Geral

Feira com a cara do Brasil

Feira de Caruaru_4

A Feira de Caruaru é miscigenada, com a cara do Brasil

É uma feira diferente,

Não só na sua extensão,

Mas, pela diversidade,

Pela movimentação.

Uma feira brasileira,

Nordestina e estrangeira,

Pela miscigenação.

 

Há mais de 200 anos

Com Caruaru surgiu;

Se ela seguiu a Cidade

Ou se a Cidade a seguiu,

Ninguém sabe. No entanto

Se sabe que, por encanto,

Cresceu e evoluiu.

 

Vem gente de toda parte

Com produtos pra vender.

A feira vai se espalhando

Cada vez mais a crescer.

Por sua diversidade,

Hoje, nela, de verdade,

De tudo se pode ver.

 

Nas centenas de barracas

Coloridas: tem picado,

Sarapatel, costeleta,

Toucinho de porco assado,

Que bem regado à caninha

Com um pouco de farinha,

É gostoso pra danado!

 

Encontra-se artesanato

Do mais grosseiro ao mais fino;

Chapéus de palha, gaiola;

Calça e calção pra menino

Lá na Feira da Sulanca.

Cadeira com perna manca,

Sapato de bico fino.

 

Título de Patrimônio

Cultural já recebeu.

O MinC, pelo IPHAN,

O título lhe concedeu.

2006 foi o ano

Que, salvo qualquer engano,

O fato, em si, ocorreu.

 

Nessa feira inusitada

Tem tudo que se procura:

Farinha de mandioca,

Beiju de coco, ticura,

Tem manteiga, queijo, leite,

Tem margarina e azeite

Para uma boa fritura.

 

Tem frutas e tem verduras,

Galinha, pato e peru;

Tem bolo pé-de-moleque,

Tem sirigoela e umbu

E tem garapa de cana

Feita de cana caiana

Plantada em Caruaru.

 

Tem cachimbo e currimboque

Feito de chifre de bode

Que é para por o rapé

Ou o tabaco, que acode

Ao sertanejo gripado

Ou, ainda, constipado,

Cujo espirrar o sacode.

 

Tem a feira de mangalhos;

A feira de passarinhos

Onde tem todos os tipos

E tem também alguns ninhos;

Tem a feira dos calçados,

De roupas, ferros usados;

Brinquedos pros garotinhos.

 

Na feira de troca-troca

Nada tem para vender,

Como o nome mesmo diz,

Tudo nela tem que ser

Um pelo outro trocado.

O escambo realizado

À moda antiga, ao meu ver.

 

Ali o sujeito troca

Bicicleta por jumento

Botijão de gás por água,

Sal e sabão por cimento.

Troca-se arreio de sela

Por cinturão sem fivela,

Cachaça por alimento.

A feira de artesanato,

De importados, de gado;

De gaiolas, de cerâmica,

De ferro galvanizado;

De castanha de caju.

E mais, em Caruaru,

Será, por certo, encontrado.

 

Coco da praia e anão

Aratu e caranguejo;

Rato branco, guaxini,

Urupema, bolo e queijo;

Arnica pra quebradura;

Reza com arruda, que cura;

Urna pra botar desejo.

 

*Cordel 4ª lugar no 2º Concurso de Literatura de Cordel A Feira de Caruaru é Patrimônio de Todos, promovido pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru e pelo IPHAN, em parceria com Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e A Casa da Poesia de Caruaru.

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Rosa Regis

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