Crônicas e Artigos

In Extremis

extremia

Naquela noite despediu-se de si, do próprio corpo. Olhou para
a mão branca que agora lhe parecia tão distante, e sentiu que a parceria chegara ao fim.
Estava degradado. Não mais existiriam um para o outro amanhecido o dia, depois de quase sessenta anos.
O caminho terminava ali.

Era homem de pouca crença e temor. Quando a dor lhe dominou o peito como um punhal
que fosse tudo rasgar, sem aliviar um instante, e crescendo, e sempre mais, não quis acreditar que seu caminho findava, e, com um travo de decepção pensou: mas logo hoje que tenho tanto a fazer amanhã e estou tão contente…

Que cosa mala! Constatou que de charme e de solene a hora tão falada, essa merda, não tinha nada.
É uma porta que bate, uma coisa, muitas vezes sem nenhum ruído quase.

Share:

Comentários

Leave a reply