Franco Maria Jasiello e Jairo Lima
29 de janeiro de 2010 às 15:25 - Comentar
Os que me conhecem, sabem que considero Natal uma “pátria adotiva” (a pátria é a língua – mas também o lugar dos afetos, das boas lembranças e das chegadas & partidas etc).
Em Natal, o primeiro dos meus amigos – cronologicamente falando – foi o italiano mais natalense do mundo, o poeta Franco Maria Jasiello.
Franco foi um grande poeta, de dicção ungarettiana, e, através dele, eu conheci a Natal boa e a Natal ruim.
A boa, a de Cascudo, atravessa corações & mentes dos muitos amigos que AÍ também tive (e ainda tenho!), e a “ruim” foi aquela Natal que, entre outras faltas cometidas contra outros, não soube apreciar devidamente – permitam-me que fale com franqueza – o alto intelecto do poeta Jasiello, seu senso de fidelidade e sua integridade moral à toda prova.
Não entrarei em mais detalhes (até porque os que foram desleais a Franco – ou que não foram retos e francos com ele – sabem BEM o que lhe fizeram)…
Essa Natal-R – de “ruim” – certamente superada, em número e grau, pela Natal-B – de “boa” – agora também está vendo outro poeta “pelas costas”, afastando-se no rumo de Pernambuco.
Refiro-me, é claro, a Jairo Lima (foto), que aí, na cidade de Cascudo, tentou de tudo para dar contribuição cultural a mais desinteressada possível, como livreiro-sebista, animador cultural, dono de “pub” de cachaças finas e outras veredas trilhadas, por Jairo, para se entender com as Natais todas.
Não foi possível. A Natal que não é boa às vezes é mais forte do que a verdadeira cidade das antigas margens douradas do Potengi.
Que há de se fazer? Lamentar-se tal fato, eu diria, sempre que se puder.
E lamentar também a falta que Jairo Lima fará, na cidade superlativa deste “Substantivo”, por estar indo embora (de volta para o Recife), poeta, teatrólogo e amante da Grande Música, ainda vivo-e-bolindo, graças a Deus, enquanto o poeta Franco Maria Jasiello se foi, de vez, para a Itália celeste onde se encontram Dante e Leopardi, Foscolo e Ungaretti, Montale, Salvatore Quasimodo e outros que talvez lhe fizeram esquecer tudo que a Natal-”R” lhe fez.
Essa, caro Jairo, vosmicê também esqueça, e se lembre, somente, da Natal boa e luminosa, de dunas suaves como o corpo de uma bela mulher, ou seja, a Natal que ninguém cala e se “sorta”, mesmo apesar da atual “Alcaidessa” Micarla fazendo o que pode pela outra Natal que tenta calar os talentos e, como me disse, recentemente, um natalense da gema, “PREFERE GASTAR CEM PARA O OUTRO NÃO GANHAR DEZ”…


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