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Henry Koster tem seus passos refeitos em livro que será lançado nessa terça

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Livro de viajante inglês que passou temporada no RN recebe um misto de homenagem e revisitação do pesquisador Flávio Gameleira, e será lançado na Cooperativa Cultural amanhã (5)

 

O livro Travels in Brazil, escrito pelo inglês Henry Koster, um viajante do Brasil do século XIX, traduzido por Câmara Cascudo nos anos 1940, cujo título brasileiro foi “Viagem ao Nordeste do Brasil”, tornou-se há alguns anos objeto de estudo do pesquisador Flávio Hildemberg Gameleira, cirurgião dentista e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/UFRN). O que Koster encontraria no Rio Grande do Norte após 200 anos de sua visita pelo Estado? O livro do pesquisador mostra o que seria. Fruto de anos de leituras, pesquisas e viagens, amanhã (5 de setembro) será lançado no Centro de Convivência do Campus, na Cooperativa Cultural Universitária, a partir das 11h,  o livro “200 Anos de Viagem de Henry Koster pelo RN – Aspectos Ambientais, Históricos e Culturais”, que será vendido ao preço de R$ 40.

A partir de referências familiares, empatia com as questões da região Nordeste e figuras como o “quase” extinto vaqueiro e o pescador, Gameleira ao se deparar com a obra de Koster – em vários exemplares que ele foi garimpando ao longo dos anos em sites de vendas virtuais, sebos e livrarias, foi amadurecendo a ideia de refazer os passos do escritor inglês, enfatizando os lugares por onde passou no Rio Grande do Norte, num projeto aprovado em Edital da UFRN, denominado “K200”: “Uma motivações iniciais do K200 foi visualizar esta questão das semelhanças e diferenças entre o RN do início do século XIX e o RN atual”, diz ele, acrescentando que as características relacionadas à seca, na região central do Estado, pareciam muito semelhantes à descrita há 200 anos.

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O Travels in Brazil, de Koster, chegou aos olhos dos leitores ingleses em 1816, num volume único de 501 páginas. No Brasil, antes do olhar de Cascudo, mereceu a tradução de um amanuense letrado, Antônio C. de A. Pimentel, da versão francesa que existia no acervo do Instituto Arqueológico Pernambucano. A tradução foi publicada na revista do Arquivo, com imprecisões que Cascudo iria corrigir, traduzindo na edição original inglesa”, explica no prefácio, o jornalista Vicente Serejo, um dos entusiastas desse projeto.

Gameleira, na companhia de jovens estudantes, amigos e pós-graduandos, visitou os locais relatados por Henry Koster no seu livro: Cunhaú (em Canguatretama), Nísia Floresta, Natal, Poço Branco, Açu, Mossoró e Tibau. “Cunhaú foi destaque também por ter sido palco de um grande encontro entre Koster e André de Albuquerque Maranhão, líder da Revolução de 1817 no RN. Como os restos mortais deste estão na Matriz de Nossa senhora da apresentação em Natal/RN, também estivemos lá, visto que foi um local também visitado por Koster. Além deste eixo Cunhaú-Natal, posso destacar a impressionante paisagem desértica da Lagoa do Piató (Açu/RN). Em setembro de 2016, a citada lagoa, com 18 quilômetros de extensão, completamente seca. Um cenário realmente desolador.

Livro Flávio Gameleira

Edição

O livro se destaca também pela qualidade gráfica. Característica que vem colocando a editora Caravela Selo Cultural, há oito anos no mercado, como uma referência em edição de livros no Estado. Já são mais de 100 livros editados, dentro os quais 60 foram feitos sem parceria com outras instituições. “Tenho plena certeza que o conteúdo de um livro é o que o valoriza, tanto quanto a sua estrutura editorial e o zelo na feitura. Pela tecnologia disponível na atualidade e pelos talentos humanos espalhados em nossa cidade é plenamente possível construir projetos gráficos de qualidade e que respeitem o autor e o leitor”, diz José Correia Torres Neto, responsável pelo Caravela.

Para ele, com as facilidades digitais e outras plataformas de leitura, o livro impresso tem deixado de ser um mero suporte e passa a ter exigências de objeto de arte, na qual consegue reunir literatura, artes gráficas, um adequado estudo ergonômico, cores e desenhos destinados a enriquecer os conteúdos e proporcionar ao leitor um prazer visual junto ao prazer da leitura.

“Durante esse tempo que me dediquei a edição de livros fui moldando a linha editorial do Selo e se percebe claramente o que consigo atribuir às publicações traços bastante distintos. O livro é um elemento silencioso, quieto e com uma individualidade extrema desde a sua escrita até o momento de desfrute, passando pelo processo editorial, gráfico e de exposição e esse detalhe do silêncio o diferencia de outras representações artísticas como a música, a dança, as artes plásticas etc. Construir um livro requer muita paciência do autor e do editor e não se dá de maneira industrial, mecanizada, insipida. É necessário que o editor se aproprie de alguns conhecimentos que só a produção editorial e a leitura sobre o assunto podem lhe proporcionar”, encerra o orgulhoso editor, por mais um título que estará disponível.

 

 

Lançamento de livro

200 anos de viagem de Henry Koster pelo RN – Flávio Gameleira

Dia: terça, 5 de setembro, às 11h,

Local: Cooperativa Cultural Universitária – Centro de Convivência do Campus da UFRN.

Preço: R$ 40.

 

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Sheyla Azevedo

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