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Memórias que vão até a Itália durante a Segunda Guerra

Imagem de Clewton

 

1945 – “Continuando a viagem, chegamos no Rio de Janeiro na manhã do dia dois de janeiro. Já pela madrugada começou a se avistar a cidade, ficando cada vez mais visível a estátua do Cristo Redentor (…). Na noite do dia 21 (21/02/1945), após dezessete dias ininterruptos de viagem, chegamos a Nápoles. Por coincidência no dia da tomada do Monte Castelo pelas forças brasileiras, que antes do anoitecer já haviam dominado o local”.

Memórias do Meu Passado_Antonio

O pracinha Antônio Simão está ao centro, agachado

O trecho acima foi extraído do livro “Memórias do Meu Passado”, de Antônio Simão do Nascimento, publicado pelo Caravela Selo Cultural, que será lançado na próxima sexta-feira, 21 de abril, no Restaurante e Tapiocaria da Avó, na Rua Vereador Manoel Coringa de Lemos, 488, na Vila de Ponta Negra, a partir das 19h. O livro será vendido somente em espécie no valor de R$ 50,00.

“Memórias do meu Passado” reúne principalmente as lembranças e relatos de um “pracinha”, “expedicionário” ou, como diziam na época um “Febiano” – expressão que alude à Força Expedicionária Brasileira (FEB) – que foi para a Itália durante a Segunda Guerra Mundial. Antonio Simão não mais vive. Mas as memórias de um singelo caderno seu de anotações sim. Atravessou gerações e ganhou tanta significância que seus filhos José Clewton, Vânia Lúcia do Nascimento e a neta Fabiana do Nascimento Pereira resolveram não só publicar em livro aquelas anotações, como também situá-las sob o ponto de vista histórico, social e arquitetônico, campos de estudos dos referidos.

De acordo com o arquiteto, professor da UFRN, José Clewton, o pai começou a escrever suas memórias para comemorar os 80 anos em 2001. “A ideia dele foi passar essa narrativa aos filhos e netos sob forma de memória. Após sua morte (em 2003), a família sempre manifestou a intenção de transformar essa narrativa em livro, fato que foi possível agora”.

Antônio Simão não tinha, necessariamente, a pretensão de transformar suas memórias em livro. Mas, segundo recorda o filho, seu interesse era o de deixar registrado para filhos e netos. “Para isto ele teve o cuidado de imprimir uma cópia desse material para cada um dos filhos. A ideia de transformar esses registros em publicação partiu de parte dos filhos e netos e foi tomando corpo e, mais recentemente, partiu-se para a incorporação de textos escritos por mebros da familia nuclear”, diz José Clewton.

Quando vivo, Clewton diz no livro que Antônio Simão não costumava falar muito sobre o período da Guerra. Mas havia um álbum com fotografias e postais que sempre causava muita curiosidade ao filho. Algumas das fotografias desse tesouro silencioso estão contidas no livro, assim como alguns desenhos do arquiteto, inspirados nos postais do pai. “Percorrer essas imagens nos dá a possibilidade de entrar em contato com os horrores de uma guerra”, explica Clewton, para em seguida demonstrar esses horrores na visão do próprio pai na época em que estava em Nápoles: “Ao amanhecer do dia vinte e dois (22/02/1945), grande foi o nosso espanto ao assistirmos a uma cena nem pensada na nossa mente: a destruição do porto em sua quase totalidade, bem como centenas de barcos destruídos. Eram os efeitos da guerra”.

Ele acredita que as memórias do pai, contribuem para a construção de uma memória maior que é a presença do Brasil na Segunda Guerra. Mas, o livro não fica só nisso, porque mostra um personagem do sertão, um homem que dentro de sua simplicidade possuía uma escrita rica e que tem traços de uma época. “Na fala do Seu Simão está presente a história do homem do sertão, temente a Deus, bem como podemos traçar relações com o período de desenvolvimentismo pelo qual passou o país (tanto na era de Juscelino Kubitschek – que governou o Brasil de 1956 a 1961 – quanto no período da Ditadura)”.

1926

“Foi quando comecei a despertar para a realidade. O primeiro acontecimento que me marcou e que não consegui esquecer foi na época do inverno: chovia muito à noite e acordei com um barulho enorme. Havia muitos trovões e relâmpagos. O quarto onde eu dormia era vizinho à cozinha. e com o peso da chuva, no momento de um trovão, uma parede que ficava ao lado da biqueira, de taipa, arriou. Assombrado, corri no escuro alarmando as outras pessoas da casa (…)”

Livro será lançado nessa sexta, 21, na Vila de Ponta Negra

Livro será lançado nessa sexta, 21, na Vila de Ponta Negra, às 19h

 

Memória do Meu Passado – lançamento

Dia: 21, sexta-feira

Hora: 19h

Local: Tapiocaria da Avó, na Vila de Ponta Negra

Preço: R$ 50 (somente em espécie)

 

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