O Brasil não é para amadores

Tácito Costa
Destaque

É recorrente, diante do reiterado surrealismo político nacional, usar-se a expressão “o Brasil não é para amadores”. De fato. Nos últimos tempos a expressão se tornou ainda mais carregada de veracidade, aumentando sua força e credibilidade.

Senão, vejamos. Maluf pontifica sobre decência na Comissão de Justiça; Aécio, livre, com o mandato de volta foi premiado e terá Gilmar, o isento, como relator de suas traquinagens; a irmã passou umas horas presa, mas agora curte doce recesso no lar.

Geddel Lima também está em casa, assim terá tempo de providenciar a mudança para o apartamento construído em Salvador em área do patrimônio histórico; Rocha Loures, o homem da mala com 500 mil idem. Joesley está livre e Marcelo preso.

Cunha e Henrique presos. Jucá e Renan soltos. Renan, fênix da política nacional, dá lições de moralidade e governabilidade a Temer, o presidente que será lembrado pela honestidade, forte apoio popular, pelas mesóclises e ter levado trabalhadores e aposentados ao paraíso.

lava

Comissões no Congresso, como a de Ética, dominada por parlamentares envolvidos em crimes, quer dizer, bandidos julgando bandidos, remetendo a códigos de honra utilizados por sindicatos do crime e a máfia.

Um parlamentar racista, machista e apologista da tortura é enaltecido, recebido nos braços por onde passa e pesquisas de opinião confirmam que é um candidato à presidência da República com potencial de eleger-se.

A filiação ao PSDB representa salvo conduto contra quaisquer mal feitos, não importam se seja tráfico de cocaína ou a corrupção mais comezinha (caixa dois, desvios nas estatais, “empréstimo” para pagar advogado). Para os demais partidos e políticos, existe Moro, o imparcial e apolítico, e se este não resolver chama-se Gilmar, o discreto e apartidário. Exemplos máximos de uma justiça que condena ou absolve independente das provas e de acordo com suas paixões e obsessões políticas.

Frases descoladas da realidade aumentam ainda mais o clima de estranhamento, de hospício mesmo, como a da presidente do STF Carmen Lúcia, de que o “clamor por justiça não será ignorado”.

Clamor que não chegou, para citar apenas um exemplo noticiado recentemente, a Georgina Gonçalves, que ficou seis anos presa por roubar chicletes e desodorante de um supermercado (conta chegou a R$ 42,00), produtos devolvidos após prisão em flagrante.

E assim, com ratos no controle, la nave va.

Share:
Tácito Costa

Comentários

1 comment

  1. Anchella 13 julho, 2017 at 16:58

    Análise perfeita da conjuntura política nacional. Não teria as palavras adequadas nem a exposição tão racional, mas mo seu artigo encontro o que gostaria de ter dito. Compartilho cada frase.

Leave a reply