Jornalismo contrasta decisão do STF

13 de julho de 2009 às 8:25 - Comentar
Por Nelson Patriota

A decisão do STF no sentido de que a atividade jornalística não requer diploma ainda causa perplexidade, onde quer que dois ou mais jornalistas se encontrem. Nas entrelinhas, soa ainda mais esdrúxula a decisão: seria como afirmar que se trata de uma profissão que não requer qualquer preparação, treinamento ou especialização; um ofício destituído de qualquer especificidade. Portanto, ao alcance de qualquer leigo.

Seria o jornalismo algo comparável à profissão de administrador, que requer mais um senso prático e objetivo da empresa do que aptidões específicas em determinadas áreas-meios ou fins? Seria como o ofício de escritor, para o que bastaria desenvolver uma forma própria de conduzir uma narrativa, desde que detendo conhecimentos básicos da escrita? Seria, ainda, algo assemelhado ao trabalho do revisor de textos, que demanda basicamente um conhecimento geral da língua?

Embora guarde semelhança com as profissões de administrador, escritor, revisor de textos e outras, o trabalho do jornalista tem algumas especificidades que as distinguem e que dificilmente podem ser adquiridas fora de um curso regular universitário. O domínio da técnica redacional das matérias noticiosas é uma delas, incluindo aí a busca da neutralidade como sentido ético do texto, em contraste com o engajamento que todo veículo ético assume quando lida com questões que digam respeito ao interesse coletivo. Um veículo que descuide dessas duas facetas, dificilmente será bem-vindo junto à opinião pública.

Além desses aspectos gerais, o jornalismo assume características plurais dentro de cada veículo, de acordo com cada seção em pauta. Como esperar que um leigo acompanhe simultaneamente a vida cultural e a forma de noticiá-la num veículo, mediante entrevistas, resenhas, reportagens etc., características que marcam o jornalismo cultural, e que variam conforme a natureza de cada veículo?

Não que um leigo não possa assinar uma coluna específica num determinado jornal ou revista. Pelo contrário, a participação de especialistas não-jornalistas na imprensa foi sempre uma colaboração saudável, contribuindo para o pluralismo informativo em bases seguras. Não é essa a questão em pauta, haja vista que nenhum jornalista sensato quis jamais assinar colunas de assuntos técnicos como medicina, psicologia, astrofísica etc. Nem previa tais “reservas” para jornalista a lei revogada pelo STF, ao contrário do que alguns veículos chegaram a noticiar equivocadamente. Não se trata, portanto, de abrir licitações para a entrega de veículos noticiosos a empreendedores leigos, pois estes não se sentiriam à altura de assumir tais riscos.

Mas é inegável que a decisão do STF causou sérios danos ao jornalismo, como o de sugerir que se trata de uma atividade que pode ser exercida por qualquer leigo, o que vale para coisas destituídas de qualquer complexidade. Como se lidar com uma linguagem, uma técnica e um estilo comprometidos com a clareza e a objetividade estivesse ao alcance do homem da rua!

Em decorrência da mesma decisão, muitas vocações jornalísticas poderão ser seriamente prejudicadas, não só porque começarão a questionar o valor do esforço que estarão fazendo para obter um diploma nessa área, mas sobretudo porque o Estado, como mantenedor desses cursos, poderá passar a discriminá-los em favor de cursos outros. No longo prazo, isso significaria o desmonte de uma atividade a qual, graças a seu papel crucial na formação da opinião pública, ficou conhecido como “o quarto poder”.

Inevitavelmente, um sentido retaliatório seria atribuído a medidas de tal natureza. Especialmente pelo efeito devastador de suas consequências, na medida em que a precarização da atividade jornalística teria reflexos negativos no âmbito da sociedade, deixando-a menos informada acerca de questões cruciais e que exigem ampla discussão coletiva.

Independentemente de todo esse imbróglio, bons jornalistas continuarão a ser formados nas boas universidades. E esse é o lugar aonde as empresas jornalísticas irão recrutá-los, a fim de continuar fornecendo informação confiável, inteligível e correta.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”