraste entre essa quase-unânime reprovação do Lula pela grande imprensa e sua também descomunal aprovação popular. O que vai se desgastar com isto é a idéia da grande imprensa como formadora de opinião.</p>
<p><strong>BC – A grande imprensa enaltece a diversidade de opiniões, mas, curiosamente, os principais jornais do Brasil têm a mesma opinião sobre os mesmos assuntos. Este pensamento único não compromete uma pluralidade de opiniões que a mídia costuma defender quando não está olhando para si própria?</strong></p>
<p>LFV – O irônico é que hoje existem menos alternativas à imprensa “oficial” do que existia nos tempos da censura. Mas as alternativas existem, e o tal pensamento único não é imposto, mas decorre de uma identificação dos grandes grupos jornalísticos do país com alguns princípios, como o da economia de mercado, o governo mínimo, etc.</p>
<p><strong>BC – O senhor defende na sua coluna a reforma agrária e questiona a criminalização dos movimentos sociais. Não se sente muito solitário na mídia tratando desses temas?</strong></p>
<p>LFV – Meus palpites não são muito consequentes. Acho que me toleram como a um parente excêntrico.</p>
<p><strong>BC– Todas as pesquisas indicam a queda da circulação dos grandes diários dentro e fora do Brasil. Com uma longa trajetória no jornalismo, como percebe esta queda persistente, que expressa também o afastamento de uma geração do hábito de ler jornais? E como acompanha o trânsito de boa parte do público para a internet?</strong></p>
<p>LFV – Quem é viciado em jornal e revista como eu só pode lamentar que a era da letrinha impressa esteja chegando ao fim, como anunciam. Mas este é um preconceito como qualquer outro. Mesmo mudando o veículo ainda existirá o texto, e um autor. Vou começar a me preocupar quando o próprio computador começar a escrever.</p>
<p><strong>BC – Atribui-se a um advogado famoso, dono de clientela de altíssimo poder aquisitivo, uma reação irada ao saber que seu cliente endinheirado fora preso: “O que é isso? No Brasil só vão presos os três Ps: preto, puta e pobre!”, reagiu indignado. Estamos no século 21, mas as elites parecem continuar no 19. Acredita que vá ver isto mudar?</strong></p>
<p>LFV – As nossas elites não mudaram muito desde D. João VI. Vamos lhes dar mais um pouco de tempo.</p>
<p><strong>BC – A atual política externa do Brasil, mais independente, colabora de alguma maneira para mudar este comportamento?</strong></p>
<p>LFV – A política externa independente é uma das coisas positivas deste governo. Embora o pragmatismo excessivo possa levar a uma tolerância desnecessária com bandidos, às vezes.</p>
<p><strong>BC – O escritor argentino Jorge Luís Borges dizia que a única notícia realmente nova em toda a sua vida foi a chegada do homem à Lua. O resto já tinha acontecido antes de uma ou outra forma. O que o surpreendeu, além disso? Borges tinha razão?</strong></p>
<p>LFV – O sistema GPS. Finalmente, uma voz vinda do alto para guiar os nossos passos.</p>
<p><strong>BC – Em que trabalha no momento ou pretende trabalhar? De outra parte, o que acha dos e-books?</strong></p>
<p>LFV – Acabei de lançar um romance, chamado Os Espiões. Não tenho outro romance planejado no momento. Devem sair um livro para público juvenil, um de quadrinhos e um sobre futebol este ano, mas não sei bem quando. Quanto aos e-books, só vou aceitar quando tiverem cheiro de livro.</p>
<p><strong>BC – Teremos eleições em 2010 e o governo Lula opera na proposta de um pleito plebiscitário – Nós x Eles – contrapondo os oito anos do PT contra os oito anos do PSDB. Se fosse fazer esta comparação o que diria?</strong></p>
<p>LFV – De certo modo, este governo continuou o outro. E vou votar para que o próximo continue este.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-luis-fernando-verissimo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Repórteres no Pelourinho</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/reporteres-no-pelourinho/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/reporteres-no-pelourinho/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:51:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15234</guid>
		<description><![CDATA[Por Leandro Fortes
Brasília, eu vi
A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/03/09/reporteres-no-pelourinho/" target="_blank"><strong>Por Leandro Fortes<br />
Brasília, eu vi</strong></a></p>
<p>A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de “delinquentes” dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquencia jornalística montado por Magnoli.</p>
<p><span id="more-15234"></span>Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capiglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo manual de redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Milleniun, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião. A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de “jornalismo engajado” (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.</p>
<p>A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo. O artigo “Jornalismo delinquente”, publicado na edição de hoje (9 de março de 2010), na página de opinião do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores, e não só da Folha, para os tempos de guerra que se aproximam. A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo. Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.</p>
<p>Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de “panfleto disfarçado de reportagem”, afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa. O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.</p>
<p>*********</p>
<p><strong>O jornalismo delinquente<br />
Demétrio Magnoli</strong><br />
FSP</p>
<p>AS PESSOAS , inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta <strong>Folha</strong> sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (&#8220;DEM corresponsabiliza negros pela escravidão&#8221;, <strong>Cotidiano</strong>, 4/3).</p>
<p>A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.</p>
<p>O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram &#8220;africanos&#8221; por &#8220;negros&#8221;, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.</p>
<p>Não: ninguém disse que a &#8220;raça negra&#8221; carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à &#8220;raça branca&#8221; a responsabilidade pela escravidão.</p>
<p>Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.</p>
<p>Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.<br />
O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.</p>
<p>O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (&#8220;África não organizou tráfico, diz historiador&#8221;), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que &#8220;toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais&#8221;.</p>
<p>Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.</p>
<p>Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: &#8220;Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor&#8221;. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: &#8220;Negros corresponsabilizam negros pela escravidão&#8221;.</p>
<p>O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.</p>
<p>No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º.</p>
<p>Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que &#8220;o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza&#8221;.</p>
<p>Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.</p>
<p>O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. &#8220;Não discutimos a escravidão&#8221;, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma &#8220;amnésia geral sobre a escravidão&#8221;.</p>
<p>Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.</p>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 454px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;">
<p class="MsoNormal"><strong>O jornalismo delinquente</strong></p>
<p style="margin-bottom: 12pt;"><strong>DEMÉTRIO MAGNOLI</strong></p>
<p>AS PESSOAS , inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta <strong>Folha</strong> sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (&#8220;DEM corresponsabiliza negros pela escravidão&#8221;, <strong>Cotidiano</strong>, 4/3).<br />
A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.<br />
O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram &#8220;africanos&#8221; por &#8220;negros&#8221;, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.<br />
Não: ninguém disse que a &#8220;raça negra&#8221; carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à &#8220;raça branca&#8221; a responsabilidade pela escravidão.<br />
Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.<br />
Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.<br />
O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.<br />
O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (&#8220;África não organizou tráfico, diz historiador&#8221;), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que &#8220;toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais&#8221;.<br />
Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.<br />
Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: &#8220;Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor&#8221;. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: &#8220;Negros corresponsabilizam negros pela escravidão&#8221;.<br />
O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.<br />
No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º.<br />
Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que &#8220;o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza&#8221;.<br />
Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.<br />
O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. &#8220;Não discutimos a escravidão&#8221;, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma &#8220;amnésia geral sobre a escravidão&#8221;.<br />
Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.</p>
<p class="MsoNormal">
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/reporteres-no-pelourinho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desplante</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/desplante/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/desplante/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:37:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15231</guid>
		<description><![CDATA[Por Nei Duclós
Diário Catarinense
O comportamento agressivo é fruto da indiferença. O mau exemplo vem de cima e se espalha até atingir o episódio mais ordinário. A pessoa que atravanca o caminho fazendo cara de paisagem, enquanto ao redor todos se esforçam para manobrar, mostra que o tecido social ultrapassou o limite do egoísmo. O que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a2831759.xml&amp;template=3916.dwt&amp;edition=14258&amp;section=1315" target="_blank"><strong><img class="alignright size-medium wp-image-15232" title="egoismo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/egoismo-300x222.jpg" alt="" width="205" height="151" />Por Nei Duclós<br />
Diário Catarinense</strong></a></p>
<p>O comportamento agressivo é fruto da indiferença. O mau exemplo vem de cima e se espalha até atingir o episódio mais ordinário. A pessoa que atravanca o caminho fazendo cara de paisagem, enquanto ao redor todos se esforçam para manobrar, mostra que o tecido social ultrapassou o limite do egoísmo. O que temos é algo mais intenso, uma crueldade endêmica, que coloca no mesmo reduto a gang incendiária e o sujeito convencido de sua boa índole, enquanto exerce seu direito de colocar o som hediondo para atormentar a vizinhança.</p>
<p><span id="more-15231"></span>Temos muitos suspeitos na origem do drama. Prefiro destacar a ausência do remorso. Não há mais culpa, base de uma vida espiritual consciente do ônus de compartilhar com o próximo o mesmo espaço terreno. Identificada pela psicanálise, a culpa acabou sendo erradicada pela sociedade do espetáculo, que precisa da falta de cidadania para empurrar toda tralha de consumo. Não há mais amargura depois da maldade, estimulada para que todos possam devorar o mundo em busca da realização ou do gozo.</p>
<p>O desplante atinge todas as idades e congestiona o tráfego das ações humanas. Usa-se o que está aparentemente disponível e joga-se os resíduos fora. O álibi perfeito para isso é o sentimento de injustiça. Como as autoridades estão sendo investigadas por desvio de dinheiro, as famílias se estraçalham por motivos variados e a educação marca passo entre o discurso politicamente correto e o caos na sala de aula, então tudo está permitido. Agir errado é a vingança dos que encaram o mundo como a prova definitiva de uma perseguição pessoal.</p>
<p>Vemos assim o chamado motivo fútil assomar no noticiário cada vez com mais frequência. Um deslize de alguém ao lado pode significar a soma de todos os erros detectados ao longo de uma vida. Nem precisa de uma arma para desencadear a ocorrência. Uma janela que não fecha direito, um olhar atravessado, um empurrão involuntário, tudo é motivo para que o muro entre as pessoas desabe sobre corpos expostos à hostilidade triunfante.</p>
<p>Essa constatação assustadora não pode gerar desesperança, que também é insumo para atos desumanos. O único cuidado é não dourar a evidência com a ilusão. Basta entender como o processo funciona e, munido pela racionalidade, investir sentimento no convívio com o semelhante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/desplante/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tom Zé – Um eterno maluco beleza</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/tom-ze-%e2%80%93-um-eterno-maluco-beleza/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/tom-ze-%e2%80%93-um-eterno-maluco-beleza/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:26:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15223</guid>
		<description><![CDATA[Quando a tropicália completa 40 anos, um dos seus maiores epígonos dá mostras de uma brutal e poderosa vitalidade criadora. Tom Zé (TomZi ) para os gringos é um dos mais eruditos compositores da MPB. Cantou a paulicéia quando ela, menina, ainda tinha oito milhões de habitantes. Estudou o samba e o pagode em discos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-15230" title="tom zé" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/tom-zé-300x262.jpg" alt="" width="185" height="161" />Quando a tropicália completa 40 anos, um dos seus maiores epígonos dá mostras de uma brutal e poderosa vitalidade criadora. Tom Zé (TomZi ) para os gringos é um dos mais eruditos compositores da MPB. Cantou a paulicéia quando ela, menina, ainda tinha oito milhões de habitantes. Estudou o samba e o pagode em discos que deslumbraram o mundo com sua juventude criativa e viril. Teria mesmo que ser descoberto um dia, depois de tantos anos de um ostracismo criminoso. “Eles possuem tudo e são ricos, mas não possuem a minha música”, disse Tom Zé no excelente filme /documentário “Fabricando Tom Zé” (2007), dirigido por Décio Matos. Um filme que documenta os ensaios e apresentações do grande músico em viagem pela Europa em 2005. O público fica alucinado com a criatividade desse músico /filósofo genial. Numa overdose de Tom Zé, recebida por nós em menos de um ano, eis o que falou o filósofo do samba em show na Capitania das Artes. Ele também finalizou o II encontro natalense de escritores. Naquela ocasião Tom Zi dizia que aqui estava nascendo uma nova civilização. Que pena que foi  só um ensaio.<strong></strong></p>
<p><strong><span id="more-15223"></span>Recados de Tom Zé:</strong></p>
<p>1- 30% da nossa água é nitratada. Conclamar todos para assinar um<br />
abaixo assinado e pedir providências urgentes. Tom Zé estava transmitindo um recado das organizações que estão a frente desse movimento. Vamos todos assinar e participar desse movimento.<br />
2- A ONU não diz que defende a paz. Como pode, se os países que participam da ONU vendem as armas?<br />
3- Quem vendeu a bomba para o Iraque. Todos cantando:. FOI O BUSH, FOI O BUSH.<br />
4- Prostituição. Aqueles galegões em cima das meninas de 12 anos. Muitas vezes são os pais que mandam as meninas para a prostituição. Uma denúncia grave, UM GRITO QUE DEVE ECOAR SEMPRE. Outra música. Outra mensagem de um músico comprometido com o social. Mais uma porrada na nossa cara.<br />
5- Aqui tem, sim, terremoto. Aqui tem Um Câmara Cascudo. Aqui tem grandes artistas. Aqui nós somos recebidos de braços abertos. Quando devíamos andar prevenidos contra as bombas.<br />
6- Os homens de tão burros e egoístas, estão ficando sozinhos e tristes.<br />
6- Olha a bomba. Olha a bomba. Só não vê quem não quer. Por favor, ouçam Tom Zé.</p>
<p>Ave Dor Maria<br />
Tom Zé</p>
<p>Coro das rezadeiras: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,<br />
bendita sois vós<br />
entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre,<br />
Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós,<br />
pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.</p>
<p>Coro dos acusadores: Mulher é o mal<br />
Que Lúcifer bota fé.<br />
Quando achou<br />
Primeiro ovo do Cão<br />
Ela chocou.</p>
<p>Cru, Belzebu<br />
Do rabo fez um pirão<br />
Foi o pão<br />
Que o diabo amassou<br />
E ela assou.</p>
<p>Mônica Sol-Musa: Ave Maria!<br />
Aqui por nós, Maria,<br />
Vem levantar a voz.<br />
Tem misericórdia da mulher,<br />
Nas aflições<br />
Que o homem cria contra nós.</p>
<p>Coro das mulheres: De giz<br />
Me cobris<br />
De tanta lama e ferida.<br />
Argüis<br />
O nada contra o nariz,<br />
Ó suicida,</p>
<p>Coro dos acusadores: Mulher é o mal&#8230; etc</p>
<p>Coro das mulheres: E vês<br />
Toda vez<br />
A tua morte plural<br />
Viuvez<br />
Procuras doce no sal,<br />
E nem me vês.</p>
<p>Coro dos acusadores: Cru, Belzebu&#8230; etc</p>
<p>Coro das mulheres: Essa mão,<br />
Tua senha<br />
Pela navalha da luz.<br />
E no credo<br />
A outra mão não te nego,<br />
Desce da cruz!<br />
Desce da cruz!<br />
Desce da cruz!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/tom-ze-%e2%80%93-um-eterno-maluco-beleza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Livro de Osório</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/livro-de-osorio/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/livro-de-osorio/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>François Silvestre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15222</guid>
		<description><![CDATA[Tácito, registro o lançamento do mais lírico, doido e agradável livro publicado nos últimos tempos. Trata-se das Memórias de Um Anti-Herói, de Osório Almeida. &#8220;Desde que morava no Rio de Janeiro, eu ligava para a namorada e marcava um encontro amoroso. Ela dizia &#8220;Já sei. o Botafogo perdeu&#8221;&#8230;&#8221;Marquei um encontro amoroso com uma dona e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-15228" title="osorio almeida" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/osorio-almeida-225x300.jpg" alt="" width="131" height="175" />Tácito, registro o lançamento do mais lírico, doido e agradável livro publicado nos últimos tempos. Trata-se das Memórias de Um Anti-Herói, de Osório Almeida. &#8220;Desde que morava no Rio de Janeiro, eu ligava para a namorada e marcava um encontro amoroso. Ela dizia &#8220;Já sei. o Botafogo perdeu&#8221;&#8230;&#8221;Marquei um encontro amoroso com uma dona e nada aconteceu.Da parte dela, tudo normal; da minha parte nada aconteceu. Quando foi de noite o Botafogo ganhou do Flamengo, de virada. A força do ditado popular da sorte no jogo e azar no amor anulou meu desejo sexual&#8221;. E por aí vai. O livro tem vinte páginas. Acompanha uma cerveja gelada e é uma delícia. Recomendo ao mau humor dos intelectuais.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/livro-de-osorio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mulheres de Fibra</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/mulheres-de-fibra/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/mulheres-de-fibra/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:20:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João da Mata Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15220</guid>
		<description><![CDATA[A polaca Rosa Luxemburgo (foto) foi uma grande militante política e foi morta covardemente em 1919 com um tiro na cabeça. Seu corpo foi jogado fora e não se sabe exatamente onde estar. Não podemos nem velá-la.
A aquariana e judia Olga Benário nasceu em Munique em 1908, e foi morta num campo de concentração em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-15226" title="rosa luxemburgo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/rosa-luxemburgo.jpg" alt="" width="143" height="165" />A polaca Rosa Luxemburgo (<em>foto</em>) foi uma grande militante política e foi morta covardemente em 1919 com um tiro na cabeça. Seu corpo foi jogado fora e não se sabe exatamente onde estar. Não podemos nem velá-la.</p>
<p>A aquariana e judia Olga Benário nasceu em Munique em 1908, e foi morta num campo de concentração em 23 de abril de 1942. Companheira de Carlos Prestes, com que teve uma filha, foi entregue pela ditadura getulista para ser morta pelos nazistas.</p>
<p><span id="more-15220"></span>Há um pouco maiôs de 50 anos era lançado o livro “A Condição Humana”  da Hannah Arendt.  A vida ativa, diz a Arendt, é formada de três atividades fundamentais: Labor, Trabalho e Ação.  O labor é biológico e faz parte do animal. Trabalhar todos nós trabalhamos (atividade que dignifica o homem). É na ação (action) que residem as nossa diferenças substantivas e outras. O Isolamento amolece o homem e destrói a sua capacidade política.  Todas as atividades humanas têm relação com a política. A ação representa um meio de liberdade da qual não podemos abrir mão. As nossas singularidades é uma expressão dessa liberdade. Somos plurais e substantivos e isso é maravilhoso. Mas, participemos, por favor. A política é uma atividade humana fundamental e quem pensa o contrário é &#8211; como diz o meu querido Brecht UM ANALFABETO POLÍTICO.</p>
<p><strong>O ANALFABETO POLÍTICO &#8211; Brecht</strong></p>
<p>O pior analfabeto<br />
É o analfabeto político,<br />
Ele não ouve, não fala,<br />
Nem participa dos acontecimentos políticos.<br />
Ele não sabe o custo da vida,<br />
O preço do feijão, do peixe, da farinha,<br />
Do aluguel, do sapato e do remédio<br />
Dependem das decisões políticas.</p>
<p>O analfabeto político<br />
É tão burro que se orgulha<br />
E estufa o peito dizendo<br />
Que odeia a política.</p>
<p>Não sabe o imbecil que,<br />
da sua ignorância política<br />
Nasce a prostituta, o menor abandonado,<br />
E o pior de todos os bandidos,<br />
Que é o político vigarista,<br />
Pilantra, corrupto e lacaio<br />
Das empresas nacionais e multinacionais.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/mulheres-de-fibra/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Horóscopo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/horoscopo/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/horoscopo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 16:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Madame Cabaret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cabaret]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[horóscopo]]></category>
		<category><![CDATA[madame]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15219</guid>
		<description><![CDATA[A previsão é a visão turva do acontecimento.
Não é ao acaso a ocorrência de eventos festivos em meu Cabaret. A atração pelos mangues se dá pela riqueza ali disponível.
Era dia de casa cheia. Muitos políticos, empresários e jornalistas se esbaldavam na companhia de algumas de minhas meninas.
Atendendo às necessidades do editor chefe do Jornal Ernesto Boa Venturo, o senhor Honório Bezerra, separei em um outro andar do Cabaret, uma área para que Honório e sua equipe de jornalistas – que comemoravam o prêmio “O jornal que mais informa” – pudessem desfrutar de maior privacidade.
Certamente os reveladores da verdade omitem-se em uma câmara escura.
Tentando atender de forma cordial a todos os freqüentadores do Cabaret, dediquei uma hora a fanfarra dos jornalistas.
Muito proveitoso! Tanto que me rendeu o que agora conto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Madame Cabaret<br />
( <a href="http://www.madamecabaret.blogspot.com/">http://www.madamecabaret.blogspot.com/</a> )</strong></p>
<p>A previsão é a visão turva do acontecimento.</p>
<p>Não é ao acaso a ocorrência de eventos festivos em meu Cabaret. A atração pelos mangues se dá pela riqueza ali disponível.</p>
<p>Era dia de casa cheia. Muitos políticos, empresários e jornalistas se esbaldavam na companhia de algumas de minhas meninas.</p>
<p><span id="more-15219"></span>Atendendo às necessidades do editor chefe do Jornal Ernesto Boa Venturo, o senhor Honório Bezerra, separei em um outro andar do Cabaret, uma área para que Honório e sua equipe de jornalistas – que comemoravam o prêmio “O jornal que mais informa” – pudessem desfrutar de maior privacidade.</p>
<p>Certamente os reveladores da verdade omitem-se em uma câmara escura.</p>
<p>Tentando atender de forma cordial a todos os freqüentadores do Cabaret, dediquei uma hora a fanfarra dos jornalistas.<br />
Muito proveitoso! Tanto que me rendeu o que agora conto.</p>
<p>João Medeiros, então jornalista da coluna esotérica do jornal, estava completamente bêbado. A sua voz distorcida dava a impressão de que todas as cordas vocais estavam frouxas. Contudo, as palavras, quando compreendidas, formavam um texto revelador.<br />
Medeiros me confidenciou aos risos como ele escrevia o horóscopo publicado diariamente no jornal.</p>
<p>A princípio, imaginei tratar-se de uma constipação mediúnica que entupia os sentidos de uma revelação astral.</p>
<p>Tudo balela, segundo o próprio Medeiros.</p>
<p>João Medeiros me disse que a única interação astral se dá quando escreve, pois o faz com muitas doses de vodca, o que certamente o deixa alto, talvez mais próximo das estrelas.</p>
<p>Desconfiada, tentei excitá-lo a confidenciar mais detalhes com algumas perguntas.</p>
<p>As respostas são a soma de uma farsa.</p>
<p>Os textos publicados no jornal diariamente são frutos da imaginação do jornalista. Ele simplesmente decide sem nenhum critério como será o dia do capricorniano ou do taurino. Revela fatos respaldados apenas na sua criatividade literária. Como ele mesmo disse, “são muitas pessoas lendo diariamente. Eu escrevo coisas possíveis de ocorrer a qualquer um, em um dia qualquer. Por isso os acertos são tão convincentes”.</p>
<p>Não que eu me interesse por previsões futuras, pois não quero pensar que amarei um estrangeiro e terminarei por ser atropelada por um carro, mas a única certeza que tenho do amanhã, é que ele nasce hoje.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/horoscopo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma carta de Clarice</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/uma-carta-de-clarice/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/uma-carta-de-clarice/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 11:20:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15217</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Em 95, o escritor Caio Fernando Abreu, então colunista do jornal O Estado de São Paulo, publicou uma carta que teria sido escrita por Clarice Lispector a uma amiga brasileira. Ele comenta, no artigo, que não há nada que comprove sua autenticidade, a não ser o estilo-não estilo de escrita de Clarice Lispector. Ele dizia: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Em 95, o escritor Caio Fernando Abreu, então colunista do jornal O Estado de São Paulo, publicou uma carta que teria sido escrita por Clarice Lispector a uma amiga brasileira. Ele comenta, no artigo, que não há nada que comprove sua autenticidade, a não ser o estilo-não estilo de escrita de Clarice Lispector. Ele dizia: &#8220;A beleza e o conteúdo de humanidade que a carta contém valem a pena a publicação&#8230;&#8221;</p>
<p><span id="more-15217"></span>Berna, 2 de janeiro de 1947</p>
<p>Querida, Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso &#8211; nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades &#8211; depois disso fica-se um pouco um trapo.</p>
<p>Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar e contar experiências minhas e dos outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos leva de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? Assim fiquei eu&#8230; em que pese a dura comparação&#8230; Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões &#8211; cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que me leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida &#8211; que não era maravilhosa mas era uma vida &#8211; eu me transforme inteiramente.</p>
<p>Uma amiga, um dia, encheu-se de coragem, como ela disse e me perguntou: &#8220;Você era muito diferente, não era?&#8221;. Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com lassidão de mulher de cinqüenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria necessidade de lhe dizer, então. Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você &#8211; respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você &#8211; pelo amor de Deus, não queira fazer de você mesma uma pessoa perfeita &#8211; não copie uma pessoa ideal, copie você mesma &#8211; é esse o único meio de viver.</p>
<p>Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia &#8211; será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Isso seria uma lição para mim. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade de alma.</p>
<p>Tua Clarice</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/uma-carta-de-clarice/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Intenção e qualidade na escrita de livros&#8221;</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/intencao-e-qualidade-na-escrita-de-livros/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/intencao-e-qualidade-na-escrita-de-livros/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 11:15:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15215</guid>
		<description><![CDATA[Por Tales Costa
&#8220;Todo autor se torna um escritor ruim assim que escreve qualquer coisa em função do lucro.&#8221;
(Arthur Schopenhauer)
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Tales Costa</strong></p>
<p>&#8220;Todo autor se torna um escritor ruim assim que escreve qualquer coisa em função do lucro.&#8221;</p>
<p>(Arthur Schopenhauer)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/intencao-e-qualidade-na-escrita-de-livros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poema-Reflexão</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/poema-reflexao/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/poema-reflexao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 11:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15216</guid>
		<description><![CDATA[Por Nando José
A  CRIAÇÃO  DO MUNDO  SEGUNDO  DEUS A  CRIAÇÃO  DA  MULHER  SEGUNDO  FERNANDO  JOSÉ
Deus criou  o mundo em seis dias, no sétimo descansou, ao terminar a sua obra sentiu falta do equilibrio para tal empreitada, achou no direito de criar um semelhante, fez-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Nando José</strong></p>
<p>A  CRIAÇÃO  DO MUNDO  SEGUNDO  DEUS A  CRIAÇÃO  DA  MULHER  SEGUNDO  FERNANDO  JOSÉ</p>
<p>Deus criou  o mundo em seis dias, no sétimo descansou, ao terminar a sua obra sentiu falta do equilibrio para tal empreitada, achou no direito de criar um semelhante, fez-se  o  homem, agora  faltava  a  harmonia, veio a idéia de retirar do homem uma parte, saiu uma costela, o  homem deixou de  ser tal  o  criador, fez  na criação  o  primeiro  defeito, e  então  eu  me  pergunto? porque  o  criador  não  olhou  ao  seu  redor, porque  não  viu  os  animais, os rios, os campos, as  àrvores  e as  flores, bastaria ter colhido dos campos o perfume, ter tocado nas águas dos rios, levemente escutasse o canto dos pássaros, para sentir a maior emoção de sua vida e criação, brotaria de suas mãos e de seu coração a mais bela de todas as flores, a mulher.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/poema-reflexao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Jorge Silva Melo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-jorge-silva-melo/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-jorge-silva-melo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 01:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15212</guid>
		<description><![CDATA[Jornal de Letras: &#8220;Nunca chames feliz a um homem enquanto não tiver atingido o fim da sua vida&#8221;, diz-se em Rei Édipo. Concorda?
Jorge Silva Melo: Sim, embora seja estranho considerar feliz aquele que morreu. Pois choramos nas horas da morte. Mas Mozart sabia-o, por isso o seu Requiem. Ou o Exultate Jubilate, cantata talvez menor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Jornal de Letras: &#8220;Nunca chames feliz a um homem enquanto não tiver atingido o fim da sua vida&#8221;, diz-se em Rei Édipo. Concorda?</strong></p>
<p>Jorge Silva Melo: Sim, embora seja estranho considerar feliz aquele que morreu. Pois choramos nas horas da morte. Mas Mozart sabia-o, por isso o seu Requiem. Ou o Exultate Jubilate, cantata talvez menor que a arte sublime de Teresa Stich-Randall sempre me traz, essa ideia de podermos chamar feliz a morte. Mas podemos chamar feliz a alguém? Ou infeliz?</p>
<p><a href="http://aeiou.visao.pt/o-dever-da-inactualidade=f550454" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-jorge-silva-melo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sáfica</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/safica/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/safica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 01:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15208</guid>
		<description><![CDATA[Por Nina Rizzi

DaMata, meu querido,
Safo é uma das minhas santas. Você sabe as loucuras que cometo por causa de poesia, né? Ir a Temuco pra ver as conchas de Neruda e tentar captar um cheiro de sua Matilde, tentar aprender russo pra poder ler no original o grande dostoiévski, ir a Caicó&#8230; um dia, eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Nina Rizzi</strong></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-15211" title="safo" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/safo1.jpg" alt="" width="375" height="315" /></p>
<p>DaMata, meu querido,</p>
<p>Safo é uma das minhas santas. Você sabe as loucuras que cometo por causa de poesia, né? Ir a Temuco pra ver as conchas de Neruda e tentar captar um cheiro de sua Matilde, tentar aprender russo pra poder ler no original o grande dostoiévski, ir a Caicó&#8230; um dia, eu vou lá às falésias de Lêucade, onde ela se deixou levar à espera de um amor. Eu vou lá e vou lhe dizer: Venha, agora pode vir, Safo. Venha que eu já cheguei; serei tua sombra de poesias e cantatas. Ela, que não foi a Baudelaire (que me faz falar francês), viria a mim, você não acha? rsrsrs&#8230;<strong></strong></p>
<p><strong><span id="more-15208"></span>cantiga ellênica pra safo<br />
nina rizzi</strong></p>
<p>quem mo-dera aproximar nossos corpos como sentimo-nos almas.<br />
entre-mentes, que há-de explicar o cheiro que não me sai das juntas &#8211; médio, indica-dor?<br />
(eu levo à boca dedos-alma.) <strong>*</strong></p>
<p>Conta-se que Safo, desprezada em seu amor pelo barqueiro Faón, e desgraçada, atirou-se nas águas do mar, do alto das falésias da Ilha de Lêucade. Os modernos preferem que ela tenha se lançado ao abismo para matar-se. Mas, segundo uma tradição conhecida pelos antigos e, ao que parece ignorada pela maioria dos poetas modernos, realizava-se com intenções rituais. Era um remédio para purificar o doente de amor; atirando-se das altas falésias, nas ondas do mar, ele ressurgia, quando os deuses o contemplavam com bons olhos, inteiramente curado. Assim Deucalíon, que se liberta da paixão pela jovem Pirra.</p>
<p>Sentindo-se eleito, interpelado, Baudelaire sentou-se à beira do penhasco de Lêucade, à espera de que as ondas trouxessem o cadáver de Safo&#8230;</p>
<p><strong>LESBOS<br />
Charles Baudelaire</strong></p>
<p>Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias, Lesbos, ilha onde os beijos, meigos e ditosos, Ardentes como os sóis, frescos quais melancias, Emolduram as noites e os dias gloriosos; Mãe dos jogos do Lácio e das gregas orgias;</p>
<p>Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas, Que desabam sem medo em pélagos profundos, E correm, soluçando, em maio às colunatas, Secretos e febris, copiosos e infecundos, Lesbos, ilha onde os beijos são como as cascatas!</p>
<p>Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam, Onde jamais ficou sem eco um só queixume, Tal como Pafos as estrelas te veneram, E Safo a Vênus , com razão, inspira ciúme! Lesbos, onde as Frinéias uma à outra esperam,</p>
<p>Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas, Onde, diante do espelho, ó volúpia maldita! Donzelas de ermo olhar, dos corpos amorosas, Roçam de leve o tenro pomo que as excita; Lesbos, terra das quentes noites voluptuosas,</p>
<p>Deixa o velho Platão franzir seu olho sério; Consegues teu perdão dos beijos incontáveis, Soberana sensual de um doce e nobre império, Cujos requintes serão sempre inesgotáveis. Deixa o velho Platão franzir seu olho sério.</p>
<p>Arrancas teu perdão ao martírio infinito, Imposto sem descanso aos corações sedentos, Que atrai, longe de nós, o sorriso bendito Vagamente entrevisto em outros firmamentos! Arrancas teu perdão ao martírio infinito!</p>
<p>Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser? Ou condenar-te a fronte exausta de extravios, Se nenhum deles o dilúvio pôde ver Das lágrimas que ao mar lançaram os teus rios? Que Deus, ó Lesbos, teu juiz ousara ser?</p>
<p>De que valem as leis do que é justo ou injusto? Virgens de alma sutil, do Egeu orgulho eterno, O vosso credo, assim como os demais, é augusto, E o amor rirá tanto do Céu quanto do Inferno! De que valem as leis do que é justo ou injusto?</p>
<p>Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo Para cantar de tais donzelas os encantos, E cedo eu me iniciei no mistério profundo Dos risos dissolutos e dos turvos prantos; Pois Lesbos me escolheu entre todos no mundo.</p>
<p>E desde então do alto da Lêucade eu vigio, Qual sentinela de olho atento e indagador, Que espreita sem cessar barco, escuna ou navio, Cujas formas ao longe o azul faz supor; E desde então do alto da Lêucade eu vigio</p>
<p>Para saber se a onda do mar é meiga e boa, E entre os soluços, retinindo no rochedo, Enfim trará de volta a Lesbos, que perdoa, O cadáver de Safo, a que partiu tão cedo, Para sabe se a onda do mar é meiga e boa!</p>
<p>Desta Safo viril, que foi amante e poeta, Mais bela do que Vênus pelas tristes cores! &#8211; O olho do azul sucumbe ao olho que marcheta O círculo de treva estriado pelas dores Desta Safo viril, que foi amante e poeta!</p>
<p>- Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida, A derramar os dons da paz de que partilha E a flama de uma idade em áurea luz tecida No velho Oceano pasmo aos pés de sua filha; Mais bela do que Vênus sobre o mundo erguida!</p>
<p>- De Safo que morreu ao blasfemar um dia, Quando, trocando o rito e o culto por luxúria, Seu belo corpo ofereceu como iguaria A um bruto cujo orgulho atormentou a injúria Daquela que morreu ao blasfemar um dia.</p>
<p>E desde então Lesbos em pranto lamenta, E, embora o mundo lhe consagre honras e ofertas, Se embriaga toda noite aos uivos da tormenta Que lançam para os céus suas praias desertas! E desde então Lesbos em pranto lamenta! *</p>
<p>E, claro, uns fragmentos sáficos que, como sabemos, muito podem ter sido corrompidos pelo tempo, sobretudo pela medieva Igreja Católica (que pelo menos nos reserva Bach):</p>
<p>49 não penso que haverá jamais, em tempo algum, sob a luz do sol, moça que a ti se compare, no brilho poesia</p>
<p>54 adormecendo no seio de uma terna amiga</p>
<p>88 eu tenho uma linda menina; com flores douradas ela se parece: minha Kleís, meu bem-querer – nem pelo reino da Lídia inteiro, nem pela adorada [Lesbos] eu a trocaria *</p>
<p>Beijo de todas as mulheres que são em mim.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/safica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A sociedade dos poetas solidários</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/a-sociedade-dos-poetas-solidarios/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/a-sociedade-dos-poetas-solidarios/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 22:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15206</guid>
		<description><![CDATA[No sábado à noite, na galeria b_arco, a poesia &#8216;incatalogável&#8217; de Roberto Piva incendiou São Paulo, num encontro memorável.
aqui
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No sábado à noite, na galeria b_arco, a poesia &#8216;incatalogável&#8217; de Roberto Piva incendiou São Paulo, num encontro memorável.</p>
<p><a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100308/not_imp521050,0.php" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/a-sociedade-dos-poetas-solidarios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Moacyr Scliar</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-moacyr-scliar/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-moacyr-scliar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 20:51:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15203</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Mas a ideia de que o jovem não lê, por exemplo, é inteiramente equivocada. O jovem não lê se não é motivado. Se a leitura é transformada em uma obrigação curricular, questão de exame e só para passar de ano, aí ele não pode ter vontade de ler. Agora, se a leitura representa um convite [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-15204" title="scliar" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/scliar.jpg" alt="" width="95" height="144" />&#8220;Mas a ideia de que o jovem não lê, por exemplo, é inteiramente equivocada. O jovem não lê se não é motivado. Se a leitura é transformada em uma obrigação curricular, questão de exame e só para passar de ano, aí ele não pode ter vontade de ler. Agora, se a leitura representa um convite ao prazer, à emoção, a uma vivência diferente, aí certamente ele leria&#8221;.</p>
<p><a href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/07/diversaoearte,i=178055/PONTO+A+PONTO+MOACYR+SCLIAR.shtml" target="_blank">aqui</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/entrevista-com-moacyr-scliar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vestígios visíveis pela ação do tempo</title>
		<link>http://www.substantivoplural.com.br/vestigios-visiveis-pela-acao-do-tempo/</link>
		<comments>http://www.substantivoplural.com.br/vestigios-visiveis-pela-acao-do-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2010 20:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tácito Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Prosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.substantivoplural.com.br/?p=15200</guid>
		<description><![CDATA[Por Giovanna Bartucci
Estadão
Lillian Hellman olha para si e sua geração em Uma Mulher Inacabada,  Pentimento e Caça às Bruxas, que voltam às livrarias
&#8220;Toda a minha vida acreditei nas modificações que podia fazer e algumas vezes fiz, num temperamento do qual muitas vezes não gostava, mas agora parece-me que o tempo só trouxe alterações e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignright size-medium wp-image-15201" title="lilian helmann" src="http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/03/lilian-helmann-300x291.jpg" alt="" width="225" height="218" />Por Giovanna Bartucci<br />
Estadão</strong></p>
<p><em>Lillian Hellman olha para si e sua geração em Uma Mulher Inacabada,  Pentimento e Caça às Bruxas, que voltam às livrarias</em></p>
<p>&#8220;Toda a minha vida acreditei nas modificações que podia fazer e algumas vezes fiz, num temperamento do qual muitas vezes não gostava, mas agora parece-me que o tempo só trouxe alterações e mutações, ao invés de reformas verdadeiras; e por isso resta-me tanto do passado, que não tenho o direito de pensar que é muito diferente do presente&#8221;, escreveu, em 1973, Lillian Hellman (1905- 1984), uma das mais importantes dramaturgas atuantes entre os anos 1930 e 1950 nos EUA. E talvez por isso mesmo tenha apresentado os três volumes de sua autobiografia &#8211; apesar de muito diferentes entre si &#8211; como pentimentos, ou seja, vestígios de composições anteriores, ou de alterações em quadros, tornadas visíveis com a passagem do tempo.</p>
<p><span id="more-15200"></span>Relançado pela José Olympio, o primeiro deles, Uma Mulher Inacabada (1969), já disponível nas livrarias em tradução de Carlos Sussekind &#8211; segundo a editora, Pentimento (1973) chega na terceira semana de março e Caça às Bruxas (1976) em abril &#8211; é o retrato da menina que se transformou em uma mulher cuja natureza alternava &#8220;entre uma certa vagueza e exigências rígidas&#8221;. Com efeito, nascida em New Orleans, Lillian estava permanentemente dividida entre o apartamento nova-iorquino, pertencente à família materna da alta classe média originária do Alabama, sul dos Estados Unidos, e a família paterna, que se estabeleceu em New Orleans na imigração alemã de 1845-1848. Seu pai, entretanto, nunca seria considerado &#8220;um marido à altura de mocinha tão rica e bonita&#8221;, como refletiria a autora.</p>
<p>É claro que isso não seria significativo se a pequena Lillian não se visse, a cada seis meses, &#8220;transferida de uma escola de Nova York para uma escola de New Orleans, fosse qual fosse a etapa do ano letivo e qualidade do ensino numa e na outra&#8221;. É possível, escreveria mais tarde, que por meio dessa &#8220;necessidade constante de ajustar-me a dois mundos muito diferentes (&#8230;), descobrira muito cedo que (&#8230;) era capaz de pular um obstáculo com elegância e facilidade, e, em seguida, me esborrachar ao chão no esforço de correr para saltar o seguinte&#8221;.</p>
<p>Uma Mulher Inacabada, contemplado com o National Book Award, narra, então, os caminhos percorridos pela menina criada no sul do país pela babá negra Sophronia até os voos realizados pela dramaturga e roteirista de cinema. Diversas vezes premiada, duas vezes indicada para o Oscar de melhor roteiro &#8211; em 1942, com As Pequenas Raposas (1941), adaptação de sua peça homônima e, em 1944, por A Estrela do Norte (1943) -, Lillian recebeu também a medalha de ouro, na categoria de dramaturgia, do Instituto Nacional de Artes e Letras, em 1964.</p>
<p>O primeiro volume das memórias da autora retrata ainda a relação da dramaturga com Dashiell Hammett, escritor responsável pela renovação do gênero policial noir, com quem viveu por 30 anos pelo &#8220;puro prazer que tínhamos um no outro&#8221;, conforme registrou em 1973. O livro também nos aproxima, com bom humor, da ficcionista Dorothy Parker, dos romancistas F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway, do diretor de cinema William Wyler, do produtor Samuel Goldwyn, para quem trabalhou na Metro-Goldwyn-Mayer, e do cineasta russo Sergei Eisenstein.</p>
<p>Curiosamente, os cinco meses que Lillian passou na Rússia, de outubro de 1944 a fevereiro de 1945, com a intenção de escrever um filme sobre o país, o seu retorno para lá, 22 anos depois, e sua viagem à Espanha de Franco, em 1937, são temas sobre os quais Hellman se detém tendo sempre como referência os diários que escreveu à época &#8211; o que lhe permite pensar a sua história em termos geracionais.</p>
<p>Suas memórias do macarthismo, nos EUA dos anos 1950, seriam relatadas em profundidade, no entanto, no volume Caça às Bruxas. Em 1º de junho de 1952, Lillian Hellman, que fazia a narração de Regina, ópera de Marc Blitzstein baseada em As Pequenas Raposas, foi ovacionada pela plateia. Intimada a depor diante do Comitê de Atividades Antiamericanas do Senado, em 1952, sua resposta representou uma rajada de ar fresco em meio ao clima de terror instaurado sob a batuta do senador Joseph McCarthy: &#8220;Não posso e não desejo amoldar minha consciência à moda do ano (a delação), embora tenha chegado (&#8230;) à conclusão de que não tenho pendor político e não me sentiria bem militando num grupo político.&#8221;</p>
<p>O fato é que a sua obra foi a sua atuação política. Ainda que tendo sido contemporânea de dramaturgos como Eugene O&#8221;Neill, Tennessee Williams e Arthur Miller, e se mantido próxima dos preceitos clássicos do drama, a sua produção tratou de temas como o fascismo durante a Segunda Guerra e a omissão da classe média norte-americana em face da sua expansão; de questões sindicais e de ética política num contexto de lutas trabalhistas e de fura-greves; e também da erosão das relações familiares em decorrência da cobiça material (como se vê em As Pequenas Raposas).</p>
<p>É claro, vale lembrar que Pentimento contém um capítulo sobre a relação da escritora com a dramaturgia, ainda que não haja &#8220;como explicar o instinto para o teatro, embora os que o têm reconheçam-no uns nos outros, como um laço que os une&#8221;, escreveu ela.</p>
<p>Contudo, Pentimento se constitui, afinal, em um livro de retratos de alguns daqueles que lhe marcaram a existência. Como Bethe, a prima judia que se converteu ao catolicismo por amor a um mafioso, e cuja intensidade da experiência serviu de parâmetro para a relação amorosa entre Lillian e Dashiell Hammett. Ou Júlia, a amiga de infância que, enquanto estudava medicina em Viena, se analisava e estudava com Freud, &#8220;estava fazendo alguma coisa muito perigosa que se chamava trabalho antifascista&#8221;, e cujo relato foi posteriormente transformado no filme Júlia, com Jane Fonda e Vanessa Redgrave. Em outras palavras, um livro que, delicado, divertido, às vezes irônico, termina por &#8211; ao retratar outros &#8211; pintar um quadro, o da própria Lillian Hellman.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.substantivoplural.com.br/vestigios-visiveis-pela-acao-do-tempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
