O Dicionário desfigurado de Cascudo

29 de agosto de 2010 às 16:14 - Comentar
Por João da Mata

Foto: Kamilo Marinho

Dicionário do Folclore Brasileiro – Uma Edição Desfigurada
Moacy Cirne. Edição Sebo Vermelho 2010

E eu que pensava que era só uma comparação copidescada e piorada do Dicionário do Folclore Brasileiro do Câmara Cascudo. Que nada! Moacy não só comparou, contou e criticou a diminuição de verbetes, supressão e acréscimos sem justificativas. Moacy mais uma vez mostrou que é um grande leitor. Moacy mostrou que um dicionário é um livro que pode ser lido como um outro qualquer. É realmente um crime o que foi feito com o Dicionário do maior folclorista do Brasil. Referencia internacional.

E o que foi feito na versão capitaneada pela editora Global – alem de todas as desfigurações semióticas, textuais, conceituais, históricas, regionalistas, etc, etc. -, impuseram uma auto-censura, impuseram censura onde não pode existir.
Não podiam ter expurgado, num index pessoal, palavras como Fumar, Ipandu, Mascar Fumo, etc.
Só para ficar nesse ultimo verbete dicionarizado por Cascudo e suprimido na versão desfigurada de Della Mônica et al.
Mascar fumo era uma verdadeira instituição no nordeste brasileiro. Um hábito arraigado e praticado por muitos que tinham no fumo de Arapiraca uma verdadeira panacéia. Meu tio João Caicó tinha os dentes todos amarelos de mascar fumo. Não passava sem um rolo de fumo comprado nas feiras da cidade do Natal. O fumo servia para tudo, alem de diversão e mascagem muito melhor que o chicles. Qualquer ferida, qualquer machucado meu tio colocava fumo mascado.
Como querer mudar uma cultura. Como desfigurar a obra do nosso maior escritor que , numa coisa não concordo com Moacy. Era – sim- um grande estilista. Escrevia gostosamente como um dengo. Como uma estória contada em noite de chuva pelas veias xerazades do nordeste.
Aí Moacy não agüenta e chama pela semiótica. Pelo poema processo. Inventa novo jogo do bicho. Já que pode mudar, né!. É sim, um crime, o que foi feito.
O Dicionário de Cascudo é obra de uma vida. Uma obra coletiva onde jamais podia ter sido omitido as referências bibliográficas e colaborações que Cascudo obteve a duras penas com suas cartas perguntadeiras.
Moacy comentou comigo no ano passado e eu escrevi um breve artigo sobre o que
“ Era uma vez o Dicionário Cascudo…”.

Moacy leu tudo e observou que escreveram um outro livro mantendo o mesmo título e autor. Não pode!
Quero de volta o meu dicionário. Eu que adoro-os.
Em português, conheço desde o Bluteau.
Do Dicionário do Folclore de Câmara Cascudo tenho todas as edições e atesto e dou fé sobre tudo que Moacy escreveu ao seu estilo.
É verdade Moa, como pode tirar uma coisa dessa:
“GALINHA, Homero não a cita”

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    NAN GOLDIN
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    ONDE MAM-Rio (av. Infante Dom Henrique, 85, Rio; tel. 0/xx/21/2240-4944)
    QUANTO R$ 8
    CLASSIFICAÇÃO 18 anos

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POESIA

    “Je f’rai un domain où l’amour sera roi”
    12-02-2012 às 10:14 - 1 Comentário
    Por Bruno Costa

    Embora distante
    tua voz, teu cheiro, teu gosto
    permanecem aqui
    do nascer ao pôr do sol
    Continuo ouvindo as mesmas músicas
    que embalaram nosso encontro
    e às vezes sinto que se aproximas
    com sorriso leve e afeto ilimitado

    Encantados seres
    temos agora a ciência de sonhar acordados
    de conviver pacificamente com o medo
    e ludibriar o tempo

    Seres encantados
    transcendemos a história e a matéria
    alcançamos um plano metafísico
    que chamamos de deus, amor, beleza

    COMENTÁRIOS

    • João da Mata: eu faço do meu corpo o que quero foi conquista a greve do ventres vem desde os gregos quem possui o direito sobre o corpo feminino? voce, o estado, o papa, Deus"! todos falharam como inquisidores. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Roberta Aymar: Beleza e Proibição... coisas necessárias e, ao mesmo tempo, contingentes nas curvas dos "Plurais Substantivos"... Eu que agradeço, João. - A Viúva Negra
    • João da Mata: domingo é dia de fazer niente nem tente! - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: O inquisidor Um dia ele organizou um livro e não selecionou Outro dia ele foi o júri de concurso de poesia e não entrei nem na menção honrosa. Outro dia eu quis abortar e ele disse não pode mas foi taõ bom!. Não pode! Depois disse que e eu não sou Outra vez disse conheço a lei Sou procurador. Como juiz ele errou Como cristo acho que não voga - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • Marcos Silva: Alex: Faltou acrescentar que Maria engravidou sem contato sexual com José por vontade de Deus, não é? Dessacralização do coito, embora Deus deva ter pênis e bolsa escrotal pois Adão foi feito a sua imagem e semelhança, e Eva tenha recebido vagina por obra e graça de Quem a fez. Jesus não engravidou porque não quis. Nem precisaria ser inseminado por outro homem, Ele poderia inseminar-Se, se o quisesse, ou Deus poderia usar o mesmo procedimento ocorrido em relação a Maria. Nada disso se deu, pelo que se sabe e que vc, gentilmente, nos trouxe à lembrança. Quanto a Maria Madalena, nada sei. O conhecimento histórico sobre o tempo dela e de Jesus é muito limitado (alguma coisa a partir de Arqueologia), os Evangelhos são escritos de devoção, não propriamente fontes literais de informação (ou são informação sobre eles mesmos). De qualquer maneira, muito obrigado pelas preciosas informações. Aproveito para lembrar que uma coisa é o Cristianismo ideal (todos filhos de Deus etc.). Outra coisa é o Cristianismo histórico, como Cruzadas e Inquisição bem o demonstraram: ou os hereges não eram filhos de Deus (quer dizer: nem todos o são) ou, se o fossem, mereciam morrer por desagradarem aos representantes do Pai. Até Leonardo Boff, há poucos anos, foi punido pelo órgão que ocupou as funções da Inquisição na Igreja Católica, submetido a "Silêncio obsequioso", não é? E durante o Nazismo, o Vaticano manteve um silêncio nada obsequioso diante do Holocausto... Mas diga-se a favor de alguns membros da Igreja Católica (não do Papado) que muitos deles apoiaram os perseguidos pelo Nazismo e até morreram em campos de concentração, como Claudio Galvão estudou, a partir de um caso específico, no livro "Campo da esperança" (EDUSC). Mas Nietzsche já ensinou: a Morte de Deus não é papo para beira de piscina, é um acontecimento mais que gigantesco. - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”
    • João da Mata: Caro Juscio e estimada Roberta Belos links e comentários. Adorei. Que lindo, Roberta, seu blog proibido. Recomendo a todos Muito obrigado - A Viúva Negra
    • Roberta Aymar: A quem de interesse for... (inclusive há um link para o seu texto, João da Mata): http://quasiallegromanontroppo.blogspot.com/2012/02/aforismos-sobre-as-irrigacoes.html Roberta Aymar. - A Viúva Negra
    • Jóis Alberto: Poema muito bom! - "Je f'rai un domain où l'amour sera roi"
    • Eliane Dantas: Concordo, finalmente, com o senhor Jarbas Martins. - Minha mãe sempre apagava a luz na hora de dormir
    • Alex de Souza: Cristo também nunca engravidou. Nem Maria Madalena (que eu saiba). - A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”