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Na Casa de Hades

“Canto apenas quando dança,
nos olhos dos que me ouvem, a esperança.”
Geir Campos

 

Ai de ti, Orfeu!
como pode o canto sobreviver
na ausência da vida?

Pobres tempos!
Não vês que a todos nessa casa
o desastre abateu?

Somem agora os jornais
e suas palavras de sangue
são escritas nos ares

No banquete em que foste convidado
nem sete navalhas de prata cortarão
o cervo imolado cuja carne
pereceu no martírio dos pastos

E nem penses subornar o encanto
dos mortos com novas canções
pois seria como iludir a ilusão
onde tudo é fraude

Os vivos permanecem no passado
aonde terás de retornar
por ordem do deus
já que nada provaste
exceto que eras bom no plano da vida
onde teus cantos celebravam mistérios
agora inúteis

E após vencer o desespero das fúrias
de volta ao lar de origem
urge encontrar a fonte
onde a lembrança de Eurídice e a esperança dormem
à espera
de teu eterno retorno

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