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O nome

Sheyla_O nome

O nome é o traço mais marcante na vida de uma pessoa. Pode ser o nome mais comum. No entanto, ele é único. É o que reveste a existência nua de cada um de nós.

Inventaram de botar um “y” no meu nome.

Pois, partindo dessa premissa, se a pessoa me escreve o nome com “i”, eu já fico 50% desinteressada sob qualquer aspecto dela.

Pior é que isso já aconteceu com um chefe que tive, com um namorado a quem eu tinha muito apresso e agora, recentemente, com uma moça muito gentil e talentosa – que é amiga virtual – e que não se importa com a grafia correta do meu nome. É meu nome pô. É o único que tenho. Até porque nem é composto.

Não quer escrever meu nome com “y”, então me invente um apelido.

Eu acho que jamais conseguiria trabalhar feliz num telemarketing. Por várias razões.

Mas a principal delas seria pelo fato de que é raro as pessoas do outro lado da linha se lembrarem do nome da pessoa que está ali querendo vender um novo pacote de telefonia.

Faço um esforço brutal para me lembrar do nome. Embora nem sempre consiga: “Boa tarde, senhora, meu nome é “Pridsdurals” e a senhora gostaria de estar fazendo conosco o novo pacote plus delta azul blá blá blá?”.

E eu, que não entendi da primeira vez qual o nome criatura, prendo a respiração de vergonha.

Afinal, acho que mesmo que seja para dispensar um serviço – que você não pediu, que você não está a fim, que você nem sabia que existia – de uma pessoa que é só um nome inaudível – mas que tem metas, que precisa conseguir convencer outros desconhecidos, cujo nome é só mais um em tantos de uma lista catalogada por um robô, é preciso ter um pouco de educação e candura.

Então, para me redimir eu digo: “Desculpe, eu não entendi seu nome”. E a pessoa repete. E eu, com toda delicadeza, digo que não tenho interesse. Invento uma desculpa ou digo a mais absoluta verdade, mas com doçura. E ela entende.

Meus gatos entendem seus nomes.

Claro que eles estão sempre acompanhados de “bora”, “vamos”, “não”, “aqui”, ou junto com o barulhinho tilintante da ração batendo na louça de suas vasilhas de comer.

De modo que eu tenho cá minhas dúvidas se eles sabem que seus nomes são Fellini, Dolores, Nicco, Morgan e Zoeh, ou se eles se identificam mais com “bora”, “vamos”, “ei”.

Porém, garanto que eles reagem individualmente aos nomes escolhidos.

Se chamo Fellini, é ele quem mexe as orelhas. Se grito o nome da Zoeh é ela quem se esconde debaixo da cama. Sem contar com os inúmeros apelidinhos que eles ganham ao longo de sua existência.

Enfim, o nome é como se sussurrássemos algo que conecta a vida a e alma.

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Sheyla Azevedo

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