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Marie, mulher admirável

Marie Curie (1867 – 1934) disse um Não à fortuna, ao poder, à glória, aos prazeres da vida parisiense. Só lhe interessou o saber, a ciência. Assim, tornou-se protagonista da História. Por duas vezes, marido e mulher, dois casais ganharam o Prêmio Nobel: Marie e Pierre Curie, Frédéric e Irène Joliot-Curie.

Marie foi um dos maiores gênios da humanidade, laureada como física e química, em 1903 e 1911. A polonesa, naturalizada francesa, dedicou a sua vida a trabalhar na transformação de matéria em energia. Identificou dois elementos mais poderosos que urânio, rádio e polônio, este, assim denominado, em homenagem ao seu País natal. Esses elementos são cem vezes mais potentes que o conhecido urânio. A radioatividade é sua descoberta maior.

Marie, filha de um pesquisador de física e de diretora de escola para mulheres, seguiu a vocação dos pais. Em sua época, a vida era muito difícil na Polônia, dominada pela Rússia. Em Varsóvia, ela se tornou autodidata, trabalhando, como governanta, para juntar dinheiro e emigrar. Aos 24 anos, transferiu-se para a capital francesa, onde residiam seus irmãos. Lá, a vida não foi menos dura. Trabalhou para se manter e estudar na Sorbonne. Passou fome, chegando a desmaiar em sala de aula, mas prosseguiu e terminou o curso em 1º lugar.

Apaixonou-se pelo também físico, Pierre Curie. Para gozarem a lua de mel viajando, conseguiram comprar duas bicicletas. O marido ensinava na Faculdade de Ciências. Passaram a trabalhar juntos. Conseguiram montar um tosco e improvisado laboratório para desenvolver as pesquisas. Foi necessário juntar os salários para importar toneladas de matéria-prima, o metal importado da Tchecoslováquia. Extraíam de cada oito toneladas um grama do sal de rádio.

O amor não acabou com a morte de Pierre, em 1906, atropelado por uma carruagem. Ela escreveu a biografia do amado. E assumiu o seu lugar como catedrática da Sorbonne, quebrando a unanimidade masculina dos professores da Universidade. A sua tese de doutorado fora a base para a concessão do Prêmio Nobel.

Combativa, resiliente, combateu o bom combate. Durante a Primeira Guerra Mundial, orientou o socorro aos feridos e mutilados franceses. Chegou a dirigir uma ambulância.

Madame Curie deixou o legado de superação, iniciativa, vitória feminina, por ter sido uma das maiores mulheres da ciência de todos os tempos.

Em 1926, Marie e sua filha Irène passaram 45 dias no Brasil, fazendo palestras, contatando cientistas e incentivando a busca de conhecimentos. No Rio de Janeiro, em São Paulo e, sobretudo, em Minas Gerais, estimulou as pesquisas já iniciadas da radioterapia para tratamento do câncer.

Da mesma maneira que aconteceu com Alfred Nobel, inventor da dinamite, e do nosso Santos Dumont, as descobertas que fizeram para o bem (o tratamento de Neoplasma, entre outros) também serviram para o mal.

Vitimada por seu trabalho com radiação, Marie faleceu em consequência de uma anemia perniciosa. Seu corpo repousa no Panteão da França, ao lado de outros Heróis da Pátria.

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Diógenes da Cunha Lima

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