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A Navalha do Avô

Tela de Alexej Georgewitsch Von Jawlensky

A Luís Tavares da Costa

O fio e o prazer
De senti-la no rosto
A levar os pelos
Que estão demais
Em ângulos que
Não deveriam
A desbastar
Bigodes
Desnudar
A pele branca
Como mágica
Nunca de roldão
Mas em corte preciso
Único
Superficialissimo
Nem para mais
Nem menos
Sem concentração
Ou cerimônia
Pois vai-se fazendo
Ritual de masculinidade
À medida que caminha
Pela casa, de manhã cedo
Cheiro de café
E Fala, dá ordens
No seu tom ameno
[E dá aflição a quem
ver a lâmina passear-lhe
rápida o pescoço]
Enquanto manuseia
Com maestria
De velho barbeiro
A navalha alemã
Solinger
Guardada longe
De nossas mãos
e olhos de menino
– Em estojo de feltro
vermelho –
Debaixo de sete
Cuidados.

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