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O Magnífico

Se alguém tinha mérito para ser chamado de Magnífico, este era Onofre Lopes da Silva, fundador e primeiro reitor da nossa UFRN. Devo dizer que eu mesmo nunca me senti confortável com o título pomposo estabelecido por decreto federal. Um dia, cheguei a sugerir que o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, então colegiado máximo universitário, pedisse a redução do tratamento. Bastava a designação reitor, aquele que rege, que já exalta muito. Ninguém aceitou a sugestão.

Passei a me divertir com o tratamento. Ao governador Geraldo Melo, que me perguntou se já poderia me chamar de Magnífico, respondi ao amigo que bastava me chamar de formidável. Ganhei dele o apelido de formidável.
Qual o legado do Dr. Onofre? O desafio foi-me dado quando fui chamado pelo presidente da Academia de Medicina (Matias Maciel) na Associação Médica para revelar em uma palestra.

A resposta é óbvia: um futuro melhor para o Rio Grande do Norte. De fato, o Estado era um e passou a ser outro depois da Universidade. Recebi a concordância de homens notáveis que conviveram com o homenageado, entre os quais Celso Matias e Airton Wanderley.

A Universidade deu aos jovens um futuro promissor, abriu caminhos para novas gerações, iluminou o nosso Estado em conhecimento, pesquisa e extensão. Mais ainda, deu estímulo para que florescessem cursos superiores e novas universidades.

Doutor Onofre era possuidor de vontade imbatível, realizando o que havia concebido. Ele acreditava ser possível o exagero de Albert Einstein: “Há uma força motriz mais poderosa do que a energia atômica: a vontade”. Valorizava o trabalho em equipe, mas não gostava de comissões: “Comissão de mais de um, eu não acredito”. Escolhia muito cuidadosamente os seus amigos e eleitos, em quem depositava confiança.

Conseguiu convencer um seu amigo, o governador Dinarte Mariz. Criou a Universidade, congregando as Universidades existentes. O principal problema era que o orçamento universitário era maior que o do Estado.
Intelectuais do Recife combateram a ideia, afirmando que o Rio Grande do Norte não teria condições físicas, nem espirituais, para manter uma Universidade. Ele convocou pessoas renomadas para a defesa, entre elas o médico potiguar Ovídeo Montenegro, que o havia ajudado a criar a Faculdade de Medicina e que tinha muito prestígio em Pernambuco. A qualificação negativa foi retomada por alto burocrata do MEC que recebeu dura reprimenda do futuro reitor.

Para atingir o seu objetivo, o reitor não hesitou em blefar para federalizar a Instituição. Juscelino Kubitscheck estava em Natal. Havia um congresso religioso coordenado por Dom Nivaldo Monte. Eles conseguem levar o Presidente à Escola de Serviço Social. Estavam presentes apenas três professores universitários entre um grupo enorme de congressistas. O reitor fez discurso dizendo: “Presidente, estão aqui os professores universitários, eles vieram pedir a Vossa Excelência que torne federal a nossa universidade. Por favor, prometa. Promessa cumprida.

Na Universidade, ele criou o melhor programa universitário do País, o CRUTAC. Tanto empolgou que o Ministério da Educação criou o CINCRUTAC para difusão entre universidades públicas. O nono andar, do Ministro, teve a metade ocupada pela nova Organização.

A memória desse homem será sempre louvada por ter sido verdadeiramente um reitor Magnífico.

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Diógenes da Cunha Lima

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