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Peça A Mulher Monstro em única apresentação em Natal

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Fotografia de capa: Jorge Almeida

Peça A Mulher Monstro, novo trabalho de José Neto Barbosa, será apresentada no Espaço A Boca na Ribeira nesta terça-feira (27), às 19h.

Espetáculo faz parte do Festival O Mundo Inteiro é um Palco e fala sobre a intolerância e questões da atualidade político-social brasileira.

Será uma única apresentação, com questões sobre intolerância e atualidade sócio-política brasileira em debate.

Resultado da ocupação de dois anos da S.E.M. Cia de Teatro no Recife, a polêmica dramaturgia foi criada pelo próprio ator José Neto Barbosa (premiado Melhor Ator do Teatro Nacional pela Academia de Artes no Teatro do Brasil 2015).

O espetáculo foi escrito diante da barbárie cotidiana observada na mídia, agora acentuada não só nas redes sociais.

Na obra, inspirado nas suas memórias da Mulher Monga dos parques e circos nordestinos, o ator-dramaturgo expõe poeticamente fatos e discursos impositivos de sua vida, desde infância, decorrente da discriminação vista e sentida no convívio social.

O processo de criação foi na capital pernambucana, na sede da Cia no Recife Antigo.

Para afinar discursos artísticos e políticos, a Cia promoveu leituras dramáticas, apresentações e bate-papo sobre arte militância com representantes de ONGs e movimentos sociais em Pernambuco e também no Rio Grande do Norte.

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Fotografia: Mylena Sousa

A obra é baseada no conto Creme de Alface, de Caio Fernando Abreu, escrita em plena ditadura militar, mas só publicado em 1995:

“O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulher monstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns”.

Assim relatou o escritor Caio Fernando Abreu, dois anos antes de seu falecimento.

“Se de 75 para 95 Caio percebeu que a sociedade estava mais intolerante, hoje, quarenta anos após a criação desse conto inpirador, vemos que nesse tempo de redemocratização brasileira pouco avançamos com relação a intolerância e o preconceito. É um dos maiores desafios em 15 anos de trajetória no teatro, resolvi fazer da minha arte militância”, desabafa José Neto, pela primeira vez na direção do próprio espetáculo.

”Precisava garantir as minhas inquietudes e a voz de todos da Cia, de forma mais independente e empoderada nesse trabalho. Não escolhi me dirigir, é um desafio, tudo foi fluindo e quando percebemos já estava posto e pronto para estrear”.

O espetáculo venceu o prêmio Hermilo Borba Filho de Melhor Direção no 3º Edição do Festival Nordestino de Espetáculos e Monólogos de Trindade/Pernambuco.

Em três atos de encenação e um quarto ato, que é bate-papo com a platéia, o espetáculo objetiva espelhar monstruosidades do cotidiano dos brasileiros, expressões e atitudes que reforçam,até mesmo inconscientemente, o preconceito e argumentos segregacionistas, antidemocráticos, radicalistas e fundamentalistas.

Sinopse

Uma mulher perseguida pela sua própria visão intolerante da sociedade, com características infelizmente não singulares a milhares de brasileiros.

Racista, machista, sexista, gordofóbica, homofóbica, reacionária e fundamentalista religiosa são adjetivos que a descrevem.

Apesar do pensamento político equivocado, A Mulher Monstro é uma humana com inquietudes e peculiaridades.

A protagonista apresenta dificuldades nas relações, sem saber lidar com a solidão.

Vive uma traição e rejeição do esposo diagnosticado com câncer, além de não superar a morte do único filho, vítima de seu preconceito.

Ela insiste recusar emergências sociais, questões políticas ou pessoais.

Como, por exemplo, seu corpo, um governo progressista e de esquerda ou sua atual condição financeira.

A peça questiona posições julgadoras, expõe monstruosidades ditas e praticadas no atual momento sociopolítico do país.

Tempo em que o ódio se mostra sem vergonha, principalmente nas redes sociais, das ruas e figuras públicas.

Sobre a Cia

A S.E.M. Cia de Teatro (Sentimento, Estéticas e Movimento) foi fundada em 2013 no Rio Grande do Norte, hoje tem sede em Recife e em Natal, e trabalha nessa itinerância.

A Cia circulou quase todas as regiões do Brasil com o monólogo Borderline, com temporadas lotadas, sempre com sucesso de público e crítica.

Na capital potiguar mantêm um Núcleo de Ações Formativas, com oficinas e espetáculos.

A S.E.M. é formada não só por atores, também por técnicos e profissionais de outros campos artísticos como o audiovisual.

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Fotografia: Mylena Sousa

A Mulher Monstro, de José Neto Barbosa

Terça-feira, 27 de setembro de 2016

Às 19h, n’A Boca Espaço de Teatro (R. Frei Miguelinho, 16 – Ribeira, Natal/RN)

Telefones: 84 3221-1816 | 84 994669714 (produção)

Ingressos: R$ 30,00 inteira | R$ 15,00 meia | R$ 10,00 para moradores da Ribeira e estudantes de teatro.

Vendas antecipadas: Barracão Clowns (Av. Amintas Barros, 4661, Nova Descoberta, Natal) ou no local da apresentação a partir das 16h

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