Mandinga Audiovisual (RN) e o documentário Caboco

AudiovisualDestaque

Primeiro documentário do coletivo Mandinga Audiovisual, Caboco traz história de Aurélio Dantas, permacultor em Poço Branco (RN), e uma imersão na prática da sabedoria ancestral utilizada para promover a integração harmônica entre humanos e meio ambiente.

 Fotografias: acervo do coletivo Mandinga Audiovisual

Como um instante decisivo cartierbressoniano, Stephanie Bittencourt registrou aquele encontro na ambiência mágica da Casa Aho, na Vila de Ponta Negra. Ela participava de uma cerimônia xamânica e um dos presentes chamou sua atenção. Era Aurélio Dantas, frequentador querido no espaço de terapias naturais.

Caboco-Mandinga Audiovisual

Após a primeira sessão em Poço Branco (RN), Stephanie Bittencourt, Jaya Lupe e Rodri Nazca lançam o curta documentário etnográfico no próximo domingo (19), na Cidade da Criança, em Natal.

“Eu e Jaya conhecemos o Caboco em um contexto bem especial, ainda no início de 2013. Era noite de cerimônia na Casa Aho, no coração da Vila de Ponta Negra. Sentados ao redor da fogueira, ouvimos o Aurélio contar do trabalho que vinha fazendo em Poço Branco, toda a história até o reflorestamento, e ‘Poxa, se um dia eu vier a me envolver com produção audiovisual, eu quero é fazer um filme com este senhor aí’, pensamos juntas, numa época em que nós duas ainda não nos conhecíamos”.

Pois o dia chegou. No próximo domingo (19), às 16h, na Cidade da Criança, com os parceiros do Mandinga Audiovisual, Jaya Lupe e Rodri Nazca, a diretora e fotógrafa colaboradora deste Substantivo Plural apresentará o curta documentário etnográfico Caboco.

Veja um registro fotográfico de Stephanie no Dia Internacional da Mulher.

É um mergulho no universo da permacultura do agricultor e artesão Aurélio Dantas, guardião do Sítio Alice, na cidade cerca de 60 km de Natal. Uma prática em que consumismo e individualismo são amortecidos pela sabedoria ancestral, com novas ideias de cooperativismo e a busca pela reintegração humano-natureza.

O cotidiano do alquimista

O curta ficou pronto na primeira semana de dezembro de 2016, poucos dias antes de Stephanie apresenta-lo como trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social na UFRN.

Caboco_fogueira

Coletivo conheceu artesão e agricultor em um espaço terapêutico na Vila de Ponta Negra, durante uma cerimônia xamâmica, e manteve o contato através de encontros da Rede Potiguar de Permacultura.

“A força que detém a figura do agricultor familiar em si, a criatividade do artesão ou a beleza em torno do alquimista que entende as plantas e sabe aproveitar suas propriedades já proveriam inspiração e motivo suficiente para um filme”.

Stephanie, Jaya e Rodri foram várias vezes até Poço Branco para participar do cotidiano de Caboco.

“O Aurélio Dantas, ou Caboco, como é conhecido, reúne essas qualidades de uma forma encantadora, expressa em uma história incrível de sonho e resistência, de descobertas pessoais, idas e vindas que findaram por esbarrar no ‘algo muito maior’. O Caboco é um exemplo vivo de que a transformação acontece no sentido dentro-fora, e nós queríamos deixar isso registrado”.

A permacultura propõe resistência à destruição ambiental executada nos Tempos Modernos com uma filosofia que integra humanos e meio ambiente em harmonia. É a simbiose entre a sabedoria dos povos nativos com ciência moderna.

Caboco_Stephanie e Aurelio

Stephanie assina a direção e o argumento do documentário, uma produção bancada com ‘a cara e a coragem’.

Questões que envolvem descobertas e liberdade ao conhecer os pormenores de quem buscou uma vida para além da imposta ‘ordem e progresso’.

“Outro motivo [de optar por documentário de imersão] é o intuito de transportar o espectador para a realidade do personagem; Assim pensamos em registrar momentos desde o amanhecer, o trato com as plantas, os rezos com medicinas da floresta, o orientar-se pela lua a noite. Tínhamos de estar lá”.

Produção independente potiguar

A história em mãos era boa demais para ser desperdiçada, mesmo com a previsão de gastos consideráveis, para traduzi-la em um documentário. A ação coletiva, então, ganhou adesões de amigos.

Caboco_cartaz“O filme foi realizado de maneira inteiramente independente e humilde, mas sem nunca perder a ambição!, e mais verdadeira impossível. Não participamos de nenhum edital, foi só a ‘cara e coragem’ mesmo, no esquema rachando a gasolina e recebendo apoios voluntários dos amigos que se deixavam contagiar com a ideia. Para citar alguns nomes, Alexandre Maluf, que fez a nossa vinheta, e Elias Cruz, que chegou junto no último instante com o seu drone. Não fosse ele nós teríamos de abortar a ousada e dispendiosa ideia das imagens aéreas do Sítio”.

Em fevereiro passado, eles estiveram em Poço Branco para o lançamento do curta, com ótima recepção da comunidade. E agora, no próximo final de semana, mostram na capital potiguar o resultado da viagem audiovisual, estreia do coletivo na produção cinematográfica.

Share:

Comentários

Leave a reply