Mirabô Dantas: a quem interessar possa

Tácito Costa
DestaqueMúsica

Em entrevista, cantor, compositor e escritor Mirabô Dantas, potiguar de Areia Branca, fala sobre carreira e o show desta sexta-feira (10), no Bardallos Comida & Arte, para comemorar 70 anos de idade e 50 de carreira; “Não espero nada, apenas vou ‘vir vendo’”.

Fotografia de capa: Helis Verônica

Mirabô Dantas

Ouça aqui faixas do álbum A Quem Interessar Possa

Uma das figuras mais conhecidas e respeitadas do meio musical potiguar, Mirabô gravou o CD Mares Potiguares e escreveu Umas histórias, Outras Canções. Foi gravado por artistas como Terezinha de Jesus, Elba Ramalho e Lecy Brandão e tem parcerias com Capinam, José Nêumane Pinto e Maurício Tapajós, entre outros.

No livro, descreve a trajetória musical, que inclui passagens por São Paulo e Rio de Janeiro na década de 1970, parcerias importantes e convivência com artistas hoje famosos, como Fagner, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho.

Nesta entrevista, Mirabô fala sobre o show, a vida artística e pessoal. Confiram.

Mirabô Dantas.2

Filho de um trombonista, Mirabô Dantas chegou à Natal aos 13 anos de idade; décadas após deixar a Areia Branca, ele acumula respeito na cena musical da capital potiguar e temas gravados por artistas de renome nacional, casos de Fagner, Elba Ramalho e Terezinha de Jesus.

O show de sexta-feira à noite no Bardallos marca seus 50 anos de carreira. Como será essa apresentação?

É uma celebração onde junto amigos, alguns músicos, e aproveito a oportunidade para cantar algumas composições já conhecidas e algumas inéditas.

Que músicas do seu repertório não podem faltar em um show seu?

A Quem Interessar Possa e Mares Potiguares.

Apesar do reconhecimento no meio artístico potiguar, você gravou pouco. Por quê?

Porque nunca dei muita importância ao fato de ser compositor. Nunca achei que faria uma carreira de cantor. Na verdade não fiz.

Qual balanço você faz da sua carreira?

Não tive carreira artística, fiz muita coisa ao mesmo tempo: fui bancário, trabalhei no serviço público, toquei na noite, fiz trilha sonora pra teatro e cinema, desenhei, escrevi um livro. Nunca me dediquei a uma coisa só.

Acha que sua trajetória como artista poderia ter sido diferente?

Poderia mas não projetei nada. Fiz o que ia pintando na minha frente.

Como avalia hoje suas passagens na década de 1970 por São Paulo e Rio Janeiro?

Acho que tudo valeu a pena. Só o fato de ir morar em duas cidades grandes me ensinaram, no mínimo, a sobreviver longe do ninho. Conheci pessoas, muitos artistas gravaram minhas composições, ingressei na luta sindical, tudo isso serviram-me de aprendizado pra a vida.

Quais planos e projetos faltam realizar?

Nunca avaliei se realizei ou não projetos de vida. Como disse fui fazendo o que me dava na cabeça, mas pretendo, ainda este ano, gravar um CD com músicas inéditas, juntar toda a minha produção musical num pendrive, preparar uma exposição de desenhos meus e lançar tudo junto em três apresentações públicas nas cidades de Natal, Mossoró e Areia Branca, onde nasci. O projeto está aprovado pela lei estadual de incentivo à cultura, estou em busca de patrocinador.

Que parceiros musicais você sentiu mais afinidade artística?

Tenho afinidades com todos os parceiros com os quais compus. Normalmente componho com pessoas que de um modo geral tem a ver com o meu modo de pensar. Um ou outro diverge, às vezes politicamente, pois ninguém é igual, mas o que mais parece comigo é Jose Carlos Capinan, com quem já compus cerca de 13 canções, algumas gravadas por Fagner, Zeca Baleiro, Elba Ramalho, Terezinha de Jesus, entre outros.

Tem muita história legal no seu livro Umas histórias, outras canções. Uma delas aconteceu durante apresentação de Geraldo Azevedo no Rio, no Teatro João Caetano. No Rio, você conviveu não apenas com Geraldo, mas com Fagner e Zé Ramalho. Como era essa convivência?  

Como morei no Rio de Janeiro durante anos, convivi com todos esses artistas que você citou. A maioria tornou-se meus amigos e muitos deles quando vem a Natal me procuram. Foi muito bom esse período onde todos estavam ainda no inicio de suas trajetórias musicais. Tenho orgulho de ter participado com eles de muitas estórias, muitas de glórias outras de puro sufoco. Mas todos sobrevivemos.

Mirabô Dantas.3

“Nunca avaliei se realizei ou não projetos de vida”.

Qual avaliação faz da cena cultural, especialmente, a musical do Estado?

O nosso mestre Cascudo já dizia: “Natal não consagra nem desconsagra ninguém.” Não espero nada, apenas vou ‘vir vendo’.

Sente-se recompensado com o que a música lhe proporcionou?

Nunca esperei ser recompensado por minhas ações, meus feitos, meus experimentos, minhas artimanhas, mas o ideal seria que colocássemos todos os nossos fracassos nas paradas de sucesso. Acho que a música me deu o que ela merece. Dar esta entrevista a um jornalista respeitado como você, por exemplo, já é uma recompensa, valeu a pena.

Share:
Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. Jessé de Andrade Alexandria 12 março, 2017 at 11:56

    Salve, salve, Mirabô Dantas, artista brasileiro, na estrada há muitos anos, defendendo a dignidade da cultura e da cidadania, sem concessões. Mais Mirabôs, menos Safadões!

Leave a reply