Jarbas reúne seus inéditos e dispersos

2 de fevereiro de 2010 às 16:32 - Comentar
Por Nelson Patriota

Atendendo a sugestão do livreiro Abimael Silva, o poeta Jarbas Martins está reunindo seus dispersos em livros, jornais, revistas e gavetas, com isso, dando forma a um novo livro, que terá o sugestivo nome de “re-Visões e outros poemas contra-acabados” (qualquer eco ao seu livro Contracanto não é mera coincidência, mas a construção “contra-acabados” ele tributa ao poeta Augusto de Campos). A ideia de Jarbas é que ainda este ano seu novo livro de poemas seja lançado, certamente num grande evento literário, à altura das expectativas que cercam de idiossincrasias a figura do poeta.

De fato, Jarbas Martins costumava jactava-se, até poucos anos atrás, de ser autor de um único livro de versos, Contracanto, lançado em 1996 pela Editora da UFRN, e que, certamente, está esgotado. Seus namoros com a poesia, porém, já haviam rendido, dois anos antes de Contracanto, um curioso e singular livreto intitulado 14 versus 14 – itinerário do soneto norte-rio-grandense – seleção e crítica. Essa obra, aliás, constitui outro projeto literário em que Jarbas vem trabalhando com vistas a uma segunda edição. A seleção de poemas não sofrerá alterações, mas o curto ensaio que enfeixou a primeira edição será substituído por uma longa reflexão crítica em torno da história do soneto enquanto estilo poético, mas sem perder de vistas as características que ele assume quando transplantado para a seara das nossas letras.

14 versus 14, que é também uma “viagem em busca da aura perdida do soneto”, conforme a definição do seu autor, seria seguida de Contracanto e, em 2008, de Antielegia para Emmanuel Bezerra. Assim, a veleidade que Jarbas alimentou de ser o poeta de um único livro está se desfazendo, graças às injunções da própria poesia.

Essa mudança deve ser vista como uma consequência natural de sua história como poeta vivendo em um contexto muito específico, do qual ele faz absoluta questão de não desenraizar-se e para o qual vem dando uma contribuição das mais singulares e significativas.

É suficiente que se atente para o escopo de abrangência da sua poesia, em inquieta expansão, para aí se perceber o quanto ela exibe de colorido, de variegado, de pensado e de experimentado. Desde Contracanto, formas clássicas, como o soneto, convivem, em Jarbas, com experiências induzidas pela eclosão do concretismo e do pós-concretismo, especialmente sob a forma do poema processo, “pecado” em que também incorreram conterrâneos seus, como Dailor Varela, Moacy Cirne, Bosco Lopes, Anchieta Fernandes e Nei Leandro de Castro.

Nel mezzo del cammin, a arte tradutória, exemplarmente defendida pelo poeta Luís Carlos Guimarães entre nós, sobretudo depois da publicação do seu 113 traições bem-intencionadas, sugeriu a Jarbas experiências nessa senda. Daí, vieram as traduções de Henri Michaux, de Jorge Luis Borges, de César Vallejo, entre outros, que ele publicou em algumas edições do jornal cultural O Galo, na Revista do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte e também na Antologia poética de tradutores norte-rio-grandenses, que organizamos para a Editora da UFRN, em 2008. Sub-repticiamente, houve também o reencontro com o soneto, gênero que, hoje, parece merecer uma especial atenção de Jarbas, pelas possibilidades que lhe vem oferecendo em termos de expressão poética.

O acervo de traduções, de sonetos e de outras formas poéticas que Jarbas Martins vem produzindo nestes últimos anos justifica plenamente o projeto editorial de Abmael Silva para um novo livro do autor de Contracanto.

A propósito dessa obra, já não seria tempo de dar-lhe uma segunda edição, haja vista que se encontra fora de catálogo há mais de duas décadas? Não pensamos, evidentemente, numa mera reposição de um título esgotado, mas numa reedição comportando um novo projeto gráfico e uma exposição introdutória assinada pelo próprio poeta, além, evidentemente, de uma seleção da fortuna crítica escrita à sua margem nesse entretempo. Mais do que servir à memória literária potiguar, uma obra com tais características faria justiça ao papel que Contracanto merece ocupar nas nossas letras.

Comentários fechados.

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POESIA

    No bar
    08-02-2012 às 22:17 - 7 Comentários
    Por Jairo Lima

    Chegaste a mim não como lume
    Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
    E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
    E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa

    Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas

    E eu te vi.
    Te vi como se vê mares e dunas
    Como coisas que são sem oráculos nem seitas
    Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
    Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
    E parecia que contigo aquela noite estava feita

    Te vi coxas, riso, ombros e mãos
    Perdidos entre afago e maldição

    Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
    Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce

    Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
    Se colam, se penetram, se invadem;
    Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
    Destruindo colheitas

    Aquela noite só prometia suores
    Conquistados a cada beijo
    Os latifúndios do desejo
    Eram cada vez maiores

    (———–)

    Vim de longe
    Em hora incerta
    Vim de lunas
    Vim de céus perfurados de estrelas
    Vim de amores submersos em dores e desfeitas
    Para que celebrasses a consagração bizarra
    Que faz a carne virar pão
    O sangue virar vinho
    E a cama virar mesa
    Onde a fome dispõe as suas facas
    Para cortar as carnes e sugar a seiva

    (—————–)

    ******

    Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
    1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
    Não sei
    2. E porque voltou a envia-los agora.
    Sei lá.

    COMENTÁRIOS

    • Fernando: Nossa, nunca li um artigo tão fraco como esse, nunca vi tantas falácias coligidas em um artigo de um abortista (não nos parece um jornalista, já que demonstra nada ter lido efetivamente sobre o aborto). Vejamo-las: 1) Aborto não é questão de controle populacional: mentira. Basta ver a origem da defesa do aborto nos EUA e basta ver quem financia o aborto ainda hoje. Para quem nada sabe do assunto, estudar a história das fundações Rockefeller, MacArthur e Ford pode ajudar. 2) Aborto é "direito reprodutivo". Direito??? Que absurdo! Além do absurdo, o termo maldosamente forjado para induzir a erro é incoerente: como pode um "direito reprodutivo" tirar uma vida? Ah, tem dúvida se é vida humana? Por favor, dá uma olhadinha aqui: abort67.com.uk 3) Ó loucura... "atendimento de qualidade" e "sem preconceito" do Estado para ajudar uma mulher a matar o próprio filho. Quanto amor, quanta bondade! Quer saber? Chega de ironia, falemos a verdade: que nojo, quanta hipocrisia! Por que não propor educação sexual para valorização da mulher, do corpo, do próprio sexo, ao invés de louvar o sexo irresponsável que gera vida e que deve terminar em assassinato "de qualidade" e "sem preconceito"? Repito, gritando: QUANTA HIPOCRISIA, QUANTA HIPOCRISIA ASSASSINA MENTIROSA travestida de luz. Típico de quem quer fazer o mal. 4) Ah, o velho conceito da luta de classes para transformar o assassinato de bebês em "questão de saúde pública": mulher rica aborta com segurança, mulher pobre aborta e morre. MENTIRA HORROROSA!! Uma simples consulta ao SUS desmistifica essa mentira. O aborto como causa de morte de mulheres está LONGE, MUITO LOOOOOOOOOOONGE de ser questão de saúde pública. Mas é claro que este abortista (jornalista? Não... já não resta dúvida) está mal informado, lendo pesquisas financiadas pelas ONGs abortistas que sabidamente MENTEM para jornalistas divulgando números falsos que eles irresponsavelmente repassam para pressionar a opinião pública. Deem uma olhadinha aqui (é só uma das evidências...): http://boletimfedf.blogspot.com/2011/03/os-controversos-numeros-do-aborto-e.html 5) Como é fácil ter opinião diferente sobre o feto quando você não foi abortado, né japonesinho? Que lindo que soa aos ouvidos menos instruídos "direito sobre o próprio corpo". Que sorte a sua que sua mamãe (e seu papai, coitado! Não o reduza a nada! Ele também quis que você viesse ao mundo... Como você pode tirar dele o direito de amar você?) - que sorte que ela não pensou como você!! Afinal, seu corpinho não era nada, não é? Era uma unha encravada da mamãe, não é? Se você tem dúvida sobre "que corpo" é mutilado, se o da mamãe ou o do bebê, recomendo novamente este videozinho instrutivo: abort67.com.uk 6) Ave, e o que dizer da tese - histérica - de que "religiosos estão se intrometendo na questão!!! O Estado é laico!!" Será que não existe um ateuzinho que não concorde com a matança de bebês? Acho que existem sim. Muitos. Mas é mais fácil ser ignorante (ou maldoso) e criar uma guerra religiosa. Abjeta, como aliás têm sido todos os supostos "argumentos" até aqui para defender a matança de bebês gerados irresponsavelmente. 7) E o autor - que por sinal demonstra ter um elevadíssimo autoconceito, um amor-próprio no mínimo... doentio, para usar um eufemismo - ainda tem o fingimento de se apresentar aos leitores como alguém que está preocupado com a dignidade alheia, quando se acha no direito de decidir quais dos mais novos membros da espécie humana devem ou não viver. Como é triste a cegueira humana! É surpreendente até que ponto alguém ensimesmado consegue perder a noção da realidade! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: É, Alex de Souza... "seus corpos" - abort67.com.uk - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • chico m guedes: coisas de Jairo eu sempre me pego lendo em voz alta; é quase táctil (quase?) - No bar
    • Daniel Menezes: Ótima reflexão. - Yoani Sánchez, a direita e a esquerda
    • Jairo Lima: Brigado, Nina, sou leitor atento e empolgado de tua poesia. - No bar
    • Anchieta Rolim: Marcos Silva, caso tenha interesse dê uma olhada nesse blog: araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com Um abraço! - Ai Hay Hai
    • Marcos Silva: Aprendi a sentir Anne como mais que irmã, pedaço de mim, essas coisas que uns e outros consideram sentimentais mas são apenas sentimentos que nos diferenciam dos computadores. Grande beijo. - Ai Hay Hai
    • Anchieta Rolim: Gostei muito da matéria. E pra quem interessar, segue o blog do meu amigo João Carlos Wisnesky que foi um dos guerrilheiros do Araguaia e que ainda continua sua luta para esclarecer esse fato histórico. araguaiahistoriaemovimento.blogspot.com - À sombra da ditadura
    • Nina Rizzi: Gosto muito. E o meu gostar tem a pretensão dos desejos mais pungentes. Um beijo :) - No bar
    • Anne Guimarães: Marcos meu menino... Na vida só a alegria embeleza a alma. Beijocas por estes versos! :) - Ai Hay Hai