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O Amor me sequestrou há exatos onze anos

Eros e Psique

Foi no mural localizado no Centro de Ciências, História, Letras e Artes.

Bem pertinho da casa da xerox e da zona de informação que socorre os/as desavisados/as que por ali passeiam; de frente para os degraus que levam os/as transeuntes ao segundo piso do famoso CCHLA (Chinchila! Que pronúncia saborosíssima!) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, que o sequestro relâmpago se deu por inteiro encantamento. Foi um fogo tão abrasador que acendeu desde o primeiro olhar no olho da fera, e que perdurou por quase infinitos (graças a Deus!) longos dez anos e que perdurará ao largo dos infortunados pontos finais.

Particularmente, vejo o Amor como a montagem de uma fogueira para, só depois, sentir-se a ardência do fruto que nela é guardado. Primeiro, viaja-se por dentro da flora bela e hostil, e recolhe-se o tronco mais grosso e lenhoso, para sedimentar, no altar, o alicerce das chamas. A madeira tem que ser pesada; de lei; de Eros e Psiquê! Que a árvore escolhida faça o fio do machado verter água da lâmina “assassina” e que, depois de feita essa ruptura de mundos, o utensílio do corte transforme-se em pena e siga a sina do sósia do Cosme Velho. Sempre vertendo o mel fino a cada esquina transposta em números de rodapé.

Terminada essa fase. Esses primeiros passos. Segue-se para a ornamentação da estrada a ser pavimentada e ocupada pela minúscula fagulha do grão. Vocês devem saber que as montagens dos fogaréus guardam maturações e inúmeros formatos. Quanto à sazonalidade, opto pelo impulso de um “boa noite!”; já quanto à disposição arquitetônica, prefiro a triangular! (Apenas questão de gosto! Fica parecendo com castelos descansando no alto das serras.) Fechando os parênteses, voltemos ao texto. Assim, na hora de erguer a catedral de pau, faço a cama com troncos maiores e mais substanciais e só depois repouso os menores e mais formais em circunferência material por sobre o monte. Feito isso, junto à base da estrutura os gravetos secos e de boa condução das labaredas. Esses arbustos tem o mesmo papel dos anjos na cosmologia cristã!

As fogueiras são exatamente como as gentes: depois da fertilização e, consequentemente, da germinação, seguidas de podas quotidianas da vida, surge, no veio calejado pelas intempéries da harmoniosa junção Vida e Arte, o fogo da carne. E este encontra-se pronto para a combustão do torrencial fogo de pentecostes, que não é outro senão o fogo do músculo somado ao do espírito, incendiando o concreto e o abstrato ao mesmo instante. Essa luz que se põe fulgurante para uns; serena e cinza para outros; mas que é improvável não imaginar a sua existência: é o fogo da sabedoria! A existência é aquela que move e sequestra os seres humanos de forma total e não em lapsos repentinos de claridade. Esse fogo é sinônimo do fogo da eternidade. O que é para sempre porque é princípio entre os sublimes.

Hoje, sou um livre refém desse cárcere que me liberta das inconclusas liberdades antes vividas, e que me aparece tão intensamente, que a pupila do meu olho não dilata ao encará-la face a face, porque sabe que o que treme ali, não é um singelo fogo de palha, e sim, um fogo que toma as taças e as queima pelo sangue sacrificado dos homens.

Te amo, minha tocha ouro-azul!

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Italo de Melo Ramalho

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