Johann e Maria (Parte II)

30 de julho de 2010 às 22:18 - Comentar
Por Ednar Andrade

mulher sonhando

Maria, de uma beleza silvestre; sua presença, naquele lugar simples, era como parte da paisagem. Vivia em sintonia com a natureza. Suas manhãs eram sempre feitas de longas caminhadas pelo campo, parecia conversar com os pássaros. Entendia aquela sinfonia matinal como ninguém. Às vezes falava só em suas caminhadas, como que falasse ao vento. Poemas ternos, cheios de amor. Carregava no coração um apego sem par ao contexto natural daquele lugar. Às vezes nas noites de luar, ficava a mirar, na sua varanda, o céu de prata, como que para fazer-lhe sonhar com um amor que já previa, mesmo sem saber como seria Johann, pois em seu sonhar, ela ouvia a sua voz como se um pássaro fosse.

Um amor que surgiu do encanto, como sendo o seu abstrato namorado. Maria, que não o conhecia, apenas gostava de ouvir falar o seu nome: Johann… Daí, então nascera em seu coração, esta utopia que ela alimentava com grande emoção. Neste contexto de paixão platônica vivia Maria os seus dias…

Eleonor, sua melhor amiga, sempre fora a grande companheira das tardes frias ou das manhãs de Sol. Por ela é que Maria passou a ouvir histórias sobre Johann.

Johann, por sua vez, estava envolto em suas viagens, que roubavam-lhe todo o tempo. Até que, um dia, amigas que tudo falam, fizeram um acordo, que Maria aceitou sem duvidar da chance que, sem saber, trar-lhe-ia o destino: apresentar-lhe Johann.

Aquela manhã, já citada, em que olhares disseram coisas, nunca por Maria, faladas passava agora a ser a realidade tão esperada. Estavam ali, frente a frente, as palavras não saíam, era diferente de ouvir os pássaros cantarem. Maria falava com o coração, pois a voz, de tanta emoção, fugiu-lhe da garganta. Viveram em poucos instantes, momentos intermináveis. Depois daquele longo passeio matinal, despediram-se, com um simples olhar.

“Porque, por tantas vezes, o que o coração diz o ouvido não escuta”, pois o amor chega assim de forma súbita. Chega, simplesmente, sem avisar. Ele vem, não importa de onde. Chega, e tantas vezes, chega para ficar. Johann despediu-se de Maria num abraço tímido e num beijo tácito. Seguia Johann uma viagem longa sem hora para voltar. Enquanto Maria, nem ela mesma sabia por quanto tempo ficaria sem ver, outra vez, aquele doce olhar.

Já era quase noite; Maria em seu sonhar… Mas agora e ainda, com aquele perfume nas mãos, único fragmento que restou daquele encontro tão fugaz… E tão sonhado, carregava consigo a certeza de que amava aquele estranho. Um amor de tão platônico que parecia um meteoro. Mas que deixara em seu peito aquela sensação de saudade ainda maior; sensação que lhe faria companhia durante muito tempo…

Maria abriu a janela, olhou por entre a folhagem o céu e nomeou uma estrela de Johann, quase pondo na estrela uma digital, para reconhecê-la, em suas noites de saudade, o seu amor distante. Ali ficou por pouco tempo, pois 0 cansaço cobrava-lhe o repouso merecido e adormecia e rezava, para que a noite entrasse pela janela um anjo que lhe trouxesse em sonho, mais uma vez a presença forte daquele abraço. Quem dera, pudesse no seu sonho, beijar com ternura aquele homem. Passaria por entre os cabelos, os dedos com tanta suavidade e pedir-lhe-ia para que sussurrasse com aquela voz que mais parecia um poema. E Maria adormeceu, envolta por aquele enlevo de saudade e amor… E a sensação que o vento lhe causava na face parecia-lhe o toque suave das mãos de Johann…

Até que Maria acorde, vamos sonhar…

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - Comentar
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente
    • José de Paiva: Seja bem vinda Glória Braga Horta ao SP e obrigado por ler o meu texto. Obrigado também pela generosidade dos amigos de sempre. Clarissa Torres, gosto muito das obras de Schiele, elas me inspiram. - Rita louca
    • Marcos Silva: Gosto muito daquela canção de Paulinho da Viola que diz: "Faça como o velho marinheiro que durante o nevoeiro leva o barco devagar". - À sombra da ditadura
    • gustavo de castro: E quem disse que os valores cristãos é que devem predominar? Foi Cristo ou os cristãos? - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Anchieta Rolim: Oreny, bela poesia! - Vento nordeste
    • Anchieta Rolim: Concordo marcos, inclusive quando João Carlos voltou da guerrilha continuou sua luta junto a artistas como Gonzaguinha, Paulinho da Viola e vários outros... Fazia parte do grupo o ex-jogador Afonsinho (aquele que lutou pela lei do passe livre para os jogadores de futebol), e também o cantor e compositor Potiguar Mirabô Dantas. - À sombra da ditadura