O amor do menino pelo seu pai

Carlos Gurgel
Artes VisuaisMais

à nossa mãe Zoraide

por Fernando as cores do dia vem. encalacradas de um ramo de esperança e beleza. porque tudo que é belo, ressoa. em direção ao vale por onde a magia da vida borbulha. por onde a criação de uma criança, se lança na direção do que o mundo lhe reserva. em uma inesquecível, irrepreensível rota titã. tão à gosto daqueles que fazem história, tendo ao seu lado, um pai tão abnegado e querido.

a celebração que Fernando Gurgel oferece à Deífilo Gurgel, nessa sua mostra, engrandece todos os corações do estado norteriograndense. ele dedicou um pouco mais de um ano, ao prazer solitário de aproximar cores e preciosos sentimentos. o coração de Fernando vigoroso e perfeccionista, foi, ao longo desse tempo, borbulhando lágrimas e uma satisfação sem igual. retratar o ser Deífilo para Fernando, foi trazer para a vida, a semente de um amor profundo, orgânico, imerso em consanguinidade e abissal perfeccionismo. esboçar esse “time”, lamparina de uma vida inteira, é como se entregar ao fascínio de ter sido filho de um homem precioso.

Foto de Gionanni Sergio para tela de Fernando Gurgel

Foto de Gionanni Sergio para tela de Fernando Gurgel

os quadros que estão nessa mostra, Deífilo estão neles, e ele está em nós. esse crivo, essa linha de uma sensibilidade arrebatadora, estimula ao aparecimento de uma tênue paisagem por onde a criação vitoriosamente impactante nos é revelada. sim, sem nenhuma dúvida, estamos à mirar, e a presenciar um dilúvio de inominável riqueza pictórica. Fernando é daltônico, e esse singular detalhe, faz dele, um visionário único, disposto a desbravar com suas retinas, uma exemplar trajetória, pinçando dos seus braços e mente, uma cintilante geografia, onde ao sabor dos olhos, somos impelidos à apreciar, e estupefactos, saudar como admiradores, sua arte.

assim, todas as cores e criações dele, desaguam no universo da alma do povo, por onde Deífilo palmilhou e se glorificou. acompanhar essa vernissage é ter a plena revelação de que o homem que se dedica ao exercício de se ver, através das pracinhas, folguedos, reizados e loas, é certamente um predestinado, amealhando, garimpando pelo tempo, sua história e a sobrevivência da sua lapela da tradição dos seus costumes e tesouros.

as dobras das cores dos dias e das noites lembram eternamente Deífilo, com elas, os passantes, habitantes dessa cidade se encontram. por essas cores, por elas, a vivência de um olhar que frequenta nosso íntimo, se distrai, e sorri, como uma criança pondo luz, no chão por onde se fez mensageiro dos seus tesouros e da simplicidade de uma face, que se prolonga pelos tempos.

a miragem por onde Fernando palmilha, ela toda, coberta de iluminuras e presépios de uma urbana cidade, vitoriosa por celebrar suas luzes e quintais, descobre por entre os pincéis, as cores de um artista pleno, capaz de traços cirúrgicos como o voo de um pássaro a procura de saciar sua fome, pelo planeta à dentro. já se falou bastante sobre o castelo colorido de Fernando, mas gostaria, como seu irmão, de dizer que sua plasticidade transcende os terrenos de uma lógica fácil, ela se instala por sobre os parapeitos de uma astúcia coragem juvenil e libertadora. porque a sua química, é justo, a certeza de uma acabamento infindo, costurado de muita genuflexão e amor.

pois que Fernando seja glorificado, como filho, e ardoroso amante, do que, por Deífilo, propaga. que essa mostra emotiva e exemplarmente vitoriosa, seja a razão do que nosso pai, sempre sonhou ser: um apóstolo das suas raízes, soldado e protetor dos nossos castelos por onde pelas suas estradas e entradas, o espírito de uma rica expedição de vida, nos é presenteada. que a fagulha desse homem nos acorde, empunhando com seu destemor, a beleza, do que a vida nos deu.

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