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A Louca da Casa

Rosa Montero me apresentou a
Essa mulher estabanada.
Notei imediatamente que
A conhecia desde sempre,
Embora com outro nome.

A que fica pelos cantos, muda
Ou que de repente lampeja.
Dizem ser ciclotímica, bipolar
Sei não, a conhecia por cintilar

Desaparece por longo tempo
– cai em perdidos e achados –
E, menos se espera, volta
Pra instalar desassossego
Tacar fogo em verso morno

Brinca com meu sono.
Na hora mais imprópria
Me dita o poema inteiro.
Noutras, tem pena de mim:
Ao me ver quebrando pedra,
Pedras de não ter fim,
Achega-se e planta,
No meio do cascalho
Sua rosa carmim

Depois some de novo
Como a brisa
Volta, voltará, quem há de?
Alguns zombam de seu existir
Outros lastimam seu abandono

Errante, improvável, eterlírica
Regressa negra como uma viúva andaluz
Ou provocante como short de lycra pink
E não fala, apenas sussurra ao meu ouvido
Algo tão triste ou hilário
Que corro a tomar nota
No caderninho
Suas juras, verdades e mentiras
(Muitas!)

Até quando a louca virá me visitar?

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Comentários

1 comment

  1. Marcos Sá de Paula 18 agosto, 2017 at 14:25

    Coincidência!!! Essa semana estava querendo me lembrar do título desse livro da Rosa.
    Taí um que eu quero reler…
    Valeu a lembrança.

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