Marielle Franco da Maré

João da Mata
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“A mais perfeita manha do Diabo é a de fazer crer que não existe… ” Baudelaire

A Vida acaba cedo. A vida tem medo. Assim sem mais acaba a vida.
O Rio de Janeiro tem a cara do Brasil desgovernado
A lágrima não basta neste momento para chorar o assassinato da Marielle Franco
A sociedade amordaçada está ficando imunizada de tanto horror.
Policiais armados matam bandidos e inocentes. E matam os que gritam de horror

A polícia não policia. A intervenção mostra a falência múltipla dos órgãos
As balas que mataram Marielle atingiram o coração de uma nação doente

Nove tiros mataram a negra da maré
Nove tiros roubaram a vida em flor
Nove tiros mataram a ameaça.
Nove tiros atingiram o tronco de uma nação partida

Nenhuma dúvida de matar teve o atirador
Pistola de Nove milímetros
Com munição autenticada e comprada.

Outros tiros atingiram o motorista
Que não tinha aberto a boca
E só queria sustentar sua linda família

Mas a negra da maré era faladora
Denunciava
Lutava pelo seu povo e foi eleita com mais de 40 mil votos
Perfurados à balas

Quatro na cabeça para não ter dúvidas
Era bonita
Amava Monica
E via seus irmãos
Correndo
Com fome
Pretos
Pobres
Gritando
E morrendo

Marielle era a voz deles na Câmara de Vereadores
Um mar de impunidade.
Não, não adianta correr.
Em cada canto um olhar.
O menor gesto fotografado.
E a arma apontada para o crânio de cada trabalhador.
E ninguém sabe o próximo alvo a ser atingido.
Quem se eu gritasse ????????????????

Muitos líderes assassinados no campo e na cidade
Assim foi
Mas não vamos calar
Vamos ecoar a voz de Marielle
Vamos fazer valer a sua vida de luta
Marielle vive em nós
Que sangramos
Que choramos a sua morte
E não vamos desistir
Beijos minha Nêga
Bela
Uma voz.
Nossa Voz
Todas as palavras são poucas para tanta brutalidade
A impunidade é a regra. A sociedade está com medo.
Pavor
Os políticos são péssimos exemplos.
O judiciário capenga
O mal chegou e invadiu nossas casas e famílias. O mal bate a porta, lateja. Invade nossas mentes, palavras, atos e ações. Lúcifer ganhou.
Na literatura a estética do mal se instala definitivamente com as “Flores do Mal” do Baudelaire em 1857. Com Baudelaire satanás é entronizado e o homem perde o seu lugar de destaque onde tinha sido colocado na renascença.

No livro “Eichmann in Jerusalem”: A Report on the Banality of Evil de 1963, escrito pela filósofa Hannah Arendt, ela cunha a expressão “banalidade do mal”. Nada mais atual nos tempos em que vivemos. A guerra contra os pobres é diária

Difícil encontrar alguém que não tenha sido tomado de pavor. Assaltado. Todos acorrentados numa rede de torpor. Não existe lugar seguro. Em todos os lugares o mal chegou. Lúcifer parece que ganhou. Seu numero é o dois. Temos sempre duas opções e precisamos decidir na encruzilhada que nos encontramos. Se é que tem saída…

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João da Mata

Comentários

2 comments

  1. Maria Aparecida Anunciata bacci 17 março, 2018 at 22:31

    Bela homenagem Prof. Damata Costa seu poema e belo e sua colocações obre o mal são muito pertinentes,ele está muito presente no nosso cotidiano como nunca esteve,na violência e na injustiça em nosso país e no mundo a fora.Eu creio que tem uma saída jamais esmorecer.Parabéns pela belíssima postagem.

  2. Maria Aparecida Anunciata bacci 17 março, 2018 at 22:31

    Bela homenagem Prof. Damata Costa seu poema e belo e sua colocações obre o mal são muito pertinentes,ele está muito presente no nosso cotidiano como nunca esteve,na violência e na injustiça em nosso país e no mundo a fora.Eu creio que tem uma saída jamais esmorecer.Parabéns pela belíssima postagem.

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