Ler…
27 de outubro de 2009 às 19:26 - ComentarTácito,
Após intensa ausência, volto à tona para defender Daniel Pennac. Li Como um romance para minha dissertação de mestrado. E acho que há uma incompreensão de sua parte ao criticá-lo como sendo argumento pífio sem ler o texto de Pennac.
Não cabe aqui o detalhe, mas recomendo a todos a leitura de Pennac. Resumidamente, Pennac fala do leitor maduro como um leitor que lê por prazer. Por isso, ele tem o direito de não ler. Ele dá vários exemplos e um do contraponto, que é a relação entre ele, seu filho e a leitura. Quando criança, o menino era um leitor voraz. Quando se torna adolescente, revolta-se contra a leitura – porque era obrigado a ler para fazer trabalhos, resenhas, resumos… páginas e páginas de leitura com finalidade. Para Pennac, e nisso assino embaixo, o fundamento principal da leitura não é qualquer finalidade, mas o prazer.
Na minha dissertação trabalhei essas ideias de leitura conjugadas com outras teorias de leitura e com as noções de estética da recepção e da teoria do efeito estético (Jauss e Iser, principalmente).
Pennac, a meu ver, concorda com você: leitura é fundamental. Mas ele mostra como é o processo de se tornar um leitor maduro – num caminho de ler de tudo (maus e bons textos) até aprender a apreciar os bons textos.
Depois mando uns artigos sobre o assunto para o site. Aliás, falarei sobre estética da recepção sexta-feira para um grupo de professores num projeto do Pro-ler do governo do estado.


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