Chegaste a mim não como lume
Mas como Pergunta exposta na toalha sobre a mesa
E com olhos irônicos fitaste o Vazio dos meus olhos
E nos meus olhos te atiraste como um predador na rota de sua presa
Na boca um sorriso zombava de futuros e certezas
E eu te vi.
Te vi como se vê mares e dunas
Como coisas que são sem oráculos nem seitas
Que não se anunciam, nem aguardam, nem ficam, nem se vão:
Ali estavas de pé em frente aos panos da noite
E parecia que contigo aquela noite estava feita
Te vi coxas, riso, ombros e mãos
Perdidos entre afago e maldição
Enquanto o sol ainda se esconde tua mão me marca a pele e impõe fronteiras de posse
Num corpo que já não é mais o meu e se entrelaça no teu e se contorce
Os lábios se encontram e vão em busca dos vapores quentes da alma
Se colam, se penetram, se invadem;
Não são asas de pássaros, são patas de cavalo
Destruindo colheitas
Aquela noite só prometia suores
Conquistados a cada beijo
Os latifúndios do desejo
Eram cada vez maiores
(———–)
Vim de longe
Em hora incerta
Vim de lunas
Vim de céus perfurados de estrelas
Vim de amores submersos em dores e desfeitas
Para que celebrasses a consagração bizarra
Que faz a carne virar pão
O sangue virar vinho
E a cama virar mesa
Onde a fome dispõe as suas facas
Para cortar as carnes e sugar a seiva
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Tácito, aqui vai um pequeno FAQ para explicar porque voltei a enviar poemas:
1. Porque JL parou de mandar poemas para o SP?
Não sei
2. E porque voltou a envia-los agora.
Sei lá.
3 Comentários
Eita píula!
Acho, Fernando, que vi mais de um sentido no comentário daquele autor de uma longa “obra completa” internáutica. Não cai bem para um cangaceiro declarado, mas, deixa pra lá…
Ah! Não fiz aproximação entre Nazismo e Cangaço. Esses movimentos do mal e do ódio e da crueldade e do fanatismo se aproximam pela própria natureza.
O que você escreveu sobre – digamos – “cangaço e nazismo” (em termos) só foi interpretado mal por quem estava interessado em interpretar assim, com a única finalidade de torcer o seu raciocínio para o lado mais negro, Lívio.
Olha, esse cara enche o saco. Ele se faz de “bonzinho”, debaixo da boina, vai e volta, tem uma vaidade maior do que a de todo mundo que já apareceu por aqui, e ainda encontra quem — como a doce Ednar — lhe faça uns cafunés, como se fosse um pobre coitado. Na verdade, é uma pessoa de má fé sempre disfarçada daquelas “boas intenções” das quais o inferno ‘tá cheio, lá onde moram Lampião e seu bando de burros enfeitados dos pés à cabeça.
E encerrando o assunto da “estética do cangaço”: não admira que Angicos tenha sido o que foi, com todo mundo acordando cheio de anéis, moedas, vidrinhos e outras “bornayces” (de Clóvis B — e não de embornal etc) dos nossos “guerreiros do sol” na cara.
Monteiro falou tudo, tudinho. Será que agora clarearam a ideia?