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O frenesi começa logo cedo

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O frenesi começa logo cedo. Consegui sair às sete horas, exatamente como havia articulado. Nada melhor que dirigir ao som do canto dos pássaros e absorver a energia dos raios solares do início da manhã.

Selecionei alguns discos para me acompanharem na jornada. Busquei algo underground, como The Kendolls, banda punk sueca que tocou na última edição do Festival Dosol; e, diga-se de passagem, arrebentaram no palco! Conferi o show deles no El Rock e entrei em êxtase quando vi os jovens loiros fazendo punk de altíssimo nível. Também escolhi parte da discografia do AC/DC, dando preferência à fase Bon Scott, parando no Back In Black. Afinal, a vitalidade de um bom condutor depende da trilha sonora que o acompanha. Música é o meu principal combustível.

Coloco o possante nas rodovias e a cada troca de marcha observo atentamente a paisagem urbana, tomada pela especulação imobiliária que fez questão de preencher os espaços vazios com grandes espigões – alguns até querendo imitar a Times Square. Apesar de urbanoide assumido, admito que o excesso de vida urbana é prejudicial: às vezes me imagino em uma casa de campo, banhada por lagos belíssimos, tomada pela calmaria, distante da balbúrdia da zona urbana.

Após os devaneios, volto à realidade. Estou no meio de um engarrafamento, com passageiros que precisam chegar no horário. Volta e meia carros colidem, pedestres se arriscam a atravessar as avenidas fora da faixa, motoqueiros passam velozmente entre os espaços dos veículos.

Dia desses, trafegando pelas vielas, topei com um passageiro especial. O cara é dos meus, das artes. Teve uma complicação em função de uma meningite que o afastou do exercício da profissão. Mas não se deu por vencido e hoje desenvolve um belíssimo trabalho de digitalização de livros, onde o mesmo disponibiliza vários títulos excelentes em ebook. O papo fluiu maravilhosamente bem. A conversa foi sobre literatura, focando na literatura oriental, adentrando no universo do Murakami. O papo já pagou a corrida. Excelente.

À noite tudo fica mais interessante. As luzes intermitentes dos enfeites natalinos se chocam com os faróis dos carros, desenhando um cenário futurista. Olho para o relógio e vejo que é chegada a hora de retornar. Quem sabe um dia eu conduzo a Miss Daisy.

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Lucas Galvão

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