Mídia não é campo de batalha

9 de março de 2010 às 15:51 - Comentar

Por Alberto Dines
Observatório da Imprensa

As partes estão excitadas, os militantes exibem os tacapes. O confronto de 2010 deve obedecer a limites: não pode ultrapassar o plano eleitoral onde há regras, monitoramento, órgãos disciplinadores e, sobretudo, magistrados insuspeitos. A entrevista do ministro Carlos Ayres Brito (Estado de S.Paulo, domingo, 7/3, pág. A-8), na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, é uma prova disso: desestimula a truculência e enquadra os eventuais provocadores.

Mas a transferência da disputa para o precário terreno da imprensa é preocupante. A liberdade de informação foi há sete meses suspensa pelo Judiciário para proteger o chefe do Poder Legislativo, a Lei de Imprensa foi indevidamente anulada, as normas que regulavam o direito de resposta foram irresponsavelmente dissolvidas, não existem órgãos reguladores nem auto-reguladores. A única experiência de convívio corporativo dentro da mídia – o Conselho de Comunicação Social – foi arquivada para atender os interesses comuns das empresas de mídia e do governo federal.

Como se não bastassem as dificuldades internas, os exemplos de confrontos midiáticos nos países vizinhos só ampliam o estresse e o ânimo combatente.

Padrões de exigência

Está na hora de baixar a pressão. O presidente Lula, aparentemente, já percebeu o perigo e está acionando seus dotes apaziguadores. Mas é preciso desarmar os detonadores dos dois lados. Os radicais são radicais porque só assim podem aparecer. Sem exacerbações, tornam-se inúteis, somem.

A crítica aos meios de comunicação deve ser feita com competência, conhecimento de causa, sem bandeiras partidárias, a serviço do esclarecimento. A crise dos meios de comunicação é hoje abrangente e transversal, visível globalmente, mas o único setor que deveria abster-se de atuar como crítico da mídia são os governos e governantes. Com o poder de que dispõem, suas observações, mesmo pertinentes, transformam-se automaticamente em ameaças.

São justamente as ameaças que neste momento perturbam o processo eleitoral. Eventos ruidosos não solucionam disfunções crônicas, sobretudo as situadas nos desvãos das instituições. O jornalismo é um processo informativo que dispensa os fóruns sobre jornalismo. A obsessão por comícios é compreensível em políticos, condenável naqueles que a sociedade escolheu para produzir reflexão e ponderação.

Há na mídia brasileira áreas imunes ao radicalismo. Não são melhores nem piores do que os irredentistas, a diferença é que observam o processo holisticamente e, assim, armados de um ceticismo suprapartidário, tornam-se aptos a aplicar os mesmos padrões de exigência em todos os quadrantes.

Debate sobre a imprensa

Antes das comoções que envolveram seus sistemas midiáticos, tanto a Venezuela como a Argentina não dispunham de entidades dispostas a identificar as disfunções que comprometiam a fluência e independência do processo informativo. O debate público sobre mídia só ocorreu depois da irrupção dos confrontos entre governos e corporações de comunicação.

O Brasil começou a discutir o desempenho da mídia décadas antes, mesmo que certos artigos da Constituição de 1988 tenham ficado sem a necessária regulamentação (caso do Conselho de Comunicação Social, que esperou 14 anos para transformar-se em realidade e evaporar-se logo em seguida). Mas fomos pioneiros em universalizar o debate sobre a imprensa.

Esta é uma vantagem que deveria ser aproveitada agora, imediatamente, antes que a disputa eleitoral converta-se em foco de intoxicação permanente.

Comentários fechados.

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  • Museu de Arte Moderna do Rio abre mostra cancelada de Nan Goldin

    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

    aqui

  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente