Crônicas e Artigos

Milo Manara e outros criadores de belas femmes fatales

milo

Milo Manara é um grande desenhista de sedutoras mulheres. Dono de um traço feroz e genial criador dos maiores desenhos eróticos da história dos quadrinhos. Mulheres devoradoras e sedutoras. Elas são femmes fatales, fotógrafas, guerreiras, heroínas, secretárias e amantes. Pin-up e Bondage. Com Manara o quadrinho erótico atingiu níveis nunca antes alcançado em expressividade, erotismo e pornografia. Seus desenhos foram levados para o teatro e cinema.

Gosto muito da bela morena Betty Page com sua mistura de sensualidade e feminilidade. Betty foi a rainha do Pin – Up, como eram conhecidas essas belas mulheres de páginas cheia surgidas durante a segunda guerra mundial. Pensava se tornar uma estrela da broadway e virou símbolo de um estilo de vida libertino. De olhar sensual e cabelos pretos, Betty encheu de desejos os adeptos de práticas sadomasoquista.

Amo essas mulheres em papel e traços insinuantes. Apaixonei-me pelos longos cabelos e boca voluptuosa da Paulette de Wolinski / Pichard. Paulette que não costuma usar sutiã e calcinha e tem um belo par de seios. E mais ainda aquela bochecha com sardinhas de um boca louca que diz “eu adoro a noite porque fica escuro…”

A Vampirella é´a minha vampira preferida muito antes dessa onda mediática de vampiras sem graça e sem a sensualidade e inteligência de Vampirella que tenta restabelecer a gentileza e a bondade perdida.

Adoro de paixão o Crepax com suas criações magníficas. Emanuelle Arsan, Valentina e Anita são paixões eternas que não troco por muitas siliconadas e artificiais.

Mas é de Manara que pretendo falar cheio de gozo por sua Gullivera. Que mulher gostosa e que grande xoxota. Gullivera protagoniza o herói do clássico “Viagens de Gulliver” em substituição ao Lemuel Gulliver do celebre livro escrito por Swift. Quando desembarca em Lilliput Gullivera é recebida pelos moradores. Luta com um terrível rato e é possuída por um belo cavalo. Na ilha os homens dormem e as ninfomaníacas transam alegremente.

Manara nasceu Maurílio Manaro, em 12 de Setembro de 1945, em Luso, Bolzano. Uma pequena cidade italiana fazendo fronteira com a Áustria. Estreou no mundo dos quadrinhos com o livro “Genius”, em 1969. Manara foi parceiro de Hugo Pratt no belo Gaúcho e Corto Maltese. Em seu currículo ainda consta um dos seus heróis, Federico Fellini em Viagem à Tulum e G. Mastorna. No cinema trabalhou também em conjunto com Almodóvar ( Fuego em las entrañas) e o chileno Alejandro Jodorowski.

Lucrecia Bórgia mostra a filha do papa e toda a Praça do Vaticano invadida por cafetões e mulheres que fornicam a toda hora num tempo em que Roma era governada por César e o papa não tinha moral. Não adiantou casar Lucrecia com um Sforza. Não adianta Bento XVI pedir desculpas pelos excessos e pedofilia dos padres.

Em Le Parfum de l´invisible – “Perfume de Mulher” – um dos seus quadrinhos mais famosos, as mulheres são magras e de linhas sinuosas trabalhadas. Não possuem a voluptuosidade de uma Druuna criada por Eleuteri Serpieri, que adora sexo anal e oral. Gostosa!

Um dos clássicos de minha preferência do desenho erótico / pornográfico é a minissérie criada pelo Manara e publicado inicialmente em Echos des Savanes, 1983. Maravilhoso desenho de grande virtuosismo gráfico e erótico. Bela mulher de linhas provocantes. A heroína do Clic ( Il Gioco) é uma fina e recatada dama da alta sociedade, sexualmente reprimida e reage violentamente ao assédio dos homens. O Dr Fez não consegue seduzir a mulher do amigo até que um chip é colocado no seu cérebro e incorporado ás células nervosas. O transmissor pode ser regulado por um transmissor portátil. O portador regula a intensidade do efeito que é instantâneo. Christiani começa a transar doidamente com o padre, mordomo e quem encontra pela frente. Belo desenho de um erotismo a flor da pele. Leio sempre com volúpia essa obra prima do quadrinho erótico. Esse desenho saiu em preto e branco pela coleção Opera Erótica da Martins fontes e depois colorizado na coleção Eros da editora Conrad.

Manara também emprestou seu traço para desenhar o genial tratado do erotismo oriental “Kama Sutra” (1997). Sobre a revolução francesa ele desenhou mais um grande clássico, o belo “Revolução” (2000) que saiu no Brasil pela editora Conrad. Uma feroz crítica ao poder das cadeias de televisão. Em 2004, Milo Manara recebeu o premio Eisner, pelo conjunto de sua obra como ilustrador de quadrinhos

Na minha coleção, tenho ainda em francês os quadrinhos L´art de Fessée do Enard/ Manara e o belo álbum com capa dura “Memory” desse genial criador desses eternos objetos de desejo.

Ab imo corde

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João da Mata

Comentários

1 comment

  1. Maria Aparecida Anunciata Bacci 15 maio, 2017 at 22:06

    Parabéns João da Mata pelo belo texto sobre Manara, ele soube como ninguém dentro de sua arte abordar o erotismos e criar belas mulheres e seus personagens,reconhecido mundialmente trabalhou com grandes nomes do mundo das artes.

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