No galope de Antonio Nóbrega

Sheyla Azevedo
DestaqueMúsica

Um dos principais artistas nordestinos, recifense radicado em São Paulo há 30 anos traz música e artes cênicas para o último dia do carnaval natalense, em uma rica e frenética mistura de ritmos musicais, com base no tripé samba, frevo e maracatu

Nóbrega apresenta o novo espetáculo Semba na próxima terça-feira (28) em Natal, em Ponta Negra.

Homenagem aos 100 anos do samba

O cantor, músico, ator, dançarino e pesquisador pernambucano, Antonio Nóbrega dispensa apresentação. Radicado em São Paulo há 30 anos, neste carnaval, ele sobe ao palco de duas grandes festas: em Recife e em Natal, que em 2017 chega aos 11 anos de patrocínio da Prefeitura Municipal, ganhando cada vez mais adeptos foliões.

Quem for a Ponta Negra, na noite desta terça-feira (28), vai se deparar com um Nóbrega pesquisador do samba, que vai oferecer ao público uma boa mostra do espetáculo Semba, concebido ano passado, pela passagem do centenário do Samba brasileiro.

Antonio Nóbrega_2

Antonio Nóbrega foi para São Paulo nos 80s estudar dança

No novo show há referências a Noel Rosa, Dorival Caymmi, Adoniran Barbosa, Tom Jobim, Chico Buarque de Holanda, entre outros, com músicas como Com que Roupa, Jura, O Morro Não Tem Vez, Saudosa Maloca, Partido Alto e mais sucessos do gênero.

É Nóbrega quem explica que há 100 anos, no Carnaval de 1917, a música Pelo Telefone foi um grande sucesso e tomou conta do país.

“Poucos meses antes, a canção havia sido registrada na Biblioteca Nacional pelo cantor e compositor Donga. Esse fato se tornou um marco para a cultura brasileira e é considerado o momento do nascimento do gênero samba”, afirma ele.

E acrescenta: “Fato é que o ritmo já existia no cotidiano brasileiro, em batuques, festas tradicionais, terreiros de candomblé e na cultura em geral. Ainda assim, 2016 e 2017 são anos importantes para a valorização de uma das mais ricas e genuínas manifestações da nossa cultura”.

Claro que também não vai faltar frevo, maracatu e outros ritmos essenciais no palco de Antonio Nóbrega, quando se trata de aumentar a ‘temperatura’ do público.

Antonio Nóbrega_Quinteto Armorial.2

Gravura “Alexandrino e o Pássaro de Fogo”, de Gilvan Samico, utilizada na capa do álbum “Do romance ao galope nordestino”, estreia do Quinteto Armorial, em 1974

Movimento Armorial

O multiartista recifense tinha apenas 18 anos ao ser convidado por Ariano Suassuna para integrar o Quinteto Armorial, grupo instrumental cuja proposta era misturar a erudição da música de câmara com as raízes populares.

Veio na sequência uma profunda pesquisa sobre danças populares, o que viria a ser fundamental em sua carreira de bailarino. Ariano dizia que nos ensaios do Quinteto Armorial, enquanto disparava no violino, Nóbrega sentir tocar com os dedos dos pés, tão grande era a vontade de dançar.

Antonio Nóbrega_coco zambê

Coco zambê é uma das inspirações

Influência da cultura potiguar

Sobre a relação com Natal, Nóbrega foi muito simpático, e trouxe à tona figuras emblemáticas para o enriquecimento da cultura popular, matéria-prima de sua produção:

“Não só Natal, como também todo o Rio Grande do Norte, tem uma presença muito marcante no meu trabalho e na minha história pessoal. Eu considero o Estado como um daqueles lugares que ajudou na construção do meu trabalho me oferecendo referências culturais. Foi aí que eu conheci o Coco de Zambê, Dona Militana (veja especial deste Substantivo sobre a romanceira), o grande pesquisador, Deífilo Gurgel, sem contar com a importância de Câmara Cascudo. Na ocasião da reinauguração do teatro municipal [mas na verdade ele está se referindo ao Teatro Alberto Maranhão, que foi reaberto com um show dele. E, se a repórter não se engada, foi em 2004, e o espetáculo Madeira que Cupim não Rói], eles puseram meu nome numa placa. Eu gosto muito de Natal; me apresentar na cidade é ressentir, no sentido de sentir novamente, os fluidos positivos da cidade”.

Share:
Sheyla Azevedo

Comentários

Leave a reply