Jornalismo é uma profissão…

31 de agosto de 2010 às 17:53 - Comentar

Por Alberto Dines
Observatório da Imprensa

Jornalismo é uma profissão; apresentar anúncios, outra

Primazia indiscutível, oportuna, simbólica: a Folha de S.Paulo foi o primeiro jornalão a questionar abertamente a contratação da celebrada atriz/garota-propaganda Marília Gabriela para apresentar o novo formato do programa jornalístico Roda Viva, na TV Cultura. Na nobilíssima Página Dois de segunda-feira (30/8), o colunista Fernando de Barros e Silva condenou a perigosa superposição de telejornalismo com jingles através da contratação de uma apresentadora de anúncios televisivos no comando de um histórico programa de debates e entrevistas.

Convém reparar, porém, que a Folha cometeu o mesmo pecado duas vezes e tem ajudado com o seu indiscutível poder de fogo a apagar os contornos de uma profissão que ela – e suas parceiras na mídia – deveriam ser as primeiras a consagrar e proteger.

A recente reforma gráfica e editorial da Folha foi promovida na TV em comerciais divinamente interpretados pela atriz Fernanda Torres. E, em seguida, a atriz foi contratada para escrever sobre política na Folha. Como atriz e apresentadora de comerciais é perfeita – ostenta no DNA a grandeza de Fernando Torres e a humanidade de Fernanda Montenegro. Como colunista (na Vejinha Rio) foi uma agradabilíssima surpresa.

Se estamos falando de princípios rigorosos, sua contratação como articulista na editoria “Poder” da Folha seguiu um raciocínio dúbio. Tudo bem: é possível admitir que o colaborador de um jornal possa aparecer em mensagens institucionais do veículo onde trabalha. Neste caso, não pode ser remunerado.

Falta cancha

Há alguns anos, quando o jornalista e produtor cultural Nelson Motta, então colunista da mesma Página Dois da Folha, protagonizou uma série de comerciais de TV para uma grande organização bancária, foi explicado que não havia conflito de interesses porque o jornalista não se ocupava de economia e finanças, sempre focado em música popular, sua incontestada especialidade.

Seguindo essa tortuosa argumentação, se Marília Gabriela no Roda Viva abdicar de discutir telefonia, automóveis e softwares (produtos que recentemente vendeu como garota-propaganda), estaria liberada para prosseguir sem qualquer objeção sua carreira de telejornalista.

Nas entrevistas publicadas no domingo (29/8) no Estadão e na Folha, Marília Gabriela tentou enveredar pela mesma linha; faltou-lhe cancha, não é do ramo: deveria ter permanecido de bico calado ou convidado a dupla de colaboradores, os veteranos jornalistas Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, para falar em seu nome.

Crise de indentidade

Com muita propriedade, Fernando de Barros e Silva propôs a discussão de princípios. Princípios jornalísticos, por suposto. Novamente: “Bem-vindo ao Observatório da Imprensa”. E anote: a profissão de jornalista não existe, foi sumariamente extinta, declarada nula pela lamentável ligeireza do sumo-magistrado Gilmar Mendes.

No relatório sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, Gilmar Mendes escreveu que a profissão de jornalista é semelhante à de cozinheiro, e qualquer um pode cozinhar bem.

A Folha, seus parceiros e as corporações de mídia, vibraram com a apocalíptica ignorância em matéria de história do então presidente do Supremo Tribunal Federal.

Se a profissão não existe, para que perder tempo com seus princípios deontológicos e éticos?

Às favas com escrúpulos, viva a confusão entre jornalismo e publicidade!

Viva o jornalismo sem jornalistas – porque é disto que se trata. Esta é a fantasia de uma indústria que já foi instituição e hoje vive profundas crises de identidade toda vez que Steve Jobs inventa novo gadget.

Marília Gabriela veio para ficar – é a musa da miscelânea midiática, mídia medley. Liguem o celular.

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente