Nação Zambêracatu promove batuque em homenagem a Iemanjá nesta quinta-feira (02)

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Marília Negra Flor.2

Fotografia: John Nascimento

Batuque tem dupla missão, ao lançar luz sobre vandalismo e preconceito religioso Fotografia de capa: Catarina Santos

Quinta-feira (02) de resistência cultural e muita música com a Nação Zambêracatu. O grupo promove o Batuque para a Rainha do Mar, a partir das 16h, na estátua do orixá africano, localizada na Praia do Meio.

Será a quinta edição do evento que virou tradição e ponto de encontro de religiosos, simpatizantes, filhos e devotos da Grande Mãe. Ainda terá uma homenagem a Rainha Iracema Albuquerque (in memorian), filha de Iemanjá, matriarca e uma das fundadoras da Nação.

Dia 02 de fevereiro, no calendário das religiões de matriz africana, é dedicado a Iemanjá, divindade das águas, mãe de todas as orís (cabeças) e um dos orixás mais populares no Brasil, pelo sincretismo com Nossa Senhora.

O batuque tem dupla missão, ao lançar luz sobre a falta de respeito com a estátua de Iemanjá, com frequência vítima de vandalismo e preconceito religioso.

Para Marília Negra Flor (aqui tem uma matéria especial com ela), pedagoga, dançarina popular, pesquisadora de expressões afro-brasileiras e uma das organizadoras do evento, Natal deve valorizar o monumento alusivo a uma tradição africana, algo tão presente na formação do povo brasileiro.

“Esse dia tem em Salvador, um grande dia de manifestação dos povos de matriz africana, com a lavagem da escadaria. É um grande dia de resistência, pelo que Iemanjá representa. Ele foi o primeiro orixá a ser aceito pelos portugueses, talvez pela relação com o arquétipo da Grande Mãe, Nossa Senhora”.

Intolerância religiosa estimula vandalismo

A cada temporada, pedradas, pauladas e até tiros danificam a estátua de Iemanjá, na praia do Meio, Zona Leste de Natal. Ela é feita de concreto e ferro, e é mantida pela Federação de Umbanda e Candomblé do Rio Grande do Norte.

Marília destaca a importância do Batuque como um dos instrumentos de defesa do monumento, e celebra a participação de adeptos e curiosos.

“Durante esses cinco anos, percebemos que os povos dos terreiros se aproximaram. A receptividade sempre é muito boa, até porque a gente faz num ponto onde geralmente acontecem oferendas. Já é um ponto na cidade em que existe um monumento a um orixá. A gente aproveitou isso e faz esse batuque lá. Muitas famílias participam. Esse batuque também é um apelo para que a estátua de Iemanjá não seja depredada, o que vem acontecendo no decorrer dos cinco anos, vítima da intolerância religiosa”.

Nação Zambêracatu_2

Fotografia: Catarina Santos

NAÇÃO ZAMBÊRACATU E A CULTURA AFROBRASILEIRA NO RIO GRANDE DO NORTE

A Nação Zambêracatu foi fundada em outubro de 2012, em Natal, para difundir a cultura afro-brasileira no Rio Grande do Norte. O grupo tem referência musical no maracatu de baque virado, original de Pernambuco.

A Nação Zambêracatu está atrelada a religiosidade afro-brasileira, fundamentada no candomblé de Nação Ketu, pertencendo ao Ilè Asè Dajo Obá Ogodô, de Extremoz, do babalorixá Melquezedeque de Xangô.

Esta ligação com o candomblé de Nação Ketu influencia o toque executado pelo grupo, que reproduz e relê ritmos das cerimônias religiosas.

Nação Zambêracatu .4O Maracatu é uma manifestação artística de modelo europeu e espirito africano, num movimento de preservação das práticas culturais afro-brasileiras. Dentro dessa perspectiva a Nação Zambêracatu mescla a linguagem do maracatu com a raiz negra norte-riograndense, sobretudo o Zambê, ritmo típico da região de Tibau do Sul.

O grupo desenvolve um trabalho autoral, com canções de exaltação do negro potiguar e de sua religiosidade. É também um instrumento de combate ao racismo e à intolerância religiosa, através de ações em comunidades da grande Natal, como ensaios abertos, oficinas e apresentações.

Na programação anual da Nação, tem eventos em datas fixas, como o Batuque para a Rainha do Mar, o cortejo Abrindo os Caminhos, que antecede o carnaval, e a tradicional Coroação da Rainha na Igreja do Rosário dos Pretos, localizada no centro da capital potiguar.

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