Marcelo Morais: cumpra-se a arte!

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Marcelo Morais (18.01.1970) nasceu em Mossoró. Filho de Da. Adélia e de Seu Hermógenes. Neto de Da Francisca (Dinha). Os nomes da família foram aqui apostos de propósito, para demonstrar como a arte se faz da arte através de forças atávicas que emanam de alguns indivíduos, passando essa energia buscadora de se plasmar em formas estéticas de geração a geração. Isso não conforma uma regra geral.

Contudo, no caso do artista plástico Marcelo Morais, curiosamente sua avó e seus pais configuram um sistema que conseguiu chegar até ele. Os pais eram hábeis no desenho a grafite, por puro diletantismo e desejo de construir formas sem a consciência de um espírito estético. Sua avó confeccionava presépios de gesso para a venda, ele pintava os santos.

Mesmo tendo ido viver em Cuiabá-MS, a arte lhe perseguia, como a querer que seu repositório de uma energia que latejava no seu sangue quisesse vir à tona, ou seja, desejasse ser objeto de arte. Na cidade, trabalhou em um condomínio, no qual ficava na guarita. Ao invés de ficar vendo televisão, com suas futilidades, adquiriu tintas para pintar tecido, que tinha o preço mais acessível, e assim pintava no trabalho. Como uma necessidade advinda do seu subconsciente trazido das terras de Mossoró.

Marcelo cativa por ser um bom anfitrião, deixando-nos à vontade em sua casa, dispondo tudo o que produziu à consulta generosa do visitante. Limita-se a apresentar e responder com amabilidade sobre o fruto do seu permanente trabalho com pincéis e outras técnicas de engendrar artes plásticas.

A impressão que passa é que as formas e cores e cores apascentaram um espírito outrora inquieto. Como se um depositário de energia mental tivesse sido plasmado no contorno de uma obra de arte. Quero dizer que detém um temperamento que não se aproxima muito do espírito saturniano tão peculiar a grande maioria dos que dedicam sua vida à arte. Marcelo Morais assemelha-se mais ao pastor que permanece sentado ao lado das suas ovelhas, imaginando paisagens que aparecem nas suas telas surrealistas.

Marcelo é um artista multifacetado. Além de ensinar pintura, trabalha objetos sob encomenda, bem como programas de arte em colégios. Das suas tantas formas de expressão há uma excelente Série de Pirogravuras, elaboradas com pirógrafo com ponta de níquel. Creio que foi onde mais se expressou com propriedade, na medida que expressa uma naturalidade que supera de muito suas acrílicas, onde não pode ser considerado um pintor excepcional. Creio que resguarda um talento em estado bruto, necessitando ser lapidado, ou seja, dominar o desenho e a geometria, bem como ter consciência de que é dificílimo alcançar êxito ao manusear a tinta em estado puro. Quase sempre não faz uso dos tons, que imprimem sombreamento, graça e movimento aos objetos pintados.

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