Morte de Marielle fez uma parte do país sair da letargia

Tácito Costa
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Não devemos generalizar. Há os que realmente não entendem a imensa e justa repercussão do assassinato da vereadora Marielle Franco. Não atinam às diversas e importantes dimensões do crime. A dimensão política e institucional da democracia, a da intervenção militar no RJ, a dos moradores da favela, a do movimento negro, feminista, a LGBT, e a dimensão dos direitos humanos.

Não tiveram acesso à informação de qualidade. Ouviram ou viram pedaços de conversas ou reportagens de tv, que não contextualizam e aprofundam a cobertura. Ou leram algo postado nos grupos da família ou dos amigos no WhatsApp. Faz sentido sentirem-se perdidos.

Dizem, por exemplo: “na semana passada uma médica foi morta por bandidos e não houve esse estardalhaço”; “todo dia morrem negros e favelados e no outro dia não se fala mais nisso”; “por que não há esse clamor quando morre um policial?”. Outros, na linha bolsonariana, acham que ela “colheu o que plantou”. E por aí vai o festival de ignorância.

São pessoas que, por várias razões, não acessam jornais, portais e site de notícias. Não lêem os artigos dos mais importantes jornalistas e analistas do país sobre os temas do momento. Quantos, por exemplo, leram neste domingo, 18, ou mesmo nos dias anteriores à tragédia, os artigos que tratam do assassinato da vereadora?

Sendo assim, fica bem difícil compreender direito o que realmente está ocorrendo e formar uma opinião consistente. Navegam em águas rasas e podem ser presas fáceis dos oportunistas e maus caracteres e imbecis que infestam as redes sociais.

Por outro lado, há os que entendem perfeitamente o que aconteceu e buscam, de todas as maneiras, não apenas minimizarem, mas também enxovalhar a reputação da vereadora carioca assassinada.

Estas pessoas, ligadas ou simpatizantes de políticos e movimentos de extrema direita, como o MBL – Movimento Brasil Livre, Bancada da Bala, e o presidenciável Bolsonaro, que defende que violência se combate com violência e a tortura, transformaram, mais uma vez, as redes sociais e WhatsApps num esgoto onde propagam seus instintos mais baixos (mais sobre o esgoto).

É contra esses energúmenos, vis e desumanos que devemos nos levantar. Antes que seja tarde. A história nos mostra que não podemos vacilar contra fascistas. É preciso levar muito a sério candidatos com discursos autoritários e fascistas, por mais bizarros e burlescos que possam nos parecer. Lembremos daquele militar frustrado e medíocre, mero cabo do exército alemão, que levou o seu país e o mundo ao abismo.

Se podemos e devemos dialogar e ter paciência com os desinformados ou ingênuos, que fiz menção no início, não há o que conversar ou argumentar com a extrema direita brasileira. Acreditem, é tempo perdido.

Que a morte de Marielle não seja em vão e tenha a força de nos acordar para a realidade grotesca e perigosa que estamos vivendo no país. Não podemos permitir que o fascismo avance.

Marielle, presente!

 

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Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. José Correia Torres Neto 19 março, 2018 at 14:23

    Prezado e querido amigo, Tácito! Precisamos mudar, sempre. Teremos muito trabalho pela frente para darmos dignidade a esse país. Forte abraço e que Marielles, Chicos e Dorothys revivam em nós.

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