Híbrido de livro e vídeo gera controvérsia

4 de outubro de 2009 às 11:47 - Comentar

MOTOKO RICH
DO “NEW YORK TIMES”

“Por mais de 500 anos, o livro vem sendo uma entidade notavelmente estável: uma sequência coerente de palavras conectadas, impressas em papel e delimitadas por capas.

Mas na era do iPhone, Kindle e YouTube, o conceito de livro está ganhando elasticidade, enquanto as editoras combinam recursos de texto, vídeo e internet em um esforço para manter o interesse dos leitores.

Na quinta-feira, por exemplo, a Simon & Schuster, editora dos livros de Ernest Hemingway e de Stephen King, anunciou quatro lançamentos, produzidos em colaboração com um parceiro multimídia, que ela classifica como “vooks” (ou “vivros”, em português), produtos que combinam vídeos e texto eletrônico e podem ser lidos e vistos on-line ou em um iPhone ou iPod Touch.

No começo de setembro, Anthony Zuiker, criador da série de TV “CSI”, lançou “Level 26: Dark Origins”, um romance publicado em papel, como livro eletrônico e em versão em áudio, no qual os leitores são convidados a se conectar à web a cada cinco capítulos a fim de assistir a vídeos curtos que adensam a trama.

Algumas editoras afirmam que essas formas multimídia híbridas são necessárias para atrair os leitores modernos, que desejam algo diferente. Mas os especialistas em leitura apontam para a possibilidade de que tentar alterar os parâmetros dos livros degrade o ato da leitura.

“Não há dúvida de que essas novas mídias terão resultado excelente no que tange a envolver e a interessar o leitor”, disse Maryanne Wolf, professora de desenvolvimento infantil na Universidade Tufts e autora de um livro sobre a relação entre ciência e leitura. Mas acrescentou: “Será que alguém vai continuar lendo Henry James ou George Eliot? Será que as pessoas terão paciência?”.

A maneira mais evidente pela qual a tecnologia alterou o mundo literário é o livro eletrônico. Ao longo dos últimos 12 meses, aparelhos como o Kindle, da Amazon, e o Reader, da Sony, ganharam popularidade. Mas as edições digitais que eles exibem são em geral fiéis à ideia tradicional de um livro, e usam palavras e ocasionais imagens ou fotos.

Os novos híbridos acrescentam muitos outros recursos. Em um dos “vooks” da Simon & Schuster, cujo tema é a dieta e o exercício físico, os leitores podem clicar em vídeos que demonstram como executar os exercícios.
Em “Embassy”, um romance curto de suspense de Richard Doetsch, a trama de sequestro é revelada por um vídeo que simula um telejornal e mostra que a vítima é a filha do prefeito; o vídeo substituiu parte do texto original de Doetsch.

“Todo mundo está tentando refletir sobre como os livros e a informação serão combinados no século 21″, disse Judit Curr, diretora editorial da Atria Books, a divisão da Simon & Schuster que está lançando as versões eletrônicas em parceria com a Vook, uma companhia multimídia. “Não podemos mais ser lineares com o texto”, ela acrescentou.

Em alguns casos, tecnologias de rede social permitem conversações entre leitores, e isso influencia a maneira pela qual os livros são escritos.
Embora as editoras devam continuar publicando livros criados por escritores que trabalham sozinhos, Susan Katz, editora responsável pela divisão infantil da HarperCollins, prevê que “haverá uma espécie popular de literatura na qual o autor será visto como líder de um grande grupo e selecionará” entre as sugestões oferecidas pelos leitores.

Jude Devereaux, autora de livros românticos que já escreveu 36 romances convencionais, disse que adorou sua experiência com “Promises”, um “vook” exclusivo que se passa em uma fazenda da Carolina do Sul no século 19 e integra vídeos e trechos de diálogo em áudio para criar uma atmosfera. Devereaux diz que gostaria de ver versões novas de livros amplificadas pelo uso de música ou até mesmo de perfumes. “Gostaria de poder usar todos os sentidos”, ela afirma.

Alguns escritores desdenham da ideia de combinar as duas mídias. “Como romancista, jamais, em hipótese alguma”, permitiria que vídeos substituam a prosa, disse Walter Mosley, autor de “Devil in a Blue Dress” e outros romances. “A leitura permite que nossa capacidade cognitiva cresça”, diz Mosley. “E nossa capacidade cognitiva na verdade começa a andar para trás quando assistimos televisão ou ficamos o tempo todo no computador.”

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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    • Daniel Menezes: O direito autoral é a apropriação individual de conhecimento coletivo. Tipo assim, a sociedade trabalha para promover a cultura objetiva e depois, alguém, por um impulso social, produz algo. Afinal, uma sociedade sempre gera as questões que pode responder, já dizia o barbudo. Este "inventor" (expressão burguesa) não produz a "novidade" sozinho e nunca partindo do zero. Depois de feito, diz que aquilo é dele. Só muito aparato estatal para empurrar isso pela goela. - Pirataria
    • Ednar Andrade: Boa noite, Marcos, amigo, querido. Também acho maravilhoso reencontrá-lo. Já sentia a tua falta aqui neste espaço. Saudades. Eu sou, tu és, Rio corrente. Não demores. Beijos, querido. - Fio de luz
    • Regiane de Paiva: Não sei dizer o quanto este texto me emocionou. Aqui sinto a literatura e a vida. Cada metáfora ou descrição de um recorte da memória provoca uma sensação de nostalgia e de melancolia. Llosa afirma que nada ensina melhor que a literatura a ver a riqueza do patrimônio humano e a valorizá-la como uma manifestação da sua múltipla criatividade. Desta forma, entendo que este texto é literatura pura! Literariedade, primor e encanto! Beijos in..... marido! - Da solidão
    • Regiane de Paiva: O título é a extensão do texto. A fala pueril dentro de um contexto como a política remeteu a uma bela reflexão. À medida que eu ia lendo o texto, ouvia uma voz de menino atrás dos meus olhos, parece que o menino conversa fitando o leitor... Texto maravilhoso! - Política de menino
    • Jarbas Martins: UM HAI-CAI PARA FERNANDO MONTEIRO A noite, com gesto brusco,/ roubou um naco da tarde/ e se esgueira pelo subúrbio. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Fernando Monteiro, sim. E o pouco que li de António Lobo Antunes. - As asas da noite que surgem (1)
    • Jarbas Martins: Juan Ramón Jiménez, sim. E a boa tradução de Antonio Cícero. - Juan Ramón Jiménez: "Soledad" / "Solidão"
    • Marcos Silva: Não assisti à montagem de Roda Viva, eu morava em Natal na época. Li o texto, vi fotografias, ouvi depoimentos (inclusive de Anna Maria Martinez Correa, historiadora e irmã de José Celso, que acompanhou os debates sobre a agressão aos atores da peça). A peça foi recuperada na auto-vitimização de Marília Pera como justificativa para seu apoio à candidatura de Fernando Collor... Na época da encenação, atribuía-se a agressividade da peça ao diretor José Celso. Chico Buarque, com muita dignidade, declarou que o texto era integralmente dele. É difícil dizer para um autor o que ele deve ou não autorizar fazer em relação a sua obra. Roda viva existe como memória. Talvez seja legal pensar, hoje, numa peça sobre Roda viva (que tal uma peça sobre a invasão do teatro pelos terroristas de direita, que contavam com apoio de estado?). En passant, discordo de Alonso sobre a peça criticar APENAS a Jovem Guarda. É claro que ela aborda toda a indústria cultural, que lançou inclusive... Chico Buarque de Hollanda! Nesse sentido, é preciso explorar em profundidade as ligações entre a peça e canções posteriores, como "Agora falando sério" e "Essa moça tá diferente". - Zé Celso questiona decisão de Chico de vetar encenação de 'Roda Viva'
    • carlos de souza: devia liberar a biografia, que não tem uma sequer revelação que já não tenha em sua discografia e reportagens jornalísticas. punir um escritor sério por pura babaquice diminui sua aura de "rei", isso sim. - Roberto Carlos autoriza relançamento de seu disco "proibido"