Frida
1 de junho de 2010 às 22:59 - ComentarTambèm sou daqueles que é apaixonado por Frida Khalo. Como nao amar esta mulher? É o que me pergunto depois de sair da Casa Azul, na calle Londres. Trata-se de uma edificacao de 1750, onde ela e Diego Rivera viveram os anos de seu amor. A casa, agora transformada em Museu, é de arrepiar. A energia de Frida está em toda a parte. Ali vc encontra a sua cadeira de rodas, o cavalete onde pintava, as moletas, a cama com o espelho encima, a máquina de costurar, os pincéis, as tintas ainda borradas na cor.
Frida morreu em 1954 e Diego em 1957. Antes de morrer ele legou tudo o que estava na casa à mecenas Dolores (Lola) Olmedo. Pediu a Lola que depois da sua morte ela deixasse parte dos aposentos da casa fechada por 15 anos. Lola obedeceu. Passaram-se mais de 15 anos, no entanto, Lola morreu em 2004 e naquele mesmo ano os compartimentos (banheiros, quartos, etc) foram abertos. Apareceram entao mais de 28 mil documentos, 6.500 fotografias, 300 vestidos de Frida e 400 desenhos e obras inéditas.
Nao conhecia a faceta de Frida fotografa. Foi bom descobrir. O seu pai era fotógrafo. E ela aprendeu a arte. Há um zoon do olho de Diego Rivera. Na estante de livros de Diego, podemos encontrar um livro do Portinari, “His life and arte”, editado pela Chicago Press. Nao consegui ver o ano. A claridade da casa, ampla e azul, nos agita em muitas claridades. Fiquei com forte impressao de que ali moravam bruxos, náo gente. O que me atentou para isso foi a quantidade que gatos que vi pela casa. Mas talvez eu estivesse delirando.
Há muita emocao e dor em toda a parte; muita arte também. As paredes eram desenhadas e escritas por ela. As da cozinha eram telas para a criatividade. Uma das frases, diz: “Muchas veces me simpatizan más los carpinteros, zapateros, etc. que esa toda manada de estupidos dizque civilizados, habladores, llamados gente culta”.
Algo que me chamou a atencao é um recorte de jornal, de 19 de outubro de 1942, colocado em exposicao. No jornal, que nao consegui identificar qual, Diego Rivera revela o segredo para fazer a corte às mulheres hermosas. O longo título da matéria anuncia: “El celebre muralista jamás ha sofrido por ser hombre feo”. Isso parece realmente verdade. Entre as fotos dos ex-amores de Rivera, espalhadas pela casa, aparecem mulheres cinematográficas. Uma delas é Dolores Del Rio. Na própria Casa Azul, viveu também Leon Trotsky, que depois se mudou para uma rua ali perto. No quarto onde Trotsky habitou, Diego viveu os últimos anos de sua vida.
Mas era Frida quem me movia pelos cômodos da Casa Azul, me levando pela mao da imaginacao, como quem incita a entender a sua arte, alegria e dor, simultaneamente. Nos corredores, quartos, varandas e alpendres, dava pra imaginar ela fumando o seu cigarro, quieta, na cadeira de balanco ou sentada nas muretas do patio interno, com seus gatos no colo. Os gatos estam lá ainda hoje. Frida também. Só nao sente quem nao quer.


