Livro relata traição e morte de militante paraguaia
23 de julho de 2010 às 18:28 - ComentarTestemunha ativa do período de sombra que cobriu o país, durante o ciclo autoritário, o escritor pernambucano Urariano Mota lança dia 28 próximo, no Centro de Convivência da UFRN, às 10h30, dentro da programação da 62ª reunião anual da SBPC, o romance Soledad no Recife (Editora Boitempo), lançado em 2009.
O livro revive a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife em 1973 e a traição que culminou em sua tortura e assassinato pela ditadura militar, após ter sido delatada pelo companheiro Daniel, conhecido, depois, como Cabo Anselmo, e que se passava como seu namorado. A morte da militante ocorreu juntamente com outros candidatos a guerrilheiros, pelas mãos da equipe do famigerado delegado Sérgio Fleury. O episódio ficou conhecido como “O massacre da chácara São Bento” e revelou-se mais um extermínio do que um confronto armado.
A trama romanesca do livro de Urariano Mota se nutre da história do próprio autor, que viveu e sobreviveu aos anos pós-64, e resgata os vestígios da traição arquitetada contra Soledad e contra o país naquele período, servindo de contraponto à história oficial propagada pela mídia, à época, sob censura. Vale também como uma homenagem à bravura e idealismo da militante paraguaia, reavivando sua história com as cores da ficção mescladas à história.
Uraniano Mota, 59, é jornalista de formação. É colaborador do Observatório da Imprensa – www.diretodaredacao.com – e possui textos publicados nos sites CounterPunch e Portugal em Linha. Na época da ditadura militar, publicou contos e artigos nos periódicos Movimento, Escrita, Ficção, entre outros. Escreve para várias publicações nacionais, como Carta Capital, Fórum e Continente. É ainda autor do livro Os corações futuristas, lançado em 2007. Trata-se de um romance de formação ambientado também no Recife, na época do governo Garrastazu Médici.
Para o escritor Flávio Aguiar, que assina a apresentação de Soledad no Recife, o livro é a recuperação de uma história “como preito àquelas vidas que se doaram e foram ceifadas pela traição inesgotável que foram o golpe e a ditadura de 1964 ao seu próprio país – traição espelhada na de Anselmo ao amor que, sabe-se lá por que, despertou em Soledad”.
O escritor ministrará ainda palestra para professores e alunos de pós-graduação de Letras no dia 28, às 15h, nas dependências do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes. A palestra será aberta ao público.

