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A manifestação diária, que acontece nas ruas

Greve atrapalhou os trabalhadores de Natal na manhã de hoje

Com o aumento da tarifa dos transportes coletivos, manifestantes ocupam as ruas para um protesto. Um movimento contra um aumento da tarifa, e um movimento pela melhoria do sistema de transporte público. A reivindicação de um sistema que atenda a necessidade do povo usuário, o denominado cidadão. E facilite o transporte na cidade, o espaço geográfico do cidadão. Um movimento por melhores condições de vida. Melhores veículos, com conforto e eficiência, respeito a um horário, que respeite uma planilha de horários. Abrigos protegidos do sol e da chuva. Acessibilidades para os idosos e deficientes. Passe livre para estudantes, a caminho das escolas em busca de conhecimento.

Os sistemas de implantação de melhoria de qualidade, não têm servido para nada. A gestão da qualidade vem perdendo espaço, para a gestão do lucro. O oligopólio das empresas de transporte coletivo, não permitem uma escolha da população. Não há alternativas de itinerários e outras empresas. Em contrapartida e na contramão, a prefeitura parece não trabalhar pelo povo, já que o prefeito é eleito pelo povo. Enquanto nas Câmaras e Assembleias formam-se os Lobbys. Homens de terno e gravata, lembram o velho Barata no domínio da Zona Oeste.

Enquanto o usuário é notificado e educado a facilitar o troco, os órgãos competentes não facilitam o sacrifício diário do usuário. Prometem mundos e festas para o futuro, sem melhorar o presente. Enquanto administradores públicos, prometem um futuro melhor, cortam a cidade em seus carros blindados, com ar condicionado e vidro fechado, com película no vidro. A trave nos olhos, para não ver um município mal administrado. Trabalham em lugares fechados, construindo regras e normas que facilitem seu dia a dia; debatem e lançam perdigotos, com cafezinho e agua gelada.

E diariamente com os passageiros sentados e calados, em pé e suados, acalorados e apertados; atrasados e apressados, com o dia calculado. Estes apreciam diariamente pelas janelas, uma manifestação do lado de fora. A manifestação daqueles que possuem automóveis. Aqueles que diariamente retiram seus carros de garagens e estacionamentos, para ocuparem um espaço na rua. Criam congestionamentos, isolando-se do mundo. Estacionam em fila ao longo da pista, impedindo um pedestre, de atravessar uma rua. Agridem, intimidam e ameaçam, as vidas e a integridade, daqueles que com o uso dos pés e das pernas, ou com o uso de uma cadeira de rodas, procuram exercer seu direito de ir e vir.

Em um contrato de trabalho não constam clausulas, que obriguem o contratado, a chegar no trabalho motorizado. Na CTPS, não consta anotação como adendo as obrigações do empregado, que deva usar veículo próprio para não chegar atrasado. Veículos de quatro, cinco, ou mais lugares, circulam pelas ruas, apenas com um elemento, na condição de motorista e passageiro. Veículos que ocupam vários metros quadrados em calçadas e pistas. Quem compra um veículo, adquire um problema. Um problema que não pode ser deixado na porta ou na calçada do outro. A calçada é o livre espaço para todos, com a prioridade do pedestre. E com a responsabilidade do imóvel à frente.
A cultura surge e acontece nas ruas. E temos visto nas ruas uma cultura produzida pela tecnologia, com resíduos estocados em Mariana e seguiram em direção ao mar. Com ar condicionado e rádio ligado; com película no vidro fechado e GPS, isolam-se do mundo, sem se importar com o que acontece do lado de fora. Seu mundo como um ovo, idolatrando a própria microcefalia. Seguem em seus carros dizendo serem vítimas do sistema, com deficiência de transportes e violência.

E a cultura nativa, aquela construída com a história e os costumes formados preservados, em um local, pode ser um instrumento de reduzir a violência. Mas há uma necessidade que o poder público, a começar pela prefeitura, que franquie o uso dos espaços públicos aos que estão dispostos a andarem por ruas e calçadas, promovendo e preservando a cultura, com música, teatro e poesia. O povo e a cultura precisam se encontrar e ocupar as praças e as calçadas.

A defesa do uso da literatura, a começar com o uso dos estatutos, da criança, do adolescente, ou do idoso. E o estatuto ou as leis que preservam e priorizam os deficientes. E ainda temos uma outra literatura, as normas e regras de transito supostamente aprendidas, estudadas e decoradas, para fazer uma prova. E depois esquecidas pelos motoristas que possuem um automóvel e uma CNH.

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