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Gal, ousada e estratosférica

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Adorei o show de Gal Costa sexta, 07, no Teatro Riachuelo. Eu não tinha ouvido ainda a maioria das músicas do último álbum dela, “Estratosférica”, no qual se baseou a apresentação. As rádios não tocam mais músicas novas e boas (Leno comenta isso em entrevista à Tribuna no domingo). O que acabou sendo bom pela boa surpresa que tive.

Ousada, a cantora abriu mão de cantar seus maiores sucessos e apostou em novos compositores e em uma banda invocada, formada por quatro integrantes, três bem jovens.

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Companhias que fizeram bem demais à cantora, que se apresenta com um repertório surpreendente aos 72 anos de idade. A pegada roqueira da banda foi o que mais me chamou a atenção.

A plateia, quase toda com idade próxima a da cantora, não entendeu bem o espírito da coisa. Certamente não leu sobre o show e o repertório. Esperava, com certeza, que ela cantasse às músicas que transformaram-na numa das maiores intérpretes do país.

Ficou na vontade. O show foi mesmo voltado para o novo momento que a cantora vive.

As primeiras cinco músicas do show foram do novo álbum. Das antigas, ela cantou “Não identificado”, de Caetano, “Acauã”, de Luiz Gonzaga, “Pérola Negra”, de Luiz Melodia, “Cabelo”, de Arnaldo Antunes e Jorge Ben, “Como dois e dois”, de Roberto, “Os alquimistas estão chegando”, de Jorge Bem, e no bis “Meu nome é Gal”, de Roberto e Erasmo. Ela também cantou uma bem antiga de quando conheceu Caetano, até comentou como foi o seu primeiro encontro com ele, mas eu não conhecia essa composição.

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O desconforto da maioria do público ficou evidente. Prestei bem atenção nisso. A certa altura uma senhora gritou: “Vamos animar” (sic). Como assim? O show estava super animado – rs. Outra pediu “Chuva de Prata”. Uma pena, não perceberam que a proposta musical era outra bem diferente.

Depois da apresentação fiquei pensando. Acho que a cantora demorou a inovar-se musicalmente, isso acostumou mal e não renovou seu público. Não se trata de uma questão de idade. Caetano e Elza, por exemplo, levam aos seus shows um público mais heterogêneo. Mas Gal mudou. E isso é muito bom.

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Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. Anchieta Rolim
    Anchieta Rolim 10 abril, 2017 at 11:22

    ”Das antigas, ela cantou “Não identificado”, de Caetano, “Acauã”, de Luiz Gonzaga, “Pérola Negra”, de Luiz Melodia, “Cabelo”, de Arnaldo Antunes e Jorge Ben, “Como dois e dois”, de Roberto, “Os alquimistas estão chegando”, de Jorge Bem, e no bis “Meu nome é Gal”, de Roberto e Erasmo”. Para os que gostam apenas das antigas, ainda acharam pouco essas dai? É cada vez mais difícil agradar… É isso aí, chega de ser repetitivo, tem é que inovar mesmo.

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