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O fenômeno Lula

Definir Lula como um acontecimento especial que pode ser visto, é pouco. Consegui elaborar algumas observações (e devaneios) sobre o fenômeno Lula que, para mim, continua sendo um acontecimento fora do comum.

A força que Lula exerce no imaginário do sertanejo é impressionante. A sua trajetória pessoal e política está gerando um mito. Somos conterrâneos e contemporâneos de uma fase histórica, que só teremos como entender e avaliar a sua importância, daqui há alguns anos.

Se a vida é marcada por momentos inesquecíveis. Um deles sem dúvida, foi o que vi(vi) em Monteiro-Pb. Meses atrás, Lula veio para a inauguração popular da transposição do São Francisco na cidade. Em quase todas as casas e comércios tinham palavras de boas vindas. Lula era a própria água chegando! A alegria denunciada no sorriso cativante e no olhar do brilho das pessoas.

Foi surreal! Documentaristas de várias cidades, estados e países estiveram presentes em Monteiro. Talvez, unidos, consigam encontrar alguma resposta sobre aquele momento. Pra mim, uma legítima epifania que misturou necessidade, consciência política e irmandade.

Na região do Seridó-RN, no último domingo, Currais Novos foi uma das cidades escolhida para a passagem da caravana de Lula no país. O prefeito é do PT e o vice, do PC do B, ambos jovens. Lula, na estrada há 10 dias, está tendo a oportunidade de presenciar, in loco, o impacto das políticas sociais que o seu governo implantou. No seu discurso, Lula afirmou que a luta cotidiana das pessoas, em especial, as mulheres, contra a exploração e a violência, tem uma importante importante arma, a educação. Lembrou da criação do IFRN e da escola de medicina na cidade.

Domingo, algumas pessoas deram depoimentos emocionados. Entre eles, estudantes, quilombolas, agricultores revelaram o que mudou em suas vidas. A gratidão foi demonstrada de várias maneiras, como um poema, livro ou música. Dessa entrega, o momento mais simbólico foram as pedrinhas preciosas que Lula ganhou de um mineiro. A cidade possui uma das maiores minas de sheelita da América Latina. A troca alimenta a energia emanada da multidão. A catarse é completa. Ambos saem fortalecidos e gratos. É como se Lula representasse a força e a esperança, diante do caos político e econômico em que se encontra o país. Exemplo vivo de que é possível seguir em frente, apesar de todas as adversidades.

O poder, zona perigosa, geradora de alienação e oportunismo, rende-se ao altruísmo de Lula, que arrasta multidão onde passa. Multidões que arrastam determinadas mentes. Estas, por sua vez, estão atualmente estagnadas e dormentes, diante de um governo golpista e usurpador de direitos sociais. Esta multidão, com o fervor que a caracteriza, bem que poderia se unir aos decepcionados e demais esquerdistas para mudar o atual governo. Antes que o país se anule e a multidão seja pisoteada por si própria.

Para uma análise desse momento, sugiro o texto de Edmilson Lopes, “Por uma sociologia da era Lula”, já exposto neste blog.

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