Natal- RN, Sede da Copa 2014

25 de maio de 2010 às 9:58 - Comentar
Por João da Mata

Reflexões sobre o Futebol – I

A copa vem ou não vem para Natal. Será mesmo uma das doze sedes da copa 2014? Formam-se as torcidas. É feito o bolão. Depois de anunciada a decisão, a dúvida ainda paira no ar salobro. Técnicos da FIFA visitam a cidade dos Reis Magos para saber das condições. Sobrevoam o local. Um olheiro suíço diz que pode ajudar. Políticos torcem contra a possibilidade de outro político faturar com a Copa. Além do que faturam as multinacionais. O Engenheiro do Machadão reclama a derrubada de sua obra. Economistas calculam o quanto Natal vai ganhar com a Arena das Dunas. Natal finalmente sairá da palestra de Manoel Dantas para a modernidade. Os nostálgicos choram a perda de sua arena esportiva e de tantos domingos torcendo e vibrando pelo ABC, América e Alecrim.

Na dúvida, uma amiga que mora perto do Machadão e que já sofreu muito com os carnatais, muda de apartamento e de vida com elevador.

O que será de Natal já tão congestionada é a pergunta que não quer calar. O dinheiro. O prazo. Isso é o de menos. O Projeto é exeqüível vibra novamente Natal. Uns já tinham comemorado a não vinda da Copa. Outros que comemoraram o primeiro anuncio num domingo de 2009, comemoram novamente. O importante é comemorar pelo sim e pelo não. Natal será vista no mundo inteiro. O natalense deve assistir ao jogo do Equador conta o Peru ( aquele daquela copa) .

Desde 1970, quando o Brasil foi tri-campeão, aumentamos mais que duas vezes e meia. Os ditadores assim como alguns políticos da taba, adoram uma copa e um estádio moderno, destruindo insanamente o que já existe e faz parte da história. Em nome do progresso vale tudo e as empreiteiras rindo à toa. Em 1970 o Brasil se entorpecia ao ganhar mais um título. Muitos de nossos, estavam sendo mortos e torturados. Sim, mais éramos campeões e isso era mais importante. Somos, hoje, quase 200 milhões para torcer e botar o Brasil pra frente. Nesses dias, podíamos parafrasear Karl Marx e dizer. O futebol é o ópio do Povo. Natal comemora e na cidade só é que se fala. Seremos depois desse grande evento, uma cidade mais conhecida e moderna. Uma cidade mais prostituída e com o tráfico mais fácil. Nossas praias mais poluídas. Natal já não é a mesma.

O coração aperta, a pressão aumenta, a barriga reclama. O Brasil verde – amarelou. Mais amarelou, porque nossas matas já foram dizimadas. Toda a mídia fala do futebol. Sabemos tudo de cada jogador, só não sabemos se eles sabem da pátria por quem estão jogando e lutando. Nossos melhores jogadores estão fora do país e longe das atrocidades de um país bom de bola e tão desigual. O Brasil, como bem disse um famoso cronista, virou uma “pátria de chuteiras”. Todos torcendo e vestindo a camisa do escrete canarinho. Como é bom vestir a camisa de um time campeão. Ser respeitado, nós que somos tão pouco respeitados. Gostaria, também, de sermos respeitados como um país de grandes cientistas, músicos e poetas.

Trocaria tudo por um premio Nobel. Mas fazer um prêmio Nobel é mais difícil e não daria tanto voto!. O futebol, apesar da grande e bela arte, também é um celeiro de corrupção. Jogadores vendidos a preço de diamante. Cada milímetro de gramado vale uma fortuna e a bola, como que entorpece e anestesia bilhões de telespectadores, ávidos por um pouquinho de emoção e glória. Juízes são comprados e resultados combinados. Uma verdadeira máfia simboliza o futebol moderno. Bilhões são movimentados. E como fatura a adidas e a coca-cola!. Verdadeiras celebridades são os jogadores. Ocupam todas as páginas e capas de revistas. Sabemos de todas as seleções e até do pum do jogador. Vestimos a camisa do time e nos enfrentamos qual tribos ancestrais. Morremos pela camisa. Só assim posso ganhar de você e do patrão. Apesar de todo entorpecente que é o futebol, escrevemos tão pouco sobre ele. É que o dinheiro não dar para comprar um livro. Compro minha televisão de plasma (digital) e esqueço o mundo. Nem sei que no Brasil morre tanta gente. Afinal, somos penta-campeões e o mundo inteiro respeita o verde – amarelo.
Natal inteira já veste a camisa da copa. Comprei a minha no camelô a vinte reais. Oficial da copa. Todos rindo em ação. È o progresso. A saúde, a educação e cultura não importam. Façamos uma plástica na cidade para vendê-la melhor. Alguns serão mais ricos, depois. E a cidade continua intrafegável, sem esgotos e analfabeta. O que vale é a alegria de um momento. A copa é nossa, finalmente. Comemoremos.

Come bola, menino!

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    NAN GOLDIN
    QUANDO abre hoje, às 19h; de ter. a sex., das 12h às 18h; sáb. e dom., das 12h às 19h; até 8/4
    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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  • OUTROS EVENTOS

POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Jarbas Martins: Muito bom, Bortolotto.Mas eu não trocaria um parágrafo de Adriano de Souza, ou um capítulo de um ciberfolhetim de Carlão, por tua prosa requentada. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Anchieta Rolim: "Tá legal, eu aceito o argumento." Valeu Marcos. - À sombra da ditadura
    • chico m guedes: penso que quem acha que os valores em relação à vida introduzidos pelo cristianismo na civilização ocidental são só uma questão de crença pessoal, ou ignora brutalmente a história, ou, o que é pior, se auto-ignora enquanto fruto dessa civilização. sugiro um passeio imaginário ao coliseu romano num dia de espetáculo pagão. (em joguinho cyber ou seriado de tv não vale). claro que a sociedade ocidental moderna já abriu espaço para tornar o aborto uma questão de "foro íntimo das mulheres" (a mesma sociedade que vai em marcha batida pra nos transformar em mero 'produto', aliás). apois, apesar de toda essa mudernage, desconfio que entre nós filhos do cristianismo, pelo menos por mais um milênio, matar um feto (não venham com eufemismos que é disso que se trata) ainda será sentido e vivido como uma mancha moral (o que é o 'pecado', afinal?). mesmo que ele venha a ser descriminalizado. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Fernando: Yuno, seu comentário rebaixando o cristianismo revela um preconceito fortíssimo. Nestes termos, é impossível realizar um 'debate amadurecido" que você diz querer. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Eu tacito, celina ,Abimael Noite de banda aluanda. Ribeira bordas navarro Quase carnaval amigos Maésia , Paulo, outros. Não naõ não lembro nome seca Elói. E tu andas estava. - Cena Aberta e transparente