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A força dos símbolos

Os símbolos têm força iluminante da pátria na religiosidade, no comércio, na vida diária. A origem dessa palavra leva o sym grego, que significa junto, acrescido de atirar, viver. Os símbolos, ícones, afetam a civilização, compõem a nossa linguagem verbal e gestual e movimentam povos como a suástica nazista ou a foice e o martelo soviéticos. Muitas vezes, nem percebemos a razão, mas eles estão presentes na aliança do noivado, no anel de formatura, nos compulsivos sinais de trânsito, na pombinha da paz, no coração com seta de amor. A internet multiplicou os sinais, desde o @ (arroba) do correio eletrônico até a representação dos beijos e abraços ou o estirar a língua.

O Brasil já hasteou dez diferentes bandeiras, a partir da Era Colonial. Hans Donner, o alemão que optou por ser brasileiro, criador do plin-plin, do logotipo da Globo e das vinhetas das novelas, apresentou no Fórum do Amanhã, em Tiradentes – MG, uma proposta de alteração de elementos da Bandeira Nacional. Haveria uma crescente transição de tons do mais suave ao mais forte, verde e amarelo. A lista branca descendente (tristeza?) mudaria para formato ascendente. Tal feitio também se aplicaria ao Selo Nacional. Retornaria a palavra amor do lema positivista. De fato, na frase de Augusto Conte, a palavra “amor” antecedia o Ordem e Progresso.

O “amor” é repetido na simbologia nacional. Propõe ao nosso hino que a bandeira seja símbolo de eterno amor. E mais: um raio de amor desce à nossa terra. Já a Canção do Exército qualifica de sublime saber amar à terra onde se nasce.

Ainda que a proposta do designer trouxesse maior beleza, estética e comunicabilidade, haveria naturais resistências. O povo gosta do estabelecido. Sobretudo, quando representa valores e ideais. A Bandeira atual foi oficializada a 19 de novembro de 1889, quatro dias depois do golpe militar que implantou a República. Ou seja, quando ainda o povo estava sob choque. E a alteração foi apenas a de substituir o escudo do Império pelo círculo em azul.

Os símbolos coletivos são feitos para glorificar, exaltar, a partir das virtudes reconhecíveis, reconhecidas. Sabemos da força dos símbolos e da resistência a mudanças. O poeta Camões adverte: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades / Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança / Tomando sempre novas qualidades”.

A letra do Hino do Rio Grande do Norte é difícil, comprida (40 versos) e inadequada. Contém ambiguidade e afirmações inaceitáveis. O autor da letra é um conterrâneo e “exilado” no Pará, o poeta épico Augusto Meira. Lá, por seu talento, ele exerceu as mais relevantes funções: professor de Direito e de latim, diretor da Faculdade de Direito, deputado federal e senador. Em poema, declara aos paraenses: “Lembrai-vos que sou vosso”. Construiu, pois, com sua visão da terra escolhida, o nosso hino. Por isso, registra que nossa glória flutua em Belém. Não faz justiça a povo amigo (holandês) quando afirma: “Já domaste o astuto holandês”. O verbo domar é apropriado a subjugar animal selvagem. Outra impropriedade: “Nos pampas… ninguém ousa afrontar-te outra vez”. E ainda mais uma: “Foi de ti que o caminho encantado da Amazônia Caldeira encontrou”.

Não será tempo de mudança?

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Diógenes da Cunha Lima

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