Filme de Scorsese defende Elia Kazan

4 de setembro de 2010 às 16:34 - 1 Comentário

Por Silvia Aloisi
UOL

VENEZA (Reuters) – O mais recente filme de Martin Scorsese é um tributo pessoal a Elia Kazan, um dos diretores mais influentes de Hollywood e da Broadway mas também uma figura polêmica, que se tornou um informante anti-comunista durante o chamado McCarthismo.

Em “A Letter to Elia” (Uma carta para Elia, no original em inglês), documentário de uma hora exibido no Festival de Veneza, Scorsese credita Kazan e seu estilo cru, realista e de grande carga emotiva como a inspiração que o levou a ser um cineasta.

Ele relembra em especial o enorme impacto que dois dos filmes mais conhecidos de Kazan, “Sindicato de Ladrões” com Marlon Brando (1954) e “Vidas amargas” com James Dean (1955) tiveram em sua adolescência.

“É quase impossível dizer o quão profundamente eu fui afetado pelos filmes de Kazan”, escreveu Scorsese pouco depois da morte de Kazan em 2003 aos 94 anos.

Scorsese descobriu Kazan ainda na infância, quando ia ao cinema sozinho em Nova York e estava ao seu lado quando Kazan, cujos filmes receberam 20 Oscars, recebeu uma estatueta pelo conjunto da obra em 1999.

Este Oscar especial foi intensamente questionado porque, em 1952, Kazan entregou ao Comitê de Atividades Antiamericanas do Senado os nomes de oito membros do Partido Comunista que haviam trabalhado no Group Theater, onde ele se iniciou como ator.

Apontar o dedo custou a Kazan, ele mesmo um membro do partido entre 1936 e 1936 antes de se retirar em protesto, muitos amigos em Hollywood e entre intelectuais norte-americanos.

Suas razões para fazê-lo, após ter se recusado a testemunhar, ainda são tema de discussão.

Em suas memórias, ele escreveu: “Eu odiava os comunistas há muitos anos, e não achei correto desistir de minha carreira para defendê-los. Eu me sacrificava por algo em que acreditava?”

“Surpreendi as pessoas repetidas vezes pelo que parece ser uma mudança total de posições e atitudes.”

No documentário, que mostra uma longa entrevista com Kazan, ele diz que o que fez foi “simplesmente a mais tolerável de duas alternativas, uma dolorosa e outra errada.”

1 Comentário

  1. Marcos Silva
    4 de setembro de 2010

    Amigos:

    Considero a delação de Kazan asquerosa: ele sabia muito bem a que estava destinando os delatados. Isso não diminui a grande beleza de alguns de seus filmes. “Vidas amargas” é um gigantesco impacto, um dos melhores filmes americanos que já vi. “Um bonde chamado desejo” (pateticamente rebatizado no Brasil como “Uma rua chamada pecado”, deviam condenar os autores desses títulos malucos a um curso de Lingüística estrutural de longuíssima duração) é excepcional, apesar de evidentes mudanças no texto original para ficar de bem com os órgãos moralistas estadunidenses.
    Abraços:

    Marcos Silva

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    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

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    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
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    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
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