Lembrança de Franco Maria Jasiello
10 de julho de 2010 às 20:41 - 4 Comentários
A lembrança que Jarbas Martins acaba de fazer do nome do poeta, ensaísta e professor Franco M. Jasiello é pura justiça – inclusive na condição de “potiguar” (como poucos!) desse romano que amava sua Roma natal tanto quanto a Natal adotada, cidade da escolha franca dele, Jasiello, para viver, amar e morrer.
Quando de uma apuração, aqui no Substantivo, de listas dos “melhores poetas potiguares”, eu fui o único, se não me engano, a mencionar o nome de Franco, enquanto todos os outros “votantes” levaram em conta a pia batismal em solo riograndense como um requisito básico etc.
Seria?…
Mantenho a pergunta. E permaneço com Franco entre os meus eleitos poetas maiores do Estado a que ele entregou o seu destino, generosamente esquecido (quase) da Itália deixada para trás e na qual foi “partigiano” e poeta precoce, mal saído da adolescência. No Brasil (inicialmente em São Paulo e, depois, em Natal) foi poeta a vida toda, pesquisador do folclore, professor de história da arte, tradutor magistral dos líricos gregos e romanos etc etc. É impossível resumir tudo que foi Franco Maria Jasiello, sem encher laudas e mais laudas, ou telas e mais telas deste “SP” no qual ele teria sido, certamente, o mais culto e arguto de nós todos.
Ou seja; nada a ver – nunca – com Crispinianos, Rodrigues e outras “aparições” do crepúsculo cultural que desceu sobre a Fundação José Augusto e a Capitania das Artes, muito recentemente.
EM TEMPO: Franco foi um excelente presidente da FJA, conforme bem lembrou o poeta Jarbas Martins.


4 Comentários
Oportuna lembrança Fernando. Conheci Franco, mas não privei da sua amizade. Elegante, educado, atencioso, cumprimentava-o e às vezes trocava algumas palavras com ele quando ia buscar Baía, sua esposa, na FJA, onde cheguei p/ trabalhar bem depois dele ter sido presidente. Faz falta na cena cultural de Natal.
Fernando:
Vc tem toda razão, Franco era (e continua a ser, através de escritos e da memória que nos legou) uma grande figura humana e um intelectual de alto nível.
Quanto à pia batismal dos poetas potiguares, lembro que Zila Mamede – uma das mais representativas poetisas e prosadoras do RN – nasceu em Nova Palmeira, PB; Dailor Varela nasceu em Anápolis, GO. Entendo que quem vive num lugar vira do lugar, casos de Franco, Dailor e Zila.
Abraços:
O debate na minha opinião é equivocado, pois não é a poesia de Crispiniano que está em jogo, e mesmo que ela não tenha o quilate da de Lula Guimarães, não é isso que está em discussão. Antes dele lá na Fundação, estava um escritor brilhante, que pessoalmente admiro, e houve o folia duto, não o culpo por isso, pois creio na sua lisura, cosida que é com linha de agave. Pensemos agora todos nós, quem foram as pessoas que estiveram a frente da fundação José Augusto e dos orgãos culturais do RN nas últimas décadas ?, nomes, e mais nomes nos vem a memória, mas nomes não importam, o que importa ? o que a grande maioria representa. Enquanto no Brasil orgão de fomento da cultura p.ex, e tribunais de contas servirem de cabide de empregos para apadrinhados políticos, não seremos aínda uma nação.
Dois nomes tiveram influência na minha formação como poeta: Luís Carlos Guimarães e Franco Jasiello. Conheci-os de perto, tendo trabalhado com o primeiro quando exercíamos cargos na área jurídica do Estado. Além do enriquecimento do meu repertório poético-literário. constatei a força do caráter e a independência de ambos, diante das injustiças perpretadas pelo governo militar, através da famigerada Censura. No período breve que trabalhei com Franco, na Fundação José Augusto, fui testemunha de atos seus, no sentido de livrar funcionários e artistas
das garras da polícia.Entre os funcionários havia alguns, suspeitos de colaborar com a censura, o que tornava aquilo uma situação muito difícil para a sua admnistração. Esta história ainda pretendo contar.