Marina Rabelo – Poemas

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Formada em Engenharia Química pela UFRN. Autora nos livros de poesia Por Cada Uma (Una, 2011), Livro de Sete Cabeças (Kelps, 2016) e das coisas que larguei na calçada (Caravela Selo Cultural, Dezembro/2016). Colaboradora das peças Memórias do Alecrim (Natal/RN, Agosto/2015) e de João ou Eu só queria ver os pássaros (Natal/RN, Novembro/2016). Participa do projeto cultural Insurgências Poéticas.

Poeta / Dramaturga / Colecionadora de silêncios

 

geografia

teus pés de solos áridos
descobrem minha relva úmida

tuas mãos de cactos crassos
adentram minha selva macia

e chovemos

um gozo de ser tão

 

ferida a fera

o que me perturba
picada de abelha
toque de urtiga
vidro no chão

o que me machuca
é o seu silêncio
preso na garganta
minha incompreensão

 

secreto

quando me olha nos olhos
procura derrubar meus medos
e desvendar meus mistérios

mas meus segredos
guardo atrás dos joelhos

 

~~~~~

Na superfície
do nosso encontro
ficaram teus medos.
Teus dedos covardes
apontando todas as armas.
O arame farpado da desilusão
traçando longos voos de volta.
Os riscos caíram rasos
sobre nossos pés.
Aquele velho c’est la vie.
Enquanto eu só queria, baby,
meu corpo deslizando sobre o teu
e o cheiro do talvez, quem sabe.

 

~~~~~

atravessei a multidão
com cacos de vidro
cravados nos pés

a cada passo
– mais eu me tornava frágil –
estilhaços

sentimento de estar perdida
procurando na dor
placas luminosas de saída

enquanto houver rastro
– de amor e de sombras –
perpasso

 

a vida secreta das palavras

nem sempre soo verdade
às vezes me escondo em palavras
às vezes me revelo em palavras

às vezes silêncio
e palavras tilintam dentro de mim
rodopiam em ciranda de segredos

algumas me tocam os lábios
e fogem
e fogo
e ardem

algumas me tocam os dedos
e fogem
e fogo
e ardem

escrevo
segredos da onda gigante
que irá me engolir

e depois do sal
o sol

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