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Impressões do debate

Da minha parte há pouco a acrescentar sobre o debate cultural de ontem depois do detalhado artigo do jornalista Sérgio Vilar. Não tenho condições de fazer um texto sequer próximo do dele porque, como mediador, fiquei concentrado – e tenso – nas regras do debate. Em alguns momentos que tentava prestar mais atenção nas intervenções dos dois candidatos me confundia em passar a palavra para os comentários e réplicas. Ainda bem que isso não causou maiores transtornos. Parece que consegui me safar do imprensado em que me meti.

Para ser o primeiro, organizado na marra por um grupo de jovens sem experiência nesse tipo de evento, foi além das minhas expectativas. A Casa da Ribeira lotou. Acredito que tenha sido um dos debates, organizado para um segmento específico, que deu mais gente na atual campanha. Os assessores dos dois candidatos, que participaram de todos, podem confirmar – ou não – isso. E o que vale não é tanto a quantidade, mas a representatividade. E ali estavam importantes produtores culturais, artistas, jornalistas e formadores de opinião.

Acho que se inaugurou um precedente histórico com esse debate. Daqui a alguns anos isso ficará mais claro. O formato não foi o ideal, o que foi reconhecido depois pelos próprios organizadores. Mas esse detalhe e outros devem ser debitados na conta do pioneirismo do evento, que não contou com profissionais em sua organização. Os próximos, não tenho dúvidas, serão aprimorados. Não vamos ser tão exigentes assim com esse primeiro – o pedido se dirige aos críticos bem intencionados e não aos espíritos de porco de plantão – já estão destilando o fel nos coments.

Após as eleições o debate estará, na íntegra, no Youtube, o que facilitará – e muito – o acompanhamento das promessas feitas pelos dois candidatos. Lamentável foi a ausência do candidato governista Iberê Ferreira, que não conseguiu um espaço em sua agenda para participar. Apesar do convite ter sido feito com bastante antecedência.

Duas propostas interessantes saíram do debate. A criação da Secretaria Estadual de Cultura, defendida por Carlos Eduardo. O repasse de 1% do ICMS para o setor, defendido por Rosalba Ciarline. Iguais nisso e no restante também, inclusive no desconhecimento da existência da revista Preá. Acho que isso dá uma boa medida da cultura dos dois candidatos. Porque uma coisa é divulgar um bonito programa feito por assessores e outra bem diferente é conhecer um pouco mais sobre determinado segmento.

E cultura, sejamos realistas, nunca foi o forte dos políticos em geral. Quaisquer outros que estivessem ali teriam um desempenho de igual pra pior.

E não devemos esquecer que currículo acadêmico, intelectualidade e vontade política são coisas diferentes. Podemos ter no poder um intelectual que faz menos pela educação e cultura do que uma pessoa que tenha apenas a educação básica.

Sobre quem ganhou o debate, que é o que vocês querem mesmo saber, vai a minha opinião: empate. Vitória mesmo foi do setor cultural, que conseguiu a proeza de reunir os dois candidatos, que bem ou mal, responderam aos questionamentos levantados.

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Tácito Costa

Comentários

2 comments

  1. Nabuco Pessoa 9 setembro, 2010 at 19:10

    Carlos Eduardo desconhecer a Preá é inconcebível, visto que ele lançou uma revista cultural durante a gestão dele e certamente assesssores mostraram algum número a ele.

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