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Glomus em Natal: alegria na íris

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Neste mês de janeiro, Natal recebeu um evento até então inédito no Brasil e na América do Sul: o encontro da Global Music Network (Glomus). A Glomus é uma rede originada em academias superiores de música de países nórdicos e realiza, periodicamente, um grande evento de congregação de várias nacionalidades e etnias em torno de um cenário musical que coloca no centro das atenções as atividades de cantores, músicos e dançarinos (vinte e nove nacionalidades dos quatro continentes, com vinte e quatro escolas de música presentes em Natal): estudantes e professores, amadores e profissionais do mundo e da linguagem maravilhosa da música.

O evento foi todo gratuito para o público assistente. E tivemos a oportunidade única da apreciação e do contato próximo com culturas muito diversas, obras musicais e coreografias raríssimas por estas terras, além do elevado quilate estético demonstrado. Os estudantes daqui e de outros lugares se integraram em aulas, oficinas, jam sessions e concertos, fomentando o aprendizado recíproco e a inserção de público fiel e numeroso em todas as apresentações, fossem no hotel Holiday Inn, na Escola de Música da UFRN, no Solar Bela Vista, no Parque da Cidade, na Pinacoteca, no Parque das Dunas, no Centro Administrativo, ou em qualquer lugar onde os entusiasmados músicos estivessem presentes com os seus instrumentos (muitas vezes inusitados e desconhecidos por aqui).

Tentei acompanhar a integralidade da vasta programação, o que constatei ser impossível, frente a tantas atividades da Glomus que se desenrolavam em terras natalenses, nesses dias em que também recebíamos, entristecidos e horrorizados, informações acerca de grave rebelião no presídio de Alcaçuz, com repercussão em Natal, o que terminou gerando um noticiário nacional e até internacional totalmente desfavorável ao nosso Estado. Que triste contradição com a alegria da Glomus!

Em oposição, felizmente, àquelas imagens e notícias terríveis que acompanhávamos em rádio, televisão e mídia impressa, além dos inevitáveis posts e comentários da internet, a música restou vitoriosa. Pelo que sei, nenhum dos itens da programação deixou de se realizar em face das dificuldades decorrentes da rebelião mencionada. O medo não impediu que as pessoas desejosas de momentos vibrantes e mágicos saíssem de suas casas em busca dos pequenos sonhos gerados naqueles dias. E o que se viu foi o intercâmbio altamente produtivo de experiências musicais e culturais, integração de muitos músicos do RN aos músicos do mundo todo, alegria nas pessoas, nos olhares, a íris de todos contaminada pela energia boa gerada na cidade, barrando a tristeza que surgia a cada notícia vinda de Alcaçuz.

Natal tem mesmo muito o que agradecer à UFRN e à coordenação da Glomus 2017, destacadamente ao dinâmico e talentosíssimo professor e músico Fábio Presgrave. A gratidão é por tudo isso que se ouviu e se viu de bonito por estas terras ensolaradas. Os nossos ouvidos receberam o carinho dessa gente maravilhosa (de lá e de cá). Os nossos olhos também. A alegria duradoura na íris se salvou e comprova tudo isso.

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Lívio Oliveira

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