Meia-noite
28 de maio de 2010 às 11:04 - 6 Comentários
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Meia-noite. Desde que você partiu levando o Sol, é sempre meia-noite. Todos os dias, na beira do abismo, entre a carne e a sombra, como os poetas, os bêbados, os loucos, eu te procuro, amor. Você nunca saiu do meu pensamento… Quantas lágrimas… Quanta dor… Não te peço pra voltar. Hoje, não te quero mais. Quando você partiu, amaldiçoei a minha vida. Em desespero, a solidão arrancou a minha língua, mas não calou os meus gritos. Sem suportar o peso da saudade, essa maldita ferida do amor, o meu coração parou de bater. Parado em minhas veias, o meu sangue, louco, fazendo-se de tinta, escorre pelos meus dedos e reinventa a vida sobre o papel. Nessa batalha contra a morte, busco nas palavras, alguma idéia que acalme o meu medo, quase insuportável, de morrer. E escrevendo eu te reencontro, amor… Brincando de ser Deus, crio um mundo onde você não é capaz de me dar adeus, de ir embora. Nesse mundo de milagres, não existe o certo, nem o errado. Encharcado de sangue, suor, saliva e vida, te faço meu herói. Queimo o teu corpo. Em seguida, mergulho as tuas carnes em minhas águas profundas, até você morrer, ressuscitar e, novamente, me ver chorar… Chorar pelo sexo como faz toda mulher diante do amor…
Não! Não precisa voltar! Hoje, aprendi a te amar… Entre o mundo definido e o indefinido, eu te perco e te reencontro, sob o comando da voz louca do meu cérebro que, sem juízo, entrega-se com violência ao que me resta: escrever, escrever, escrever…


6 Comentários
Texto belo, noturno e dilacerante, que só as mulheres do SP de Tácito Costa escreve. Beijos.
Parado em minhas veias, o meu sangue, louco, fazendo-se de tinta, escorre pelos meus dedos e reinventa a vida sobre o papel.
[...] ao que me resta: escrever, escrever, escrever…
claudinha você assistiu ao filme Quills (contos do marquês de Sade)?
Fala sobre os escritos pornográficos do famoso marquês. Ele escreve páginas e mais páginas com literatura pornográfica. Publicados os contos, despertam a ira da Igreja e a aprovação do povo. Um médico, especializado em torturas, é enviado ao sanatório com a missão de impedir que o Marquês continue espalhando sua literatura pornográfica. Todavia, não é privando-o das penas nem os papéis de um escritor obssessivo que se consegue estancar a veia literária de um artista. Nem quebrando seus dedos, nem cortando sua língua.
O marquês passa a escrever com a tinta do próprio corpo, ou seja, seu sangue.
Beijos,
Claudinha,
E a estética da extravagancia. Do (in) finito da dor de ser só mulher.
Do tecido esgaçado até o limite.
Do escrever como forma de sentir e ser
Obrigada, querido Jarbas, pelas palavras… Somente agora, fuçando o SP encontrei esses deliciosos comentários! Espero te reencontrar em breve para fazermos um brinde a esse ano que chega com força total com uma breja estupidamente gelada! Vambora, querido!!!
Beijão!!!
Taninha, que boa lembrança… Assisti sim, e amei “Contos do Marquês de Sade”! Intenso, visceral, maravilhoso! Fiquei, agora, com uma enorme vontade de rever…
Saudade de vc, menina querida! Beijão!!!
Eitcha, que delícia de comentário, João! Grata pelas palavras, amigo!
Beijoca na biloca do zôio!!!