Meus dias de Fafa de Belém
5 de março de 2010 às 9:11 - Comentar
Quando criança tive muitos apelidos. E todos eles me incomodaram. O primeiro deles de que tenho lembrança foi “sibite”, dado por um médico que fazia suas refeições diariamente no restaurante da família quando ainda morávamos no interior. Detestava aquele apelido. Depois veio “Tancha de queijo”, dado por meus irmãos, (alusão a tacha de queijo) é que eles diziam que eu paquerava com o filho do queijeiro.
Mais tarde “doida da Valença”. Valença era um lugarejo que tinha uma doida que se a lembrança não me falha diziam que ela vivia à janela. Mais à frente, “gordurinha”. Eu tinha alergia a alguns medicamentos que à época ainda não sabia quais, então, quando ocorria de ingerí-los, os olhos inchavam ficando só a brechinha aberta, daí para o apelido… Ficava “puta da vida”.
Mas, apelido mesmo que mais me aporrinhou a vida foi quando já quase adolescente meus irmãos resolveram me apelidar de “Fafá de Belém”. Vocês já viram algum (a) adolescente sentir-se bem com o seu corpo? Pois eu também não! Ponto fraco descoberto, o apelido logo pegou. Eu chorava, esperneava, brigava de me atracar e continuava sendo chamada de Fafá de Belém.
Detalhe: Eu não era gorda. Era até bem magra. Mas, tinha peito. Minhas irmãs mais velhas, todas “batidas”, quase “tábuas de engomar” e porque eu havia de ter aquele “peitão”. Pelo menos era assim que eu via. De forma superdimensionada. Não! Deus não havia sido generoso comigo, ou melhor, dizendo fora generoso demais. Em vão tentava esconder aqueles peitos, mas meus irmãos lá, me chamando de Fafá de Belém por qualquer coisa que eu fizesse que desagradasse a eles.
Lá pelos quinze anos namorei pela primeira vez um rapaz três anos mais velho. Experiente nas “artes do amor” enfiou logo toda a língua na minha boca (Argh!) o que eu não gostei nem um pouco, Para ser bem sincera, detestei. Mas, aflição mesmo foi quando ele enfiou as mãos nas minhas costas. Gelei. - Meu Deus! Ele vai perceber!
Não consegui esboçar nenhuma reação. Fiquei petrificada. É que para os seios parecerem menores eu colocava sempre um “bustiê” de tecido e o sutiã por cima, achatava os “peitos” para estes parecerem menores. Pelo menos eu achava que parecia. Se ele percebeu essa “arrumação” ele nunca me falou, pois ainda namoramos por um tempo. Se eu assumi os peitos mais adiante ou continuei a usar o disfarce eu não consigo lembrar. Juro!


Comentários fechados.