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Flávia Assaf lança “Boi de Prata…” domingo no Solar Bela Vista

No próximo domingo, dia 10, às 16:30, no Solar Bela Vista, dentro do Projeto Goiamum, ocorrerá o lançamento do livro “Boi de Prata – a estreia do sertão do Seridó no cinema terceiro-mundista”, de Flávia Assaf, e um bate-papo entre a autora e os cineastas Augusto Lula e Fábio de Silva. Na obra, que saiu pela editora Flor do Sal, “Flávia Assaf resgata a história e os sentidos do “Boi de Prata”, o longa-metragem cult de Augusto Ribeiro Júnior que fundou o (ainda por fazer) cinema de ficção potiguara. Lançamento no domingo, com debate e tudo, nos mangues do Goiamum”.

O filme Boi de Prata é um marco na cultura potiguar e nacional. Roteirizado e dirigido pelo seridoense Carlos Augusto da Costa Ribeiro Júnior, foi um dos primeiros filmes produzidos pelo modelo de regionalização da produção, implantado pela Embrafilme, no ano de 1976, quando da subida do grupo de cineastas cinemanovistas à presidência da Estatal, com a escolha do cineasta Roberto Faria para o cargo.

Ribeiro Jr. ou simplesmente Júnior, como era conhecido pelos amigos, viabilizou seu projeto em 1976 com a assinatura do contrato entre a Secretaria do Estado de Educação e Cultura, a Embrafilme, uma empresa produtora e ele próprio. Em 28 de novembro de 1978, a equipe técnica e o elenco estavam em Natal para dar início às filmagens. Durante os meses de dezembro de 1978 e janeiro de 1979, a equipe filmou a maior parte das cenas do filme na zona rural de Caicó. Durante os anos de 1979 e 1980, o filme foi montado. Em Caicó, o filme foi visto em março de 1980. Em Natal, em 21 de janeiro de 1981, houve o evento de avant premier, no Cine Rio Branco, com a renda da bilheteria revertida para o programa social PRONAV-RN, da então esposa do governador Lavoisier Maia, Sra. Wilma Maia. Porém, ao contrário do que era previsto pelo contrato com a Embrafilme, o Boi de Prata nunca foi distribuído para os cinemas do país e caiu nas sombras e no silêncio das prateleiras da estatal de cinema.

Hoje, quando se comemora 40 anos do início das filmagens, gostaríamos de analisar e debater o conteúdo da película, que como um fruto de sua época, nos revela o conjunto de ideias e sentimentos que permeavam a vida do diretor-roteirista e de uma parcela da intelectualidade brasileira, naquele momento, bem como as trocas que faziam com os artistas e pensadores de outras regiões do planeta, principalmente com aquelas que, como o Brasil, tinham conhecido a situação de colônia em algum momento de suas histórias. Irmanados, os artistas e intelectuais do que se chamou de Terceiro Mundo produziram ideias e arte a partir de suas experiências como colonizados no sistema capitalista. E assim o fez Ribeiro Jr.: pensou o Brasil terceiro-mundista a partir do sertão do Seridó nos anos da imposição da modernidade autoritária dos governos da ditadura civil-militar das décadas de 60 a 80, do século XX.

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